O Dia Mundial do Farmacêutico assinala-se a 25 de setembro. É um bom dia para desfazer uma confusão que aparece muitas vezes quando se fala de realidade virtual em saúde.
Dizemos que o RVer é uma intervenção não farmacológica e complementar. Há quem ouça nisso uma crítica aos medicamentos — como se o objetivo fosse tirar comprimidos a alguém. Não é.
Complementar quer dizer ao lado
«Não farmacológico» descreve o que a coisa é: uma atividade, não uma substância. «Complementar» descreve onde fica: ao lado do plano terapêutico, não no lugar dele.
Nenhuma sessão de realidade virtual justifica mudar uma prescrição. Essa decisão é médica, e continua a sê-lo. O que a sessão pode fazer é ocupar um espaço no dia da pessoa que não é ocupado pela medicação — uma atividade com sentido — sem mexer no que já está decidido.
As perguntas do farmacêutico
Quem trabalha com pessoas idosas conhece a polimedicação: muitas pessoas tomam vários medicamentos por dia, receitados ao longo dos anos. Alguns têm efeitos que interessam diretamente a uma sessão de realidade virtual.
Há medicamentos que dão tonturas? Uma pessoa com tendência para tonturas pode sentir-se pior dentro dos óculos. A sessão faz-se sentada ou deitada, com conteúdos mais calmos, e a equipa está atenta.
Há medicamentos que dão sonolência? Então a hora da sessão importa. Marcar para logo a seguir a uma toma que dá sono é marcar uma sessão que não vai correr bem.
Houve alterações recentes? Uma mudança de medicação nos últimos dias é uma boa razão para a equipa olhar com mais cuidado para a sessão seguinte.
Nenhuma destas perguntas é para a equipa de realidade virtual responder sozinha. São perguntas para fazer ao farmacêutico e ao médico — e é por isso que vale a pena envolvê-los.
Um aliado, não um adversário
O farmacêutico que acompanha um lar ou um serviço conhece a lista de medicação de cada pessoa melhor do que ninguém. Envolvê-lo na forma como se conduzem as sessões não é burocracia: é pôr na sala mais alguém que sabe o que pode correr mal.