O último slide não era um resumo. Era uma instrução de segurança.
Hoje de manhã, na Escola Superior de Saúde da Universidade de Leiria e Oeste, demos uma formação a futuros terapeutas ocupacionais: «RVer — Realidade Virtual na (re)habilitação de crianças a idosos». Gratuita, certificada, organizada pelo aTOPlab — Assistive Technology and Occupational Performance Laboratory — com a licenciatura em Terapia Ocupacional.
A sala tinha cinquenta lugares. Apareceram sessenta pessoas.
O slide que interessa
Está lá escrito:
Perguntas, e agora quem quiser experimentar um pouco do sistema, vamos a isso. Quem sentir desconforto tira e diz.
Três decisões em duas linhas, e nenhuma é de marketing.
A demonstração vem no fim. Primeiro explica-se o que a coisa é, onde encaixa e o que não faz. Quem põe os óculos primeiro passa o resto da sessão a falar do efeito, e não do trabalho.
Experimenta quem quer. Numa sala com sessenta pessoas há sempre quem não queira, e ninguém tem de justificar porquê.
Quem sentir desconforto tira e diz. É a parte que mais vezes se omite. Uma pessoa com óculos de realidade virtual não vê o resto da sala e não sabe se pode interromper — por isso diz-se-lhe, antes, que pode. Numa aula, isto é boa educação. Numa sessão com um utente, é prática clínica: o conforto não é um pormenor da experiência, é a primeira decisão que se toma.
Porque é que isto se faz numa escola de saúde
Porque quem conduz uma sessão com o RVer não somos nós. É a equipa clínica.
O sistema é gerido à distância, o conteúdo fica no equipamento, e a sessão corre sem depender de ligação à internet. Nada disso é a parte difícil. A parte difícil é a que não se resolve com software: escolher um cenário para uma pessoa em concreto, perceber quando parar, e encaixar vinte minutos de sessão num turno que já está cheio.
Isso aprende-se com quem estuda terapia ocupacional, e ensina-se a quem a vai praticar. Daí a formação ser com o aTOPlab e com a licenciatura, e não uma apresentação comercial numa sala emprestada.
O hospital fica ao lado
O Campus 5 não é o pólo principal da universidade: fica afastado, porta com porta com o Hospital de Leiria.
Nos Cuidados Paliativos da ULS Leiria o sistema é usado com utentes — foi o que a SIC e o Jornal de Leiria mostraram em 2024.
Dar formação a futuros terapeutas a duzentos metros do serviço onde o sistema já está a ser usado não é coincidência bonita: é a única forma de isto não ficar a ser uma tecnologia à procura de um problema. Quem vai usar está do outro lado da rua.
O que uma aula destas nos dá
Perguntas de quem vai usar aquilo.
Não são as perguntas de quem compra — essas já as conhecemos. São as de quem vai ter o equipamento na mão a meio de uma tarde, com um utente à frente e outro à espera. Cada uma delas é uma coisa a tornar mais simples, e a lista que sai de uma manhã destas vale mais do que uma semana a adivinhar em Leiria.
Foi a segunda vez que levámos o sistema a uma instituição de ensino. A primeira foi no ISLA Santarém, em junho de 2024. Se houver uma terceira, contamos essa também.