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Dia Mundial do AVC 2026: os dias de internamento que vêm depois da urgência

A campanha mundial chega aos 20 anos a ouvir quem passou por um AVC. Muitos falam menos do dia em que tudo aconteceu e mais das semanas que vieram a seguir.

Quando29 de outubroQuinta-feira, em 2026.
Quem promoveWorld Stroke Organization (WSO)Fonte oficial ↗
Tema
Contextos clínicos
Leitura
6 min de leitura
Publicado
11 de outubro de 2026
Autoria
RVer
Âmbito
Produto base · Classe I

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A 29 de outubro assinala-se o Dia Mundial do AVC. Em 2026 a data cai numa quinta-feira, e quem prepara ações em hospitais, unidades de AVC, centros de saúde e escolas está a fazê-lo por estes dias.

O que é o Dia Mundial do AVC 2026

O dia é promovido pela World Stroke Organization (WSO). A campanha continua centrada em reconhecer os sinais de AVC e agir depressa, com o lema «Every M1nute Counts»: cada minuto conta. Para 2026 a WSO não anunciou um tema novo. O que marca este ano é outra coisa: a campanha mundial faz 20 anos e a organização decidiu assinalá-lo com as pessoas que viveram um AVC.

Chama-se 20 Voices Changing Stroke. Em abril a WSO abriu nomeações para pessoas com experiência vivida de AVC que mudaram alguma coisa na sensibilização, nos serviços, nas políticas ou na investigação. A WSO previa anunciar os 20 distinguidos a 1 de outubro e, no próprio dia 29, o primeiro prémio global para uma voz com experiência vivida.

A escala explica porque a data importa: segundo a WSO, mais de 100 milhões de pessoas vivas hoje já tiveram um AVC. A maioria passou, em algum momento, por um internamento.

Depois da urgência, os dias são compridos

A primeira parte da história é contada muitas vezes: os sinais, o 112, a via verde, o tempo até ao tratamento. É a parte certa para uma campanha de sensibilização, porque é onde os minutos decidem.

A segunda parte é menos falada. Depois da fase aguda vêm semanas de internamento, numa unidade de AVC, numa enfermaria ou numa unidade de reabilitação. As sessões com a fisioterapia, a terapia ocupacional e a terapia da fala ocupam uma parte do dia. O resto é cama, cadeirão, televisão do quarto e espera.

Quem passou por isso descreve-o sem rodeios. Uma revisão sistemática de 31 estudos qualitativos sobre a experiência de internamento em reabilitação depois do AVC encontrou relatos negativos em todos eles, entre os quais aborrecimento, frustração e perda de controlo. Um dos temas tinha um nome curto: aborrecido e sozinho (Luker et al., 2015). Outro dizia que a recreação também faz parte da reabilitação.

O humor também pesa. Uma meta-análise de 61 estudos, com mais de 25 mil pessoas, estimou que cerca de 31% das pessoas têm depressão em algum momento depois do AVC (Hackett e Pickles, 2014). A deteção e o tratamento são trabalho clínico. O ambiente em que a pessoa passa os dias também conta, e é sobre isso que as equipas de internamento conhecem bem os limites: o quarto é o quarto, e a rotina hospitalar não se escolhe.

O que as equipas já fazem entre terapias

Nenhuma equipa de AVC precisa que lhe expliquem que a tarde é longa. Enfermeiros levantam o doente para o cadeirão e para a janela. Terapeutas ocupacionais trazem para a enfermaria tarefas que a pessoa reconhece. A psicologia, quando existe no serviço, acompanha o choque de acordar com um corpo que já não responde como antes. Voluntários, capelania e animação passam pelos quartos. Há serviços que organizam refeições em conjunto e pequenos grupos.

Tudo isto depende de tempo e de pessoas, e o tempo nunca chega para todos. Escrevemos sobre o custo de ficar parado em a imobilidade custa mais do que a doença que trouxe o doente.

A família também passa os dias no hospital

O AVC muda a vida de mais gente do que a pessoa internada. O marido que vem todos os dias à hora da visita. A filha que trabalha e só chega ao fim da tarde. O neto que não sabe o que dizer.

