Artigos / Ansiedade & Stress

Realidade virtual na ansiedade pré-operatória: o que mostra a investigação

Poucos momentos no cuidado são tão ansiogénicos como a espera antes de uma cirurgia. Entre as abordagens estudadas para a aliviar, a realidade virtual reúne já evidência consistente de ensaios aleatorizados, em adultos e, sobretudo, crianças.

Tema
Ansiedade & Stress
Leitura
6 min de leitura
Publicado
10 de junho de 2026
Autoria
Pedro Thomaz
Âmbito
Produto base · Classe I

Nesta página

As horas antes de uma operação são, para muitas pessoas, a parte mais ansiogénica de toda a experiência: a espera, o desconhecido, o próprio bloco operatório. Essa ansiedade não é apenas desagradável: nas crianças, em particular, está associada a uma recuperação mais difícil. Entre as abordagens não farmacológicas estudadas para a aliviar, a realidade virtual tem já uma base consistente de evidência vinda de ensaios aleatorizados. Vale a pena ver o que mostram.

O mecanismo: distração e preparação

A realidade virtual é usada aqui de duas formas distintas, e a diferença importa:

  • Distração: imergir o doente num ambiente calmo e absorvente que afasta a atenção da espera e do contexto clínico. A atenção é finita; um mundo virtual envolvente deixa menos atenção disponível para a antecipação ansiosa.
  • Preparação (exposição): percorrer com o doente, antecipadamente, o que vai realmente acontecer: as salas, os passos, os sons. O desconhecido é grande parte do medo pré-operatório, e torná-lo familiar reduz esse medo.

As revisões que comparam as duas abordagens sugerem que a distração tende a mostrar o efeito mais forte, embora ambas sejam usadas.

O que dizem os ensaios aleatorizados

Aqui a evidência vem de ensaios controlados, e não apenas de observação:

  • Uma meta-análise de 10 ensaios clínicos aleatorizados com cerca de 813 doentes encontrou ansiedade pré-operatória significativamente menor nos grupos com realidade virtual do que nos controlos.
  • Numa revisão mais ampla de 29 estudos, 25 (86%) mostraram reduções estatisticamente significativas da ansiedade pré-operatória após uma intervenção de RV, com um tamanho de efeito agregado moderado e consistente.
  • Revisões focadas em doentes cirúrgicos pediátricos registam o mesmo benefício significativo: importante porque a ansiedade antes da anestesia é, nas crianças, comum e com consequências.

Que a realidade virtual baixa a ansiedade pré-operatória é apoiado por várias meta-análises de ensaios aleatorizados (tanto em adultos como em crianças), uma base mais sólida do que a de estudos isolados.

Os limites que é honesto referir

  • Os efeitos são medidos em torno do período perioperatório; trata-se de aliviar uma ansiedade específica e limitada no tempo, não de tratar uma perturbação de ansiedade.
  • Os estudos variam no equipamento, no conteúdo e em distrair ou preparar, o que alarga o intervalo de efeitos relatados.
  • É um complemento de uma boa comunicação e cuidado clínicos, não um substituto de nenhum deles.

Nota importante: a realidade virtual para a ansiedade pré-operatória é uma abordagem complementar usada sob supervisão clínica. Não substitui a avaliação anestésica, a pré-medicação quando indicada, ou o apoio da equipa cirúrgica. Este artigo é informativo e não constitui aconselhamento clínico.

O papel do RVer

O RVer é um sistema de realidade virtual concebido para ambientes de saúde e registado como Dispositivo Médico Classe I (produto base) no INFARMED e na EUDAMED, com marcação CE ao abrigo do MDR 2017/745. Foi desenhado para oferecer uma imersão calma que as equipas iniciam em segundos numa sala de pré-operatório ou unidade de cirurgia de ambulatório: simples de usar, higiénico entre doentes e sem recolha de dados clínicos do paciente.

Quando a espera antes da cirurgia é inevitável mas a ansiedade à sua volta não está fixada, a realidade virtual imersiva oferece uma forma de baixo risco e sem medicação de a tornar mais calma, sempre como complemento de um cuidado clínico atento.

Referências

Estudos independentes sobre realidade virtual e ansiedade pré-operatória (investigação geral, não específica de qualquer produto):

Perguntas frequentes

A realidade virtual reduz a ansiedade antes da cirurgia?

Os ensaios aleatorizados indicam que sim. Meta-análises que reúnem centenas de doentes encontram ansiedade pré-operatória significativamente menor nos grupos com realidade virtual do que com o cuidado habitual, com efeito moderado. O benefício aparece tanto em adultos como em crianças a aguardar cirurgia.

Como é que a RV baixa a ansiedade pré-operatória?

Sobretudo de duas formas. A distração imerge o doente num ambiente calmo que afasta a atenção da espera e do bloco operatório. A preparação, ou 'exposição', leva o doente a percorrer antecipadamente o que vai acontecer, tornando familiar o desconhecido. As revisões sugerem que a abordagem de distração tende a mostrar o efeito mais forte.

É útil especificamente para crianças?

Sim: é uma das aplicações mais promissoras. A ansiedade antes da anestesia é comum e penosa nas crianças e está associada a uma recuperação mais difícil. Meta-análises focadas em doentes cirúrgicos pediátricos registam reduções significativas da ansiedade pré-operatória com realidade virtual.

Um caso concreto?

Diga-nos qual é a situação

Respondemos com sim, com «é preciso testar», ou com não. As três acontecem, e a última também é útil.

Pedir proposta →

← Voltar aos artigos