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Sala Snoezelen e realidade virtual: como as duas cabem na mesma sala

Em agosto comparámos as duas como se fosse preciso escolher. Numa reunião recente, a pergunta veio ao contrário: e se a realidade virtual entrar na sala que já existe?

Tema
Contextos clínicos
Leitura
5 min de leitura
Publicado
1 de outubro de 2026
Autoria
RVer
Âmbito
Produto base · Classe I

Nesta página

Em agosto escrevemos sobre sala Snoezelen ou realidade virtual, a pensar em quem ainda não tem nenhuma das duas. A conclusão já apontava para aqui: muitas instituições acabam por usar as duas.

Numa reunião recente, a pergunta chegou ao contrário. A instituição já tem a sala, já tem a equipa habituada a usá-la, e quer saber se a realidade virtual entra lá dentro ou fica à porta. Entra, e há uma forma de o fazer que respeita o que a sala já faz bem.

De onde vem a sala Snoezelen

O conceito nasceu nos Países Baixos no fim dos anos 70, com Jan Hulsegge e Ad Verheul, num centro para pessoas com deficiência intelectual. O nome junta duas palavras neerlandesas: snuffelen, explorar, e doezelen, dormitar. A ideia era um espaço sem objetivo de desempenho, onde a pessoa explora e acalma ao seu ritmo, sempre acompanhada.

Com os anos, a sala passou para lares, centros de dia e unidades de cuidados continuados. O princípio manteve-se: luz, som, textura e cheiro controlados, e alguém ao lado.

O que a sala dá à sessão de realidade virtual

Uma sessão de realidade virtual pede quase as mesmas condições que uma sala Snoezelen já oferece:

  • Um sítio calmo. Luz baixa, pouca passagem de pessoas, nada de campainhas a meio. A pessoa não é interrompida.
  • Uma rotina. Quem frequenta a sala já sabe que ali se faz uma pausa. Os óculos entram numa rotina que existe, em vez de criarem uma nova.
  • Um lugar sentado e confortável. As sessões fazem-se sentado, e as salas costumam ter os melhores cadeirões da casa.
  • Uma equipa que acompanha sem pressa. Quem conduz a sala já sabe observar a pessoa e parar quando é preciso. É exatamente o que uma sessão com óculos pede.

O que os óculos acrescentam à sala

A sala tem luz, som e textura. Não tem lugares. Uma praia, a aldeia onde a pessoa cresceu, o santuário de Fátima: isso é o que a realidade virtual traz para dentro da sala.

E traz mais duas coisas que a sala não tem:

  • Muda de ambiente sem obras. O cenário de hoje não tem de ser o de amanhã.
  • Pode deixar registo. Se a instituição quiser, fica escrito o que foi feito, com quem e durante quanto tempo.

Os óculos não ficam presos à sala. Quem não consegue lá chegar, porque está acamado ou não sai do quarto, continua a poder ter a sessão onde está.

Como montar, na prática

  • Um canto, não a sala inteira. Um cadeirão afastado das colunas de bolhas e dos objetos pendurados, para a pessoa poder mexer a cabeça à vontade.
  • O som da sala baixa. Os óculos têm o seu próprio som ambiente. Dois sons ao mesmo tempo confundem mais do que acalmam.
  • Luz baixa, mas não escuro. A pessoa de óculos não vê a sala; quem acompanha precisa de ver a pessoa.
  • Um estímulo de cada vez. Nada de óculos em cima de uma cadeira vibratória ou de uma cama de água. Se a pessoa reage, a equipa tem de saber a quê.
  • A sala serve para chegar e para sair. Uns minutos na sala antes de pôr os óculos, e uns minutos depois de os tirar. Voltar de um cenário para uma sala de luz suave é diferente de voltar para um corredor.
  • Uma pessoa nos óculos, as outras na sala. A realidade virtual é individual. Enquanto uma pessoa está no cenário, as outras continuam com o resto da sala, e a equipa acompanha a sessão no telemóvel ou no tablet.

Onde não resulta

  • Quem não tolera nada na cabeça. Para essa pessoa, fica a sala, e está bem assim.
  • Sessões de grupo. A sala é partilhável, os óculos não. Se a sala é sobretudo usada em grupo, os óculos encaixam antes ou depois, não durante.
  • Uma sala sempre ocupada. Se já há fila para a sala, pôr lá os óculos só aumenta a fila. Nesse caso, os óculos rendem mais onde a pessoa está.

Nenhuma das duas é um tratamento. São ambientes de conforto e estimulação, usados sob supervisão de quem cuida. Não substituem avaliação clínica nem qualquer terapêutica prescrita, e a decisão sobre o plano de cuidados é sempre da equipa.

O RVer é um sistema de realidade virtual para uso clínico concebido para ambientes de saúde, cujo produto base está registado como Dispositivo Médico Classe I no Infarmed (CDM 94571546) e ostenta marcação CE ao abrigo do MDR 2017/745. Os módulos RVer Motion, RVer Neuro e RVer Exposure estão em desenvolvimento e não estão abrangidos por esse registo.

Sobre como encaixar as sessões na semana, ver plano de atividades num lar. Sobre quem consegue usar o equipamento, ver acessibilidade em realidade virtual.

Um caso concreto?

Diga-nos qual é a situação

Respondemos com sim, com «é preciso testar», ou com não. As três acontecem, e a última também é útil.

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