A Meta Connect 2026 decorre a 23 e 24 de setembro. A apresentação principal é hoje, às 16h da Califórnia — meia-noite em Lisboa. Espera-se falar de inteligência artificial, óculos inteligentes e realidade virtual.
Não sabemos o que vai ser anunciado, e este texto não depende disso. Depende de uma pergunta que vai aparecer amanhã numa reunião qualquer: «o equipamento que temos já está ultrapassado?»
O calendário do fabricante não é o seu
Os fabricantes de eletrónica de consumo lançam modelos novos ao ritmo do mercado de consumo — um ou dois anos. Uma instituição de saúde decide a outro ritmo: orçamento anual, procedimento de compra, parecer da informática, formação da equipa.
Se cada lançamento obrigar a reabrir a decisão, a instituição fica presa num ciclo em que está sempre a comprar e nunca a usar.
Porque é que não vendemos equipamento
É uma das razões pelas quais, no RVer, os equipamentos são nossos. A instituição contrata um serviço; o equipamento vem com ele.
Na prática, a pergunta «este modelo ainda serve?» deixa de ser da instituição. É nossa. Se um equipamento deixar de servir, é substituído no âmbito do serviço — sem procedimento de compra novo, sem inventário de hardware a abater.
O que não muda com o modelo
A parte que interessa a uma equipa clínica não está no headset. Está no que corre nele e à volta dele:
- a biblioteca de conteúdos, escolhida para uso clínico;
- a forma de conduzir a sessão — quem está presente, como se para, o que se regista;
- o registo do que aconteceu em cada sessão.
Nada disto começa do zero por causa de um anúncio. É por isso que um lançamento de hardware, por mais interessante que seja, é uma notícia de tecnologia e não uma decisão clínica.
Ver com curiosidade, decidir com calma
Vale a pena ver o que a Meta apresenta. Alguns avanços — ecrãs mais nítidos, equipamentos mais leves — podem vir a fazer diferença para quem usa óculos durante vinte minutos numa cama. Quando fizerem, a atualização chega pelo serviço, testada, e não por impulso.