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Semana da Mobilidade: e quem não sai da cama?

Esta semana fala-se de ciclovias e transportes. Para uma pessoa acamada, o mundo tem o tamanho de um quarto.

Tema
Cuidados Paliativos
Leitura
2 min de leitura
Publicado
18 de setembro de 2026
Autoria
RVer
Âmbito
Produto base · Classe I

Nesta página

A Semana Europeia da Mobilidade decorre todos os anos de 16 a 22 de setembro. Fala-se de ciclovias, de transportes públicos, de ruas sem carros. É uma semana sobre como nos deslocamos.

Há pessoas para quem essa pergunta deixou de existir. Uma pessoa acamada numa unidade de cuidados paliativos, ou num lar, não se desloca. O mundo dela tem o tamanho do quarto, e a paisagem é o teto e a janela — quando há janela.

Não é devolver o que se perdeu

A realidade virtual não devolve mobilidade a ninguém. Não é reabilitação motora, e dizer o contrário seria enganar quem está a decidir se a quer usar.

O que faz é mais pequeno: durante vinte minutos, muda aquilo que está à frente dos olhos. A pessoa continua na mesma cama, com a mesma equipa ao lado. O quarto é que deixa de ser a única coisa que existe.

Um horizonte, para quem só vê o teto

Para quem passa o dia deitado, o que falta muitas vezes não é um sítio concreto — é a distância. O olhar bate sempre no teto, na parede, na cortina.

Por isso, para estas pessoas, a equipa escolhe muitas vezes cenários com horizonte: o mar ao fundo, um campo aberto, uma praça com gente a passar ao longe. O importante não é ser espetacular. É poder olhar para longe outra vez, e ser a pessoa a decidir, com a equipa, para onde.

O movimento que aparece sozinho

Há um pormenor que as equipas notam. Uma pessoa que não se mexe há dias roda a cabeça para acompanhar o que vê. Às vezes junta as mãos, diante de um altar.

Não chamamos a isto terapia, e não o prometemos. É o mínimo de movimento que um sítio com sentido pede, e é a equipa clínica quem decide se esse movimento é bem-vindo ou se a sessão deve ficar mais quieta.

O que a semana podia incluir

Uma semana sobre mobilidade podia lembrar-se, uma vez, de quem já não sai. Não para lhes vender uma solução — para reconhecer que a pergunta «para onde é que esta pessoa pode ir?» continua a fazer sentido, mesmo quando a resposta é um quarto.

Um caso concreto?

Diga-nos qual é a situação

Respondemos com sim, com «é preciso testar», ou com não — as três acontecem, e a última também é útil.

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