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Plano de atividades num lar: onde a realidade virtual encaixa (e onde não)

Não é uma atividade de grupo, não substitui o convívio e não dispensa a animadora. Dito isso, encaixa exatamente nos buracos que o plano de grupo nunca cobre.

Tema
Contextos clínicos
Leitura
7 min de leitura
Publicado
16 de agosto de 2026
Autoria
RVer
Âmbito
Produto base · Classe I

O plano de atividades de um lar é feito de restrições: uma animadora para sessenta residentes, uma sala que também é refeitório, dias de chuva em que ninguém sai, e um terço das pessoas que não vai a nada em grupo.

Esta é uma nota prática sobre onde a realidade virtual encaixa nesse plano — e, com a mesma clareza, onde não encaixa.

Onde não encaixa

Convém começar por aqui, porque é o que evita comprar mal.

  • Não é uma atividade de grupo. É um de cada vez, com alguém ao lado. Se o problema é encher a tarde de quarta-feira para vinte pessoas, isto não o resolve.
  • Não substitui o convívio. Ninguém deve ficar mais isolado por causa disto. É uma sessão curta e acompanhada, não uma forma de ocupar alguém sozinho.
  • Não é entretenimento contínuo. Sessões longas cansam e perdem efeito. O que vemos funcionar são cinco a quinze minutos.
  • Não dispensa a animadora. Alguém escolhe o cenário, coloca o equipamento e fica a acompanhar.

Onde encaixa

Encaixa exatamente nos buracos que o plano de grupo não cobre:

Quem não vai a nada. Há sempre um conjunto de residentes que recusa atividades de grupo — por timidez, por perda auditiva, por não gostar de barulho. Uma sessão individual de dez minutos no cadeirão é uma porta de entrada para quem nunca aparece na sala.

Quem não sai do quarto. Acamados, em isolamento, em recuperação de uma fratura. É o grupo que o plano de atividades costuma perder por completo, e é onde uma solução que se desloca faz mais diferença. Há modo deitado para quem está reclinado.

Dias de chuva e agosto. O passeio que foi cancelado, a semana em que metade da equipa está de férias. Ter uma atividade que não depende do tempo nem de transporte tira pressão ao calendário.

Conversa a partir de um lugar. Ver a vindima, uma praia conhecida ou uma aldeia costuma abrir conversa melhor do que uma pergunta direta. A atividade não acaba quando o equipamento sai da cabeça — muitas vezes é aí que começa.

Momentos com a família. Uma visita que não sabe o que dizer tem ali um assunto: escolher o sítio, ver a reação, falar sobre isso a seguir.

Uma semana realista

Não é um plano para copiar — é a forma que costuma resultar quando se junta ao que já existe:

Dia Manhã Tarde
Segunda ginástica de grupo 4 sessões individuais (quartos)
Terça ateliê passeio ou, se chover, cenários na sala
Quarta música 4 sessões individuais (novos residentes)
Quinta jogos de mesa visitas de família — sessão a dois
Sexta missa / conversa 4 sessões individuais (acamados)

Doze a dezasseis sessões por semana, com uma pessoa. Ao ritmo de cinco minutos para escolher e colocar, mais dez de sessão, cabe numa tarde sem desfazer o resto.

O que registar

Duas colunas resolvem quase tudo: quem e o quê. Quem esteve, que cenário, quanto tempo, e uma linha sobre a reação. Serve para três coisas que uma direção técnica precisa de ter: mostrar à família o que foi feito, perceber o que resulta com cada pessoa, e responder numa auditoria sem reconstruir a memória de ninguém.

No RVer esse registo é automático — fica escrito o que foi visto, com que equipamento e durante quanto tempo. O que não fica registado é nenhum dado clínico do residente: isso não sai do equipamento.

A realidade virtual em contexto de lar é uma atividade de conforto, estimulação e bem-estar, conduzida por profissionais ou cuidadores com formação, e nunca autoadministrada. Não é tratamento, não substitui avaliação clínica nem terapêutica prescrita, e a decisão de a incluir no plano de cada residente é da equipa.

Três perguntas antes de a pôr no plano

  1. Quem vai conduzir? Sem nome e sem hora marcada, não acontece.
  2. A quem vai primeiro? Comece por quem não vai a nada — é onde se nota.
  3. Como vai saber se resultou? Se não ficar registado, daqui a três meses a resposta é uma opinião.

O RVer é um sistema de realidade virtual para uso clínico concebido para ambientes de saúde, cujo produto base está registado como Dispositivo Médico Classe I no Infarmed (CDM 94571546) e ostenta marcação CE ao abrigo do MDR 2017/745. Os módulos RVer Motion, RVer Neuro e RVer Exposure estão em desenvolvimento e não estão abrangidos por esse registo.

Sobre quem pode conduzir as sessões, ver quem pode conduzir uma sessão. Sobre residentes acamados, ver modo deitado.

Sobre a conta que justifica isto à direção, ver quanto rende num lar.

Um caso concreto?

Diga-nos qual é a situação

Respondemos com sim, com «é preciso testar», ou com não — as três acontecem, e a última também é útil.

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