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A realidade virtual faz mal? Efeitos secundários, riscos e contraindicações

Fazem-na famílias, enfermeiros e direções clínicas, e merece uma resposta direta: o que está descrito, o que não está, e as situações concretas em que se recomenda precaução.

Tema
Plataforma RVer
Leitura
6 min de leitura
Publicado
16 de agosto de 2026
Autoria
RVer
Âmbito
Produto base · Classe I

A pergunta aparece sempre, e quase sempre com a mesma redação: isto faz mal? Fazem-na famílias antes de deixarem um pai experimentar, enfermeiros antes de proporem a um doente, e direções clínicas antes de assinarem uma compra.

Merece uma resposta direta, e não uma brochura.

Resposta curta: para a grande maioria das pessoas, uma sessão de realidade virtual conduzida por alguém com formação é bem tolerada. O efeito indesejado mais comum é o enjoo, é temporário, e há maneiras conhecidas de o reduzir. Há um conjunto pequeno e específico de situações em que se recomenda precaução ou avaliação clínica prévia — estão listadas mais abaixo, sem rodeios.

O enjoo é o efeito mais comum, e o mais evitável

Chama-se cybersickness e parece-se com o enjoo de viagem: náusea, tontura, suor frio, por vezes dor de cabeça. Aparece quando o que os olhos veem não corresponde ao que o ouvido interno sente.

É por isso que o tipo de conteúdo importa mais do que o equipamento. Vídeo 360° gravado de um ponto fixo, sem movimento de câmara brusco, é muito menos provável de provocar enjoo do que um ambiente gerado por computador em que o utilizador se desloca. Sessões curtas, pessoa sentada e possibilidade de parar a qualquer momento fazem o resto.

Se acontecer: tirar os óculos, ficar sentado, esperar. Passa.

E os olhos?

É o receio mais repetido e o que tem menos fundamento estabelecido. O que está descrito na literatura é fadiga visual temporária — a mesma que se tem depois de horas ao computador. Não existe hoje evidência estabelecida de dano permanente à visão provocado por uso normal de um visor destes.

Dito isto, é uma área ainda em estudo, sobretudo em crianças, e é precisamente por isso que o fabricante do equipamento publica as suas próprias recomendações de saúde e segurança e que os limites de idade existem.

Epilepsia fotossensível: o aviso a levar a sério

Uma percentagem muito pequena da população tem crises desencadeadas por luzes intermitentes ou padrões. Este aviso não é específico da realidade virtual — vem dos videojogos e da televisão — mas aplica-se.

Quem tenha epilepsia não controlada ou historial de crises fotossensíveis não deve usar sem avaliação clínica prévia. Não é uma formalidade.

Pessoas idosas: o risco real é a queda, não o ecrã

Com pessoas idosas, o que preocupa não é a imagem — é o equilíbrio. Alguém de pé, com o campo de visão ocupado, pode desorientar-se.

A resposta é simples e é operacional, não tecnológica: sessão sentada, sempre acompanhada. É também por isso que existe modo deitado — para quem está acamado ou reclinado poder ter a experiência sem se levantar.

Crianças e adolescentes

Os fabricantes de equipamento definem limites de idade próprios, e há razões de desenvolvimento visual por trás disso. No caso do RVer, a resposta pública é que não se destina a menores de 12 anos.

Higiene

Um equipamento partilhado entre utentes precisa de rotina de limpeza entre sessões, com atenção às zonas de contacto com a pele. Não é um risco exótico — é a mesma lógica de qualquer material clínico reutilizável.

As situações em que recomendamos precaução

Estas estão publicadas e são as mesmas que constam da nossa página de perguntas frequentes:

  • historial de enjoo de movimento grave ou perturbações vestibulares;
  • epilepsia não controlada ou perturbações convulsivas fotossensíveis;
  • incapacidade de seguir instruções de segurança por défice cognitivo grave.

Em caso de dúvida, a decisão é sempre do profissional de saúde responsável.

Uma lista de contraindicações publicada não é um sinal de que o produto é perigoso. É o contrário: é o mínimo que se deve exigir a quem vende tecnologia para usar com doentes. Desconfie de quem não tem nenhuma.

O que muda quando é um dispositivo médico registado

Um registo não torna nada mágico. O que muda é concreto: existe documentação técnica, existe avaliação de risco, existe um fabricante identificado e responsável, e existe um caminho formal para comunicar um incidente — ao fabricante e ao Infarmed.

O produto base do RVer está registado no Infarmed como dispositivo médico de Classe I, com o n.º CDM 94571546, e ostenta marcação CE ao abrigo do MDR 2017/745. Em Classe I não estéril e sem função de medição, a conformidade é declarada pelo fabricante, sem intervenção de organismo notificado.

Uma aplicação de entretenimento descarregada numa loja não tem nada disto — o que não a torna perigosa, torna-a apenas outra coisa.

Em resumo

  1. Enjoo — o efeito mais comum, temporário, muito reduzido por conteúdo filmado e sessão sentada.
  2. Olhos — fadiga temporária está descrita; dano permanente não está.
  3. Epilepsia fotossensível — o aviso a levar a sério.
  4. Idosos — o risco é a queda: sentado e acompanhado.
  5. Contraindicações — publicadas, curtas e específicas.

O RVer é utilizado sob supervisão de profissionais de saúde ou cuidadores com formação, como complemento não farmacológico. Não se destina a autoadministração e não substitui avaliação nem julgamento clínico.

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