A 27 de outubro assinala-se o Dia Mundial da Terapia Ocupacional. Em 2026 é uma terça-feira, e escolas de saúde, serviços de medicina física e de reabilitação, lares e associações profissionais aproveitam a data para mostrar o que a profissão faz.
O que é o Dia Mundial da Terapia Ocupacional 2026
O dia é promovido pela World Federation of Occupational Therapists (WFOT), a federação internacional das associações de terapia ocupacional. O tema de 2026, anunciado a 30 de abril, é «Participation Matters»: a participação importa.
Na apresentação do tema, a WFOT põe o acento nas atividades, nos papéis e nas rotinas do dia a dia como suporte da saúde, do bem-estar e da qualidade de vida. E lembra que a terapia ocupacional promove a participação atuando sobre fatores físicos, cognitivos, emocionais, ambientais e sociais, para que a pessoa se envolva nas ocupações que quer, precisa ou se espera que faça (WFOT).
É uma definição que qualquer terapeuta ocupacional reconhece. O tema deste ano tem o mérito de a dizer em duas palavras.
Participar é mais do que ter uma atividade
Num lar, num internamento longo ou numa unidade de cuidados continuados, é fácil confundir participação com ocupação do tempo. Uma pessoa sentada numa sessão de grupo está presente. Pode não estar a participar em nada que lhe diga respeito.
A terapia ocupacional olha para outra coisa: que papel tinha esta pessoa, e o que resta dele. A senhora que fazia o almoço de domingo para a família inteira. O homem que tratava da horta e sabia o tempo pelo céu. A professora que ainda corrige a gramática de toda a gente. A participação começa quando a atividade reencontra um desses papéis, mesmo em pequeno. Escrevemos sobre esta ideia em atividade significativa: como se escolhe um cenário.
Quando a pessoa já não pode sair
Há um momento em que a rua deixa de ser possível. Pela mobilidade, pelo oxigénio, pelo risco de queda, pela demência avançada, por uma fase de doença que obriga à cama. A missa de domingo, o café da esquina, a feira, a praia de agosto ficam do lado de fora.
As equipas não ficam paradas perante isso. Terapeutas ocupacionais e animadores sociocomunitários trazem para dentro aquilo que a pessoa já não vai buscar:
- objetos e cheiros de outros tempos, em caixas de memórias;
- vasos e floreiras à altura da cadeira de rodas, para quem tratava da terra;
- a música da terra, as cantigas, os programas de rádio de antigamente;
- fotografias da família e da aldeia, que dão assunto para uma tarde inteira;
- passeios curtos, adaptados, sempre que são possíveis.
Nada disto é novo, e é trabalho que muitas vezes passa despercebido fora da instituição. Uma boa parte do que se faz num plano de atividades está descrita em plano de atividades num lar.
Onde um vídeo 360° pode entrar
Um vídeo 360° filmado num lugar real é mais uma ferramenta desta caixa. Não leva a pessoa à rua. Permite-lhe olhar à volta, durante uns minutos, num sítio que conhece ou que sempre quis ver: o adro de uma igreja, um mercado, uma praia do norte, uma aldeia do interior, uma romaria.
Para o terapeuta ocupacional, o interesse está no que acontece depois. O pescador que reconhece o porto pode começar a falar das redes. A senhora que vê o santuário pode lembrar-se da promessa que lá foi pagar há cinquenta anos. A sessão serve de ponto de partida para uma conversa, uma memória, às vezes um pedido («quero ir lá outra vez») que a equipa pode transformar noutra atividade.
Há coisas que só o terapeuta pode decidir, e o sistema deve respeitá-lo:
- quem beneficia, e quem não, por razões clínicas, sensoriais ou simplesmente porque não quer;
- que lugar escolher, a partir da história de vida e não do catálogo;
- quanto tempo, e quando parar;
- o que fazer a seguir com o que a pessoa disse.
Quando o lugar da pessoa não está na biblioteca, há caminhos que explicámos em quando o lugar da pessoa não está na biblioteca.
O que o trabalho com as equipas nos ensinou
No trabalho com as equipas aprendemos que o equipamento é o menos importante. O que conta é a escolha do conteúdo, a preparação da pessoa e a conversa que vem depois. Numa aula aberta com futuros terapeutas ocupacionais, a regra de segurança que fechou a sessão foi simples: quem sentir desconforto tira os óculos e diz (relato aqui).
Também aprendemos que a participação não termina quando a pessoa está acamada. Escrevemos sobre isso a propósito da Semana Europeia da Mobilidade.
Onde o RVer entra
O RVer é uma biblioteca de vídeos 360° filmados em lugares reais, com natureza, cidades, música, religião e atividades do dia a dia, pensada para ser usada pela equipa com utentes dos 10 aos 100 anos. A equipa escolhe e controla a sessão a partir da app Companion, há modo deitado para quem não se senta, e os conteúdos funcionam sem internet. É usado para reminiscência, estimulação, relaxamento e conforto. Não substitui a saída real, nem a atividade com as mãos, nem a relação com o terapeuta.
O enquadramento para lares residenciais e para hospitais está nas páginas de cada contexto.
Em resumo
- O Dia Mundial da Terapia Ocupacional 2026 é a 27 de outubro, com o tema «Participation Matters», da WFOT.
- Participar é recuperar papéis e rotinas, e não apenas ocupar o tempo.
- Quando a pessoa já não sai, as equipas trazem o lado de fora para dentro, com o que têm.
- Um vídeo 360° pode ser mais uma ferramenta, se for o terapeuta a decidir quem, o quê, quanto tempo e o que fazer a seguir.
O produto base do RVer é um dispositivo médico Classe I, registado no INFARMED e na EUDAMED. As sessões são conduzidas por profissionais da instituição e complementam o trabalho da equipa; não substituem avaliação nem intervenção de terapia ocupacional.
Fonte: Launch of the World Occupational Therapy Day 2026 Theme, World Federation of Occupational Therapists, 30 de abril de 2026.
Perguntas frequentes
Quando é o Dia Mundial da Terapia Ocupacional 2026?
A 27 de outubro de 2026, uma terça-feira. É promovido pela World Federation of Occupational Therapists (WFOT).
Qual é o tema do Dia Mundial da Terapia Ocupacional 2026?
«Participation Matters», ou seja, a participação importa. A WFOT destaca o papel das atividades, papéis e rotinas do dia a dia na saúde, no bem-estar e na qualidade de vida.
A realidade virtual substitui uma saída ou uma atividade real?
Não. Um vídeo 360° pode abrir uma conversa ou trazer uma memória quando a pessoa já não pode sair, mas não substitui a saída, a atividade com as mãos nem a relação com o terapeuta.
Quem decide se um utente faz uma sessão com o RVer?
A equipa da instituição, muitas vezes o terapeuta ocupacional, a partir da história de vida, do estado clínico e da vontade da pessoa. A sessão para quando a pessoa quiser.
