O problema de estar deitado num mundo feito para estar sentado
A Realidade Virtual para uso clínico mostra vídeo 360º real: uma praia, uma floresta, um lugar familiar. O centro da experiência é o horizonte: quando está direito, o cérebro relaxa e aceita o cenário. Quando está torto, surge desconforto e, muitas vezes, enjoo.
O problema é que a maioria dos sistemas assume que a pessoa está sentada ou de pé. Num doente acamado ou reclinado, a cabeça está a 30º, 45º ou mesmo 90º da vertical. O horizonte aparece inclinado, o mundo fica torto, e a sessão torna-se incómoda precisamente para quem mais beneficiaria dela.
O que o modo deitado faz
O modo deitado do RVer alinha o horizonte da experiência com a inclinação real da cabeça do doente. A recentragem normal do headset limita-se à orientação frontal e é alinhada pela gravidade, não resolve isto. O RVer vai mais longe: inclina o mundo inteiro (vídeo, menus e painéis) para o ângulo em que a pessoa está.
O resultado: a imagem aparece direita a qualquer inclinação, e todos os cenários 360º funcionam sem ser preciso filmar versões "deitadas". Cada ângulo é, na prática, uma variação nova do mesmo conteúdo.
O modo deitado ativa-se por sessão e desliga-se automaticamente no fim. Enquanto está ativo, oculta os módulos de movimento e cognição, porque um doente acamado não vai fazer exercício físico guiado, mantendo a interface simples para a equipa.
Onde faz diferença
- Cuidados paliativos: evasão, conforto e reminiscência para quem já não sai da cama.
- Pós-operatório: distração e relaxamento nas primeiras horas e dias, sem levantar o doente.
- Hemodiálise e tratamentos prolongados: ocupar de forma calmante as horas em cadeira reclinada.
- Cadeira de dentista e procedimentos: reduzir a ansiedade em posições que não são verticais.
Em todos estes contextos, o objetivo é o mesmo: levar um momento de calma a pessoas que, pela sua posição, ficariam de fora da Realidade Virtual convencional.
O papel do RVer
O RVer é um Dispositivo Médico Classe I (produto base, registado no INFARMED e na EUDAMED, MDR 2017/745). Não substitui os cuidados clínicos, mas complementa-os, como alternativa não farmacológica e sob supervisão da equipa. O modo deitado é uma das formas de tornar essa terapia acessível ao maior número possível de doentes, seja qual for a posição em que se encontram.
O modo deitado é uma peça de um quadro maior: acessibilidade em realidade virtual.
Sobre chegar a quem não sai do quarto, ver o plano de atividades de um lar.
Perguntas frequentes
A Realidade Virtual funciona com doentes acamados?
Sim. O modo deitado do RVer alinha o horizonte da experiência com a inclinação da cabeça, por isso a imagem aparece direita mesmo com o doente a 30º, 45º ou 90º: na cama, em cadeira reclinada, em hemodiálise ou no pós-operatório. Aplica-se a todos os cenários 360º e ativa-se nas definições.
O modo deitado reduz o enjoo?
Reduz uma das principais causas de desconforto em Realidade Virtual: um horizonte desalinhado. Ao acompanhar a inclinação da cabeça, mantém a imagem estável e natural. Como sempre, recomenda-se começar com sessões curtas e parar se surgirem tonturas ou desconforto.
É preciso conteúdo especial para usar o modo deitado?
Não. O mesmo vídeo 360º funciona a qualquer ângulo: 0º, 30º, 45º ou 90º. Não é necessário filmar versões deitadas: cada inclinação é uma variação do conteúdo existente.
Em que contextos clínicos é mais útil?
Cuidados paliativos, pós-operatório, hemodiálise, tratamentos prolongados em cadeira reclinada e procedimentos em posições não verticais. Em todos, o objetivo é levar conforto e distração a doentes que não se conseguem sentar.