Quando o AVC afeta a fala, a visita fica mais difícil. A conversa encurta, as perguntas ficam sem resposta, e muita gente acaba sentada ao lado da cama em silêncio, sem saber se está a ajudar. Uma das coisas que as equipas de terapia da fala e de enfermagem fazem é dar à família formas de comunicar que não dependem só de palavras: apontar, mostrar fotografias, falar de um lugar conhecido.

É também aqui que a experiência vivida, o foco da campanha deste ano, tem uma tradução prática. Perguntar à pessoa, e a quem a conhece, como eram os dias dela antes. Que sítio é o dela. Que música ouvia. Isso serve para a terapia, e serve para a hora da visita.

Onde o RVer entra, e onde não entra

O RVer é uma biblioteca de vídeos 360° filmados em lugares reais: praias, aldeias, cidades portuguesas, santuários, música, natureza. Num internamento depois de um AVC é usado para conforto, calma e reminiscência, em sessões curtas conduzidas pela equipa. Uma pessoa que passou três semanas a olhar para o mesmo teto pode voltar, durante uns minutos, à praia onde ia todos os verões, e falar disso a seguir com quem estiver ao lado.

Alguns pormenores contam num serviço de AVC. O modo deitado permite a sessão a quem não se pode sentar. A equipa controla os óculos a partir da app Companion, acompanha a sessão no ecrã e pode pará-la de imediato. Os conteúdos estão no equipamento e funcionam sem internet. A família pode acompanhar a sessão por chamada, vendo o mesmo lugar.

O que o RVer não é, num serviço de AVC: não é reabilitação motora nem cognitiva. Os módulos de movimento e de cognição da RVer estão em desenvolvimento e validação, fora do registo do dispositivo, e não devem ser apresentados como parte da oferta. Não substitui nenhuma terapia, nem ocupa o lugar de uma sessão de fisioterapia. Quem decide se e quando faz sentido é a equipa que segue a pessoa, tendo em conta o estado clínico, a visão, o equilíbrio sentado e o cansaço.

O uso em reminiscência está descrito em voltar a um lugar familiar. O enquadramento para serviços hospitalares está na página de hospitais.

Em resumo

  • O Dia Mundial do AVC 2026 é a 29 de outubro. Não há tema novo: a WSO assinala 20 anos de campanha e dá destaque a quem viveu um AVC.
  • Depois da urgência há semanas de internamento, e quem as viveu fala de aborrecimento, solidão e perda de controlo.
  • As equipas já preenchem esse tempo com o que têm. Falta sempre tempo e falta sempre gente.
  • A família também está lá, e a visita fica difícil quando a fala é afetada.
  • O RVer pode ser um momento de conforto e de conversa, decidido pela equipa. Não é reabilitação.

O produto base do RVer é um dispositivo médico Classe I, registado no INFARMED e na EUDAMED. As sessões são conduzidas por profissionais da instituição, complementam os cuidados existentes e não substituem avaliação, tratamento ou reabilitação.


Fontes: World Stroke Campaign, World Stroke Organization; 20 Voices Changing Stroke, World Stroke Organization; Luker J. et al., Stroke survivors' experiences of physical rehabilitation: a systematic review of qualitative studies, Archives of Physical Medicine and Rehabilitation, 2015; Hackett M. L., Pickles K., Part I: frequency of depression after stroke, International Journal of Stroke, 2014.

Perguntas frequentes

Quando é o Dia Mundial do AVC 2026?

A 29 de outubro de 2026, uma quinta-feira. É promovido pela World Stroke Organization.

Qual é o tema do Dia Mundial do AVC 2026?

A World Stroke Organization não anunciou um tema novo para 2026. A campanha mantém o lema «Every M1nute Counts», sobre os sinais de AVC, e assinala 20 anos dando destaque às pessoas com experiência vivida de AVC, com a iniciativa 20 Voices Changing Stroke.

A realidade virtual do RVer faz reabilitação depois de um AVC?

Não. O RVer é usado para conforto, calma e reminiscência durante o internamento, em sessões conduzidas pela equipa. Os módulos de movimento e cognição estão em desenvolvimento e validação, fora do registo, e não substituem nenhuma terapia.

Uma pessoa acamada depois de um AVC pode usar os óculos?

O modo deitado permite sessões a quem não se pode sentar. A decisão é sempre da equipa que acompanha a pessoa, conforme o estado clínico, a visão e o cansaço.

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