Na madrugada de sábado, 24, para domingo, 25 de outubro de 2026, Portugal muda para a hora de inverno: às 2h00 do continente e da Madeira, os relógios passam para a 1h00 (nos Açores, a 1h00 passa para a meia-noite). A regra é a da União Europeia — último domingo de outubro — e a hora de inverno dura até 28 de março de 2027.
Para quem trabalha num lar, a mudança costuma resumir-se a acertar os relógios da sala e o do micro-ondas. Para os utentes com demência, a semana a seguir pode ser outra coisa. O relógio da parede diz o mesmo de sempre; a luz da janela diz outra coisa.
O que muda de facto no domingo
A mudança é de uma hora, mas o efeito que se vê é no fim do dia. Em Lisboa, o sol põe-se perto das 18h45 no sábado, 24, e perto das 17h45 no domingo, 25. No fim de outubro já anda pelas 17h35, e continua a recuar até ao solstício, em dezembro.
Na prática, isto significa que:
- O escuro passa a chegar antes do jantar, e em muitos lares, antes do fim do lanche.
- O fim do turno da tarde acontece já de noite, que é quando a equipa é mais curta e há mais movimento (passagem de turno, visitas a sair, jantares a servir).
- As idas ao jardim e as atividades ao ar livre encolhem — o tema que tratámos em outono nos lares.
Para a maior parte das pessoas, o corpo ajusta-se em poucos dias. Para quem vive com demência, a referência mais forte que resta é muitas vezes a luz, não o relógio.
Porque é que o fim da tarde pesa mais na demência
Muitas pessoas com demência ficam mais confusas, inquietas ou agitadas ao fim da tarde e ao início da noite. Chama-se habitualmente sundowning, e escrevemos sobre ele em detalhe em agitação ao fim da tarde. As causas não estão totalmente esclarecidas; entre as que se apontam estão o cansaço acumulado do dia, as alterações do relógio biológico, a pouca luz e a sombra, a fome, a dor e o ruído da hora de maior movimento.
A mudança da hora junta várias destas coisas ao mesmo tempo. A luz baixa mais cedo, a rotina interna da pessoa continua na hora antiga durante uns dias, e o pico de atividade da casa coincide agora com o escuro. Organizações como a Alzheimer's Society e a Alzheimer Scotland lembram todos os anos que a mudança da hora pode desorientar quem vive com demência, e que o efeito pode notar-se durante dias ou semanas, não só no domingo.
Não quer dizer que todos os utentes vão piorar. Quer dizer que a semana de 26 de outubro é uma semana para observar com mais atenção.
Luz: abrir cedo, fechar antes do escuro
A luz é o que a equipa mais controla, e o que mais conta.
- Luz forte de manhã. Persianas abertas cedo, pequeno-almoço junto à janela, uma volta ao jardim de manhã se o tempo deixar. A luz natural da manhã é uma das referências mais fortes para o relógio biológico.
- Fechar cortinas e acender luzes antes de escurecer, e não depois. A transição faz-se com a sala já iluminada, e o momento em que «fica de noite» passa quase despercebido.
- Iluminação uniforme ao fim da tarde. Sombras nos cantos, reflexos nas janelas e corredores meio escuros são fonte conhecida de confusão — uma sombra pode ser lida como uma pessoa ou um buraco.
- Luz de presença à noite, nos quartos e no caminho para a casa de banho, para quem acorda desorientado.
Rotinas pela hora de sempre
O conselho que se repete nas organizações de demência é manter a rotina estável e, se for preciso, fazer a transição aos poucos.
- Manter as horas do dia pela hora nova, mas sem pressa: acordar, refeições e deitar às horas habituais do relógio, aceitando que nos primeiros dias algumas pessoas vão ter fome ou sono «uma hora antes».
- Ajustar devagar quem precisa. Há equipas que, na primeira semana, antecipam um pouco o lanche ou o jantar de quem fica inquieto mais cedo, e voltam ao horário normal ao longo de alguns dias.
- Medicação: não mudar nada por iniciativa própria. Para a maioria dos medicamentos, passar a dar à mesma hora do relógio novo não levanta problemas. Para os que têm horário crítico — por exemplo, alguns medicamentos para a doença de Parkinson, insulinas ou anticoagulantes — a decisão é do médico ou do farmacêutico, e convém tê-la combinada antes de domingo.
- Avisar a equipa da noite. As primeiras noites depois da mudança são as mais prováveis para acordar a horas estranhas e para pedidos de «ir para casa».
Atividades à tarde, antes do escuro
Se o fim da tarde é a hora mais difícil, é a hora a planear, e não a hora em que «já não há atividades».
