Quase todos os lares com quem falamos já ouviram falar de uma sala Snoezelen, e muitos ponderaram construir uma. A pergunta que nos fazem é quase sempre a mesma: compensa fazer a sala, ou a realidade virtual substitui-a?
A resposta honesta é que não fazem a mesma coisa, e a escolha depende menos da tecnologia do que do espaço, da equipa e de quem são os residentes.
O que é uma sala Snoezelen
Uma sala Snoezelen (ou de estimulação multissensorial) é um espaço fixo, preparado para estimular os sentidos de forma controlada: luz suave e colunas de bolhas, som ambiente, texturas, aromas, por vezes uma cama de água ou uma cadeira vibratória. A pessoa entra, escolhe-se o que está ligado, e alguém da equipa acompanha.
O princípio é o mesmo que está por trás da realidade virtual em contextos de saúde: um ambiente controlado, acompanhado, para conforto e estimulação, e não uma terapia autoadministrada.
O que cada uma faz melhor
A sala ganha em tudo o que envolve o corpo. Tato, temperatura, vibração, peso, cheiro: nada disso passa por um visor. Para uma pessoa que não tolera nada na cabeça, ou que responde sobretudo ao toque, a sala é a resposta certa. E é partilhável: duas ou três pessoas podem estar lá dentro ao mesmo tempo.
A realidade virtual ganha em três coisas concretas:
- Não precisa de sala. Vai ao quarto, ao cadeirão, à sala de convívio. Num edifício onde cada metro quadrado está contado, isto não é um detalhe.
- Muda de cenário sem obras. Uma praia hoje, uma aldeia amanhã, a vindima no outono. A sala fica com o ambiente que foi instalado.
- Deixa registo. Fica escrito o que foi feito, com quem e durante quanto tempo, sem ninguém transcrever nada à mão.
E há uma diferença que costuma decidir: a sala obriga a levar a pessoa até ela. Quem está acamado, quem está em isolamento, quem não sai do quarto ao fim da tarde: esses raramente chegam à sala.
O que custa cada uma
Não vamos publicar números que não controlamos, mas a forma do custo é diferente e vale a pena perceber:
| Critério | Sala Snoezelen | Realidade virtual |
|---|---|---|
| Investimento | obra e equipamento fixo | equipamento e subscrição |
| Espaço | uma divisão permanente | nenhum |
| Mudar de ambiente | nova compra ou obra | novo conteúdo |
| Chega ao quarto | não | sim |
| Estimulação tátil | sim | não |
| Grupo em simultâneo | sim | um de cada vez |
Quatro perguntas antes de decidir
- Tem uma divisão para dispensar de forma permanente? Se não tem, a pergunta acaba aqui.
- Quantos residentes não saem do quarto? Quanto maior for esse número, mais peso tem a solução que se desloca.
- Quem vai acompanhar as sessões? Ambas exigem alguém ao lado. Uma solução que ninguém tem tempo de usar não é solução nenhuma.
- O que quer registar? Se precisa de mostrar o que foi feito (à família, à direção técnica, numa auditoria), convém que fique escrito sozinho.
Nem uma nem outra é um tratamento. São ambientes de conforto e estimulação, usados sob supervisão de quem cuida. Não substituem avaliação clínica nem qualquer terapêutica prescrita, e a decisão sobre o plano de cuidados é sempre da equipa.
Também podem coexistir
Os lares onde isto funciona melhor não escolheram: usam a sala para quem responde ao toque e ao movimento, e a realidade virtual para quem está no quarto ou para quem gosta de ir a sítios. São duas ferramentas na mesma caixa, com custos e limitações diferentes.
Se está a começar por uma, comece pela que responde ao problema que tem hoje, e não pela que impressiona quem vem de visita.
O RVer é um sistema de realidade virtual para uso clínico concebido para ambientes de saúde, cujo produto base está registado como Dispositivo Médico Classe I no INFARMED (CDM 94571546) e na EUDAMED (Basic UDI-DI 56006195127RVERTZ), e ostenta marcação CE ao abrigo do MDR 2017/745. Os módulos RVer Motion, RVer Neuro e RVer Exposure estão em desenvolvimento e não estão abrangidos por esse registo.
Sobre quem consegue usar o equipamento, ver acessibilidade em realidade virtual. Sobre o uso em demência, ver reminiscência, calma e momentos de presença.
Perguntas frequentes
A realidade virtual substitui uma sala Snoezelen?
Não. A sala estimula o tato, a temperatura e o movimento, coisas que não passam por um visor, e permite estar mais do que uma pessoa ao mesmo tempo. A realidade virtual chega ao quarto, muda de ambiente sem obras e deixa registo da sessão. Muitos lares acabam por usar as duas.
Qual das duas é melhor para pessoas com demência?
Depende da pessoa, não do diagnóstico. Quem responde ao toque e ao movimento tira mais partido da sala; quem gosta de lugares e histórias responde melhor a cenários. Nenhuma das duas é um tratamento, e ambas são usadas com um profissional ao lado.
Preciso de uma divisão só para a realidade virtual?
Não. O equipamento é usado onde a pessoa estiver: no quarto, num cadeirão, na sala de convívio. É a diferença prática mais citada por quem já tem uma sala e não consegue lá levar metade dos residentes.
