O outono começou esta semana. Para a maior parte das pessoas é uma mudança de roupa. Num lar é uma mudança de rotina.
No verão, parte da tarde passa-se lá fora — no jardim, no pátio, à porta. A partir de outubro chove mais, e em novembro às cinco já está escuro. O mundo de quem vive num lar, que já era pequeno, encolhe mais uns metros.
O que desaparece não é só o sol
Quando o jardim fecha, desaparecem coisas que ninguém tinha escrito num plano de atividades: a conversa no banco, o caminho até ao portão, ver quem passa na rua. Eram atividades sem nome, e por isso ninguém as substitui quando deixam de existir.
É aqui que a expressão «atividade significativa» ganha peso. Não é ocupar tempo. É garantir que, nos meses de dentro, cada pessoa continua a ter coisas que lhe dizem respeito — e não apenas as mesmas horas de televisão na sala comum.
Planear o inverno em setembro
As equipas de animação e de terapia ocupacional sabem isto de cor. O que costuma faltar é tratá-lo como plano e não como improviso: saber, antes de começar a chover, o que vai substituir o jardim para cada pessoa.
Para umas será a oficina, para outras a música, para outras a visita da família marcada ao domingo. A realidade virtual pode ser uma das opções da lista, e só isso.
Onde a realidade virtual entra — e onde não entra
Uma sessão pode levar uma pessoa ao mar numa tarde de chuva, ou ao sítio onde cresceu. A escolha do cenário é feita pela equipa com a pessoa, a pensar no que tem sentido para ela.
O que a realidade virtual não faz é substituir a saída real quando ela é possível. Um dia de sol em dezembro continua a ser melhor passado no jardim. A sessão é para os dias em que a porta está fechada — e o outono tem muitos.
Uma pergunta para a reunião de equipa
Antes de novembro, vale a pena fazer uma pergunta simples para cada residente: «o que é que esta pessoa fazia lá fora, e o que é que vai fazer quando não puder?». A resposta é o plano de inverno.