Todos os anos, entre o outono e o fim do inverno, os lares e as unidades de internamento vivem a mesma sequência. Primeiro uma tosse, depois dois ou três utentes com febre, depois a decisão: a sala de convívio fecha, as refeições passam para os quartos, as visitas são suspensas ou limitadas. É a decisão certa quando há um surto, e tem um custo que raramente se planeia.
Este artigo não é sobre como controlar um surto — isso cabe à equipa de controlo de infeção de cada instituição, seguindo as orientações da DGS. É sobre as semanas que vêm com ele.
A época de vacinação de 2026/2027
A campanha de vacinação sazonal contra a gripe e a COVID-19 começou em Portugal a 30 de setembro de 2026, nas unidades do SNS, em farmácias comunitárias aderentes e noutros locais previstos. Como nos anos anteriores, os residentes em estruturas particularmente vulneráveis, como os lares, e os profissionais que neles trabalham estão entre os grupos a quem a vacinação é dirigida. As regras concretas de elegibilidade de cada vacina estão nas normas da DGS para esta época e podem ser confirmadas no SNS 24.
A vacinação não elimina os surtos, mas é uma das medidas com mais peso para reduzir a doença grave nas pessoas mais frágeis. Para um lar, a pergunta prática em outubro é simples: quantos utentes e quantos profissionais já estão vacinados, e quem falta. Vale a pena ter essa lista feita antes do primeiro caso, e não durante.
Quando há um surto: isolamento e o que muda
As medidas mudam com o agente, com a dimensão do surto e com as orientações em vigor, mas no dia a dia de um lar costumam incluir:
- Isolamento em quarto dos utentes com sintomas e, por vezes, dos contactos.
- Suspensão das atividades de grupo e das refeições em sala.
- Limitação ou suspensão das visitas, ou visitas com regras próprias.
- Equipas dedicadas a zonas ou utentes, quando a escala o permite.
- Reforço da higiene das mãos, das superfícies e de todos os objetos partilhados.
Em caso de surto, a regra que vale é sempre a da equipa de controlo de infeção da instituição e da autoridade de saúde local. Nada neste artigo se sobrepõe a essas indicações.
O que se perde nessas semanas
Um surto dura dias ou semanas. Para quem fica no quarto, isso pode significar:
- Menos convívio. A sala de convívio, as refeições em conjunto e as atividades de grupo são, para muitos utentes, o essencial do contacto social diário.
- Menos família. Sem visitas, a ligação faz-se por telefone, quando se faz — e muitos utentes com demência ou perda auditiva têm dificuldade em seguir uma chamada só com voz.
- Menos movimento. Quem passava o dia entre o quarto, o corredor e a sala passa a sair muito menos da cadeira ou da cama. É o mesmo custo de estar parado que descrevemos em imobilidade no internamento.
- Menos estrutura. O dia perde as marcas que o organizavam: a hora da atividade, a missa, a visita da filha.
Nas pessoas com demência, esta combinação pode traduzir-se em mais desorientação e agitação, e nem sempre é fácil distinguir isso de um início de infeção. Uma mudança de comportamento durante um surto merece atenção clínica, não só paciência. Escrevemos sobre o isolamento social de forma mais ampla em solidão e isolamento.
Manter atividade individual, quarto a quarto
Quando o grupo para, a atividade não tem de parar — passa a ser individual, mais curta e planeada quarto a quarto. Algumas ideias que as equipas usam:
- Uma lista simples por utente: o que gosta, o que o acalma, quem quer ouvir. Se já existe a «História de vida» de cada pessoa, é o momento de a usar (a ferramenta gratuita está em /ferramentas/).
- Visitas curtas e regulares da equipa, não só para cuidados. Dez minutos de conversa ou de música à mesma hora todos os dias dão estrutura ao dia.
- Materiais individuais ou facilmente higienizáveis: fotografias próprias, rádio, livros do próprio, tarefas simples.
- Movimento possível dentro do quarto, com orientação da fisioterapia: levantar, sentar, andar até à janela.
- Registar quem está a ficar mais parado ou mais fechado, para dar prioridade a essas pessoas.
Higiene do equipamento entre utentes
Qualquer objeto que passe de um utente para outro durante a época de gripe é um objeto a higienizar, e um headset de realidade virtual não é exceção. Os princípios gerais estão em higiene e segurança do equipamento:
- Limpar antes e depois de cada utente, com o produto e o método definidos pela instituição e compatíveis com as instruções do fabricante.
