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Realidade virtual para idosos: para que serve, o que diz a investigação e que cuidados ter

Quem procura «realidade virtual para idosos» costuma ter uma de três perguntas: serve para quê, faz mal, e como se põe a funcionar numa instituição. Este artigo responde às três, com o que a investigação estudou e com o que não se sabe.

Tema
Estimulação Cognitiva
Leitura
7 min de leitura
Publicado
20 de outubro de 2026
Autoria
Pedro Thomaz
Âmbito
Produto base · Classe I

Nesta página

Uma nota antes de começar. O RVer não é só para pessoas mais velhas: é usado com utentes dos 10 aos 100 anos, em hospitais, lares e cuidados paliativos. Aqui falamos de um desses contextos, porque é o que mais gente procura.

O que é, numa frase

Realidade virtual é uma tecnologia que substitui o que a pessoa vê e ouve por outro lugar, filmado ou criado em computador, apresentado num headset que acompanha os movimentos da cabeça. Muita gente procura por «óculos de realidade virtual»; o equipamento chama-se headset e coloca-se à frente dos olhos, com uma fita à volta da cabeça.

Com pessoas mais velhas, o conteúdo que faz sentido é quase sempre vídeo 360° filmado de um ponto fixo: uma praia, uma aldeia, uma romaria, um jardim. A pessoa olha à volta, sentada, e está lá. Não há jogo, não há comandos para aprender, não há nada para ganhar.

Para que se usa com pessoas mais velhas

Numa instituição, a realidade virtual entra como intervenção não farmacológica: um complemento às atividades e aos cuidados que já existem, sempre com a equipa ao lado. Os usos mais comuns são quatro.

Reminiscência. Voltar a ver um lugar da infância, uma festa da terra, um sítio de peregrinação. A terapia de reminiscência usa memórias para conversar, e um vídeo imersivo dá à conversa um ponto de partida concreto. A estimulação cognitiva por reminiscência faz parte da finalidade registada do produto base do RVer.

Bem-estar e humor. Uma pausa num ambiente calmo, numa tarde longa, para quem já não sai do edifício ou do quarto.

Isolamento. O isolamento social e a solidão são frequentes em quem vive numa ERPI. Uma sessão é também uma conversa: sobre o lugar, sobre quem lá esteve, sobre o que mudou.

Momentos de cuidado. Em hospital, a realidade virtual é estudada como distração durante procedimentos e como forma de ajudar a gerir a dor e a ansiedade. Para quem está acamado, existe um modo deitado.

O que diz a investigação

A biblioteca de estudos da RVer reúne 54 referências sobre realidade virtual e qualidade de vida, entre elas 8 revisões sistemáticas ou meta-análises e 4 ensaios aleatorizados. O que esses estudos examinam é sobretudo bem-estar, humor e envolvimento social em pessoas idosas e com doença crónica.

Alguns exemplos, todos de autores independentes:

  • Um estudo de viabilidade com pessoas mais velhas com limitações cognitivas ou físicas, cujo título resume a conclusão dos autores: podem beneficiar de experiências imersivas (Appel, 2020).
  • Um ensaio aleatorizado multicêntrico em lares, sobre o estado de espírito de residentes que viram vídeos 360° (Gruber, 2022).
  • Um ensaio aleatorizado que comparou reminiscência com realidade virtual imersiva e reminiscência tradicional, em residências para pessoas mais velhas (Fatah, 2024).
  • Dois estudos sobre apatia e humor em lares (Saredakis, 2020; Brimelow, 2020).
  • Uma revisão de âmbito sobre dor e ansiedade em pessoas mais velhas (Corbel, 2025).

O que ainda não se sabe também está escrito na biblioteca: os estudos usam medidas de qualidade de vida muito diferentes, as intervenções são curtas, de semanas, e há pouco seguimento. A realidade virtual não cura nada e não faz milagres. O que a investigação sustenta é um uso modesto e útil: um bom momento, uma conversa, uma pausa.

Os cuidados que fazem a diferença

Com pessoas mais velhas, o risco real não é o ecrã, é o equilíbrio. Por isso as regras são operacionais, não tecnológicas:

  • Sentado, sempre. Numa cadeira estável ou na cama, nunca de pé.
  • Acompanhado, sempre. Alguém da equipa ao lado, do princípio ao fim.
  • Sessões curtas. Poucos minutos chegam, sobretudo nas primeiras vezes.
  • Conteúdo sem movimento. Vídeo filmado de um ponto fixo evita a maior parte do cybersickness, o enjoo que aparece quando os olhos veem movimento e o corpo não o sente.
  • Avaliação antes, quando há dúvida. Epilepsia ou fotossensibilidade, problemas de equilíbrio graves e algumas condições psiquiátricas pedem avaliação clínica prévia.
  • Ver e ouvir bem. O headset do RVer usa-se por cima de óculos graduados, e convém confirmar que o aparelho auditivo está a funcionar.
  • Higiene entre utentes. Uma rotina de limpeza simples, como em qualquer material partilhado.

Explicámos tudo isto em detalhe em a realidade virtual faz mal?

Como funciona o RVer num lar

O RVer é um sistema completo, não um headset avulso. A equipa usa um tablet ou um computador na rede local da instituição para escolher o conteúdo, ver o que está a passar, pausar e parar a qualquer momento. Uma pessoa consegue gerir vários headsets ao mesmo tempo.

Algumas coisas que interessam a quem decide:

  • O produto base, a biblioteca de vídeo, é um dispositivo médico Classe I registado no INFARMED e na EUDAMED, com marcação CE.
  • A sessão corre no próprio headset, sem internet, e nenhum dado pessoal ou clínico do utente sai do equipamento.
  • Durante a sessão, a família pode juntar-se por videochamada e ver o mesmo que a pessoa está a ver. A chamada não é gravada.
  • Os headsets são da RVer. A instituição contrata um serviço anual, sem investimento em equipamento.

Há mais sobre este contexto na página de realidade virtual em lares e ERPI. Para preparar uma primeira sessão de reminiscência, a ficha de história de vida ajuda a escolher o lugar certo.

Não é só para idosos

Este artigo fala de pessoas mais velhas porque é o que muita gente procura. Mas o RVer é usado com utentes dos 10 aos 100 anos: em hospitais e clínicas, para conforto em procedimentos e para ajudar a gerir a dor e a ansiedade; em cuidados paliativos, para conforto e para aproximar a família; e em lares, centros de dia e unidades de cuidados continuados.

Perguntas frequentes

A realidade virtual é segura para idosos?

Para a grande maioria das pessoas, uma sessão sentada, curta e acompanhada por alguém da equipa é bem tolerada. O risco real é o equilíbrio, por isso nunca se faz de pé. Epilepsia, fotossensibilidade e alguns problemas de equilíbrio ou psiquiátricos pedem avaliação clínica prévia.

Uma pessoa que nunca usou tecnologia consegue usar?

Sim. Com vídeo 360° não há comandos nem jogo: a pessoa só olha à volta. Quem escolhe o conteúdo, pausa e para é a equipa, num tablet ou computador.

Quanto tempo deve durar uma sessão?

Poucos minutos chegam, sobretudo nas primeiras vezes. A sessão acaba sempre que a pessoa quiser ou mostrar desconforto.

A realidade virtual substitui as atividades ou os cuidados da instituição?

Não. É um complemento não farmacológico, usado sob supervisão da equipa, e não substitui avaliação, tratamento nem cuidados clínicos.

O RVer é só para idosos?

Não. O RVer é usado com utentes dos 10 aos 100 anos, em hospitais e clínicas, lares, centros de dia e cuidados paliativos.

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