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Agitação ao entardecer na demência: o que a equipa pode mudar no ambiente

Às cinco da tarde a casa muda. Antes de falar em atividades, há uma lista física a excluir — e depois três coisas no ambiente que costumam fazer mais diferença do que qualquer novidade.

Tema
Estimulação Cognitiva
Leitura
7 min de leitura
Publicado
16 de agosto de 2026
Autoria
RVer
Âmbito
Produto base · Classe I

Às cinco da tarde a casa muda. Quem esteve calmo o dia todo levanta-se, procura a porta, pergunta pela mãe, quer ir para casa. A equipa do turno da tarde conhece isto melhor do que ninguém: chama-se agitação ao entardecer, ou sundowning, e descreve um padrão em que a inquietação, a confusão e a ansiedade aumentam no fim do dia em pessoas com demência.

Não é um diagnóstico e não tem uma causa única. O que existe é um conjunto de coisas que costumam contribuir — e algumas delas estão ao alcance de quem está na sala.

Primeiro, o que não é comportamento

Antes de mudar o ambiente, vale a pena excluir o que é físico. Boa parte do que se lê como agitação é outra coisa a manifestar-se:

  • dor que ninguém nomeou, sobretudo em quem já não a descreve;
  • vontade de ir à casa de banho, obstipação, retenção urinária;
  • fome ou sede — o jantar ainda vem longe;
  • infeção, em particular urinária, que em idosos aparece muitas vezes como confusão antes de aparecer como febre;
  • efeitos de medicação, incluindo alterações recentes.

Esta lista é a primeira coisa a fazer, sempre. E qualquer decisão sobre medicação é da equipa clínica — nada do que vem a seguir a substitui.

Depois, o ambiente

O fim da tarde junta três coisas: a luz cai, o barulho sobe (turnos a trocar, visitas a sair, televisão ligada) e o corpo está cansado. As equipas que conseguem baixar a agitação mexem quase sempre nestes pontos:

  • Luz. Acender antes de escurecer, e não depois. A transição brusca de claro para escuro é o gatilho mais citado.
  • Ruído. Menos fontes ao mesmo tempo. Uma televisão ligada numa sala onde ninguém a vê é ruído, não é companhia.
  • Rotina. A mesma coisa, à mesma hora, feita pela mesma pessoa quando possível. A previsibilidade faz mais do que qualquer atividade nova.
  • Cafeína e sestas longas ao fim do dia — os dois costumam aparecer nas recomendações.
  • Uma tarefa com sentido. Dobrar toalhas, pôr a mesa, tratar de uma planta. Ocupar não é entreter.

Onde é que um cenário calmo entra

É aqui que entra o que fazemos, e convém ser exato sobre o que é e o que não é.

Um cenário de vídeo 360° — uma praia ao entardecer, um jardim, uma aldeia conhecida — é mais uma opção de ambiente calmo, ao lado da música, da fotografia e da conversa. O que tem de diferente é ocupar o campo de visão: a sala com o barulho do turno fica de fora durante alguns minutos.

Sobre isto é preciso dizer três coisas com clareza:

  1. A investigação publicada sobre realidade virtual em demência é sobretudo sobre bem-estar, envolvimento e reminiscência, e não sobre agitação ao entardecer em particular. Não temos ensaios que digam que resolve sundowning, e não é isso que afirmamos.
  2. Não serve para toda a gente. Quem está muito agitado não vai aceitar nada na cabeça — e insistir piora. A janela útil costuma ser antes do pico, não durante.
  3. A sessão é sempre acompanhada e para quando a pessoa quiser. Tapar os olhos não é neutro para quem está desorientado.

Na prática, as equipas que usam isto ao fim da tarde fazem-no cedo — por volta das quatro — e curto: cinco a dez minutos, sentados, com alguém ao lado.

Uma lista para o turno da tarde

  1. Excluir dor, casa de banho, fome, sede e infeção.
  2. Acender as luzes antes de escurecer.
  3. Baixar o número de fontes de ruído.
  4. Manter a mesma sequência todos os dias.
  5. Oferecer uma tarefa com sentido, ou um ambiente calmo, antes do pico.
  6. Registar o que aconteceu e a que horas — é o que permite ver o padrão.

O ponto 6 é o que costuma faltar. Sem registo, cada turno recomeça do zero e ninguém sabe se o que se tentou ontem resultou.

Nada disto é tratamento nem substitui avaliação clínica. Uma alteração persistente no comportamento merece observação médica: pode ser dor, infeção ou efeito de medicação. As decisões sobre terapêutica são da equipa clínica.

O RVer é um sistema de realidade virtual para uso clínico concebido para ambientes de saúde, cujo produto base está registado como Dispositivo Médico Classe I no Infarmed (CDM 94571546) e ostenta marcação CE ao abrigo do MDR 2017/745. Os módulos RVer Motion, RVer Neuro e RVer Exposure estão em desenvolvimento e não estão abrangidos por esse registo.

Sobre o uso em demência, ver reminiscência, calma e momentos de presença. Sobre quem consegue usar o equipamento, ver acessibilidade em realidade virtual.

Um caso concreto?

Diga-nos qual é a situação

Respondemos com sim, com «é preciso testar», ou com não — as três acontecem, e a última também é útil.

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