Desde segunda-feira, 14 de setembro, a RVer está no Brasil. São quinze dias de reuniões com distribuidores, instituições e potenciais parceiros, e este artigo existe porque a notícia é fácil de contar mal.
Então vamos contá-la com os limites à frente.
O que já é
Somos uma empresa portuguesa a entrar no mercado brasileiro. Não somos uma empresa brasileira — ainda não. Não há entidade constituída no Brasil, não há escritório, não há equipa local.
Começámos por Fortaleza. O que há é uma agenda: percorrer o país durante duas semanas a conhecer quem distribui tecnologia de saúde, quem gere instituições de longa permanência, e quem já percebeu que a parte não-farmacológica do cuidado tem pouca oferta séria.
O que ainda não é
Não há nada assinado. Nenhum contrato, nenhuma exclusividade, nenhum acordo de distribuição. É precisamente por isso que este texto não nomeia ninguém do lado brasileiro: estamos a avaliar parceiros, e anunciar conversas como se fossem acordos é a forma mais rápida de as estragar.
Quando houver assinatura, dizemos quem é.
A parte regulamentar, que é a que interessa
O registo que a RVer tem é um registo de Dispositivo Médico Classe I junto do Infarmed, e cobre o produto base — a biblioteca de vídeo imersivo. É um registo português, com efeitos no espaço europeu. Não é uma credencial mundial e não se transporta numa mala.
No Brasil, quem regula dispositivos médicos é a ANVISA. A RVer não tem registo na ANVISA. Daí decorrem três consequências práticas, e são regra interna, não sugestão:
- Não invocamos o registo do Infarmed no Brasil como se valesse lá. Vale onde foi emitido.
- Não fazemos alegação terapêutica no Brasil. O que se apresenta a uma instituição brasileira é o que o produto faz — atividade significativa, conforto, ocupação, registo do que aconteceu na sessão — sem prometer efeito clínico. A regulação segue a finalidade alegada: é a alegação que puxa o produto para dentro do regime, não o tipo de comprador.
- A porta da ANVISA abre-se com um parceiro brasileiro, quando o caminho o exigir. Pelo que apurámos, o processo pressupõe um detentor com presença legal no país — o que é mais uma razão para a ordem ser esta: parceiro primeiro, registo depois, e não ao contrário.
Para quem quiser o enquadramento do lado europeu, está em o que é um Dispositivo Médico Classe I.
Como é que uma empresa pequena chega a um país onde não está
Esta é a parte que torna a viagem possível, e não é comercial — é operacional.
Os equipamentos continuam a ser nossos. O modelo é o mesmo que em Portugal: a instituição não compra hardware, contrata um serviço e o equipamento vem com ele — ver os equipamentos são nossos. A diferença prevista para o Brasil está na origem do equipamento: quando houver contrato assinado, os headsets são comprados no país, no mesmo modelo, e configurados à distância. Não há frota a atravessar a alfândega, nem custo de importação a somar ao serviço.
Hoje ainda não é nada disso. O único equipamento nosso em solo brasileiro é o da fotografia acima — o headset de demonstração, que veio de Portugal nesta viagem, porque ainda não há operação lá que justifique outra coisa.
Configurar à distância não é um improviso: é como a plataforma foi desenhada desde o início. O conteúdo fica no equipamento e a sessão corre sem depender de ligação à internet — ver conteúdo no equipamento — e a gestão faz-se pela aplicação de acompanhamento, ver controlo remoto da sessão.
O resultado é que a distância deixa de ser um problema de logística e passa a ser o que sempre foi: um problema de pessoas. Alguém tem de estar na sala com o utente. Essa parte não se resolve à distância, nem cá nem lá.
Onde vamos perder, e é melhor ficar escrito
A biblioteca é europeia. A maior parte dos cenários foi filmada em Portugal e na Europa. Para atividade, conforto e conversa, funciona em qualquer lado. Para reminiscência — que depende de a pessoa reconhecer o sítio — não funciona da mesma maneira com quem nunca cá viveu. Está desenvolvido em quando o lugar da pessoa não está na biblioteca.
A plataforma está em português europeu e em inglês. Serve-se, lê-se, mas não é a mesma coisa que estar escrita na língua de quem a usa todos os dias.
E não temos histórico no Brasil. Todas as instalações, todos os utentes e todo o registo de utilização que podemos mostrar são europeus. Quem avaliar a RVer aí vai avaliar uma empresa estrangeira sem referências locais, e esse é um argumento legítimo contra nós até deixar de o ser.
O que procuramos nestes quinze dias
Distribuidores com trabalho feito em instituições de saúde e de longa permanência. Parceiros clínicos dispostos a fazer um piloto a sério, com critério definido antes de começar — a receita está em como correr um piloto. E interlocutores que nos digam onde é que o modelo europeu não encaixa, que é a informação mais valiosa que se pode trazer de uma viagem destas.
Não prometemos datas. Quando houver, escrevemo-lo aqui.
O papel do RVer
O produto base da RVer é uma biblioteca de vídeo imersivo, registada como Dispositivo Médico Classe I junto do Infarmed — um registo português, sem efeitos fora do espaço europeu. RVer Motion e RVer Neuro são módulos em desenvolvimento, não abrangidos por esse registo. A plataforma regista a sessão: não avalia, não classifica, não diagnostica e não substitui a avaliação clínica nem a decisão da equipa.