- Uma atividade calma entre o lanche e o jantar, todos os dias à mesma hora: música conhecida, dobrar roupa, ver fotografias, preparar a mesa. O objetivo não é entreter; é dar uma estrutura previsível a uma hora que tende a desfazer-se.
- Menos estímulos, não mais. Televisão alta, várias conversas em simultâneo e muita gente a passar são o contrário do que ajuda a esta hora.
- Atividade física de manhã ou início da tarde. Uma caminhada ou exercício suave mais cedo ajuda a chegar à noite com sono; ao fim da tarde, melhor algo sentado.
- Registar o que acontece. Hora, o que a pessoa estava a fazer, o que ajudou. Em duas semanas, a equipa sabe se a mudança da hora teve efeito e em quem — e consegue separar isso de outras causas, como dor, infeção ou obstipação, que nunca se devem esquecer quando a agitação aparece de novo.
Uma agitação nova ou muito diferente do habitual não deve ser atribuída à mudança da hora sem mais. Pode ser sinal de dor, infeção, desidratação ou de um efeito de medicação, e justifica avaliação clínica.
Onde o RVer pode entrar, e onde não
O RVer não resolve a mudança da hora nem a agitação ao fim da tarde, e não é isso que propomos. O que pode fazer é entrar como uma das atividades calmas desse período: uma sessão curta, sentada, acompanhada por um profissional, num lugar conhecido da pessoa — uma praia de manhã, um jardim com luz de dia, a aldeia onde cresceu. Para algumas pessoas é um momento calmo e um ponto de partida para conversa; para outras não resulta, e a sessão para quando a pessoa quiser.
Duas notas práticas. Se a pessoa já está muito agitada, não é a altura de introduzir uma coisa nova: uma sessão faz mais sentido antes do pico, como parte da rotina, do que como resposta a uma crise. E a escolha do lugar conta — a ferramenta gratuita «História de vida», em /ferramentas/, ajuda a reunir os lugares e temas de cada utente antes de qualquer sessão. Mais sobre o enquadramento em realidade virtual na demência.
Em resumo
- A hora de inverno começa na madrugada de domingo, 25 de outubro de 2026: às 2h00 passa a ser 1h00, e o pôr do sol recua cerca de uma hora.
- Para pessoas com demência, o escuro mais cedo pode aumentar a desorientação e a agitação ao fim da tarde, durante dias ou semanas.
- Luz forte de manhã, cortinas fechadas e luzes acesas antes do escuro, e menos sombras ao fim do dia.
- Rotinas pelas horas habituais, com ajustes graduais nas refeições; medicação com horário crítico combinada antes com médico ou farmacêutico.
- Planear uma atividade calma entre o lanche e o jantar, e registar o que acontece nas duas semanas seguintes.
Este artigo é informativo e não substitui avaliação clínica. Uma mudança súbita de comportamento numa pessoa com demência deve ser avaliada pela equipa de saúde; em caso de dúvida, contacte o SNS 24 (808 24 24 24) ou, numa emergência, o 112. A Alzheimer Portugal tem informação e apoio para cuidadores.
O RVer é um sistema de realidade virtual para uso clínico concebido para ambientes de saúde, cujo produto base está registado como Dispositivo Médico Classe I no INFARMED (CDM 94571546) e na EUDAMED (Basic UDI-DI 56006195127RVERTZ), e ostenta marcação CE ao abrigo do MDR 2017/745. Os módulos RVer Motion, RVer Neuro e RVer Exposure estão em desenvolvimento e não estão abrangidos por esse registo.
Perguntas frequentes
Quando muda a hora em 2026?
Na madrugada de sábado, 24, para domingo, 25 de outubro de 2026. No continente e na Madeira, às 2h00 os relógios passam para a 1h00; nos Açores, à 1h00 passam para a meia-noite. A hora de inverno mantém-se até 28 de março de 2027.
A mudança da hora afeta pessoas com demência?
Pode afetar. Organizações de demência alertam que a mudança da hora pode desorientar quem vive com demência e tornar mais evidente a agitação ao fim da tarde, porque o escuro chega mais cedo e a rotina interna demora a ajustar-se. O efeito varia de pessoa para pessoa e pode durar dias ou semanas.
Deve mudar-se a hora da medicação?
Para a maioria dos medicamentos, passar a dar à mesma hora do relógio novo não levanta problemas. Para medicamentos com horário crítico, como alguns usados na doença de Parkinson, insulinas ou anticoagulantes, a decisão deve ser tomada com o médico ou o farmacêutico, de preferência antes da mudança.
Que atividades ajudam ao fim da tarde?
Atividades calmas, previsíveis e à mesma hora todos os dias: música conhecida, tarefas simples, fotografias, uma conversa tranquila. Menos ruído e menos estímulos ajudam mais do que atividades agitadas. A atividade física fica melhor de manhã ou no início da tarde.