- Usar a capa de silicone lavável sobre a espuma facial: o kit RVer inclui uma, que se pode retirar e lavar. Não substitui a limpeza do resto do headset.
- Higiene das mãos de quem conduz a sessão, antes e depois.
- Não usar o mesmo equipamento entre zonas de isolamento e zonas livres sem que a equipa de controlo de infeção o tenha decidido. Em muitos casos, a decisão certa durante um surto é não levar o headset ao quarto de quem está isolado, ou reservá-lo para uma zona.
Onde o RVer pode entrar, e onde não
O RVer não previne infeções, não substitui a vacinação nem nenhuma medida de controlo de infeção, e não é por causa dele que se deve abrir uma exceção às regras de isolamento. Onde pode entrar é na parte que costuma ficar sem plano: uma atividade individual, curta e acompanhada, no quarto, para utentes que não estão isolados ou para quem a equipa de controlo de infeção autorize, com um lugar conhecido da pessoa ou uma videochamada com a família. Para alguns utentes é um momento calmo numa semana sem nada; para outros não resulta, e a sessão para quando a pessoa quiser.
Quando a família não pode entrar, uma videochamada pode ser a única forma de a pessoa ver uma cara conhecida. No RVer, as videochamadas com a família fazem-se dentro do headset, com o profissional ao lado, o que pode ajudar quem tem dificuldade em seguir uma chamada num telemóvel pequeno. Precisam de ligação à internet; o resto do conteúdo está todo no equipamento e funciona sem ela.
Não é para toda a gente: há utentes que preferem uma chamada simples ou que não se sentem bem com o headset, e essa escolha conta.
Em resumo
- A campanha de vacinação sazonal contra a gripe e a COVID-19 começou a 30 de setembro de 2026; os lares e os seus profissionais estão entre os grupos a quem se dirige.
- Num surto, as regras da equipa de controlo de infeção e da autoridade de saúde prevalecem sempre.
- Quando o grupo para, perdem-se convívio, visitas, movimento e a estrutura do dia — e isso também precisa de plano.
- Atividade individual, curta e regular, quarto a quarto, com prioridade para quem está a ficar mais parado.
- Qualquer equipamento partilhado limpa-se antes e depois de cada utente; o headset RVer tem uma capa de silicone lavável para a espuma facial.
- Videochamadas podem manter o contacto com a família quando as visitas param.
Este artigo é informativo e não substitui as orientações da DGS, da autoridade de saúde local nem as regras de controlo de infeção da instituição. Para dúvidas sobre vacinação ou sintomas, contacte o SNS 24 (808 24 24 24); numa emergência, ligue 112.
O RVer é um sistema de realidade virtual para uso clínico concebido para ambientes de saúde, cujo produto base está registado como Dispositivo Médico Classe I no INFARMED (CDM 94571546) e na EUDAMED (Basic UDI-DI 56006195127RVERTZ), e ostenta marcação CE ao abrigo do MDR 2017/745. Os módulos RVer Motion, RVer Neuro e RVer Exposure estão em desenvolvimento e não estão abrangidos por esse registo.
Perguntas frequentes
Quando começou a campanha de vacinação 2026/2027?
A campanha de vacinação sazonal contra a gripe e a COVID-19 começou a 30 de setembro de 2026, nas unidades do SNS, em farmácias comunitárias aderentes e noutros locais previstos. As regras de elegibilidade estão nas normas da DGS para esta época e podem ser confirmadas no SNS 24.
Pode usar-se realidade virtual durante um surto num lar?
Só dentro das regras de controlo de infeção da instituição. Em muitos casos, a decisão adequada é não levar o equipamento a quartos de isolamento, ou reservá-lo para uma zona. Para utentes não isolados, pode ser uma atividade individual, sempre com limpeza antes e depois de cada utilização.
Como se higieniza o headset entre utentes?
Limpando-o antes e depois de cada utente, com o produto e o método definidos pela instituição e compatíveis com as instruções do fabricante, e com higiene das mãos de quem conduz a sessão. O kit RVer inclui uma capa de silicone lavável para a espuma facial, que não substitui a limpeza do resto do headset.
O que fazer quando as visitas são suspensas?
Manter o contacto por telefone ou videochamada, à mesma hora sempre que possível, e reforçar as visitas curtas da equipa. As videochamadas dentro do headset RVer são uma opção para quem tem dificuldade com um ecrã pequeno; precisam de ligação à internet e não servem a todas as pessoas.
