Atualização, 21 de setembro: assinámos o primeiro acordo no Brasil, com o Instituto Gabriel Benício. Ler a notícia.
A 14 de setembro, a RVer chegou ao Brasil para quinze dias de reuniões com distribuidores, instituições e potenciais parceiros, e este artigo existe porque a notícia é fácil de contar mal.
Então vamos contá-la com os limites à frente.
O que já é
Somos uma empresa portuguesa a entrar no mercado brasileiro. Não somos uma empresa brasileira, ainda não. Não há entidade constituída no Brasil, não há escritório, não há equipa local.
Começámos por Fortaleza. O que há é uma agenda: percorrer o país durante duas semanas a conhecer quem distribui tecnologia de saúde, quem gere instituições de longa permanência, e quem já percebeu que a parte não-farmacológica do cuidado tem pouca oferta séria.
O que ainda não é
Não há nada assinado. Nenhum contrato, nenhuma exclusividade, nenhum acordo de distribuição. É precisamente por isso que este texto não nomeia ninguém do lado brasileiro: estamos a avaliar parceiros, e anunciar conversas como se fossem acordos é a forma mais rápida de as estragar.
Quando houver assinatura, dizemos quem é.
A parte regulamentar, que é a que interessa
O registo que a RVer tem é um registo de Dispositivo Médico Classe I no INFARMED e na EUDAMED, e cobre o produto base: a biblioteca de vídeo imersivo. É um registo com efeitos no espaço europeu. Não é uma credencial mundial e não se transporta numa mala.
No Brasil, quem regula dispositivos médicos é a ANVISA. A RVer não tem registo na ANVISA. Daí decorrem três consequências práticas, e são regra interna, não sugestão:
- Não invocamos o registo do Infarmed no Brasil como se valesse lá. Vale onde foi emitido.
- Não fazemos alegação terapêutica no Brasil. O que se apresenta a uma instituição brasileira é o que o produto faz: atividade significativa, conforto, ocupação, registo do que aconteceu na sessão, sem prometer efeito clínico. A regulação segue a finalidade alegada: é a alegação que puxa o produto para dentro do regime, não o tipo de comprador.
- A porta da ANVISA abre-se com um parceiro brasileiro, quando o caminho o exigir. Pelo que apurámos, o processo pressupõe um detentor com presença legal no país: o que é mais uma razão para a ordem ser esta, parceiro primeiro, registo depois, e não ao contrário.
Para quem quiser o enquadramento do lado europeu, está em «O que é um Dispositivo Médico Classe I».
Como é que uma empresa pequena chega a um país onde não está
Esta é a parte que torna a viagem possível, e não é comercial: é operacional.
Os equipamentos continuam a ser nossos. O modelo é o mesmo que em Portugal: a instituição não compra hardware, contrata um serviço e o equipamento vem com ele: ver os equipamentos são nossos. A diferença prevista para o Brasil está na origem do equipamento: quando houver contrato assinado, os headsets são comprados no país, no mesmo modelo, e configurados à distância. Não há frota a atravessar a alfândega, nem custo de importação a somar ao serviço.
Hoje ainda não é nada disso. O único equipamento nosso em solo brasileiro é o da fotografia acima: o headset de demonstração, que veio de Portugal nesta viagem, porque ainda não há operação lá que justifique outra coisa.
Configurar à distância não é um improviso: é como a plataforma foi desenhada desde o início. O conteúdo fica no equipamento e a sessão corre sem depender de ligação à internet, ver conteúdo no equipamento, e a gestão faz-se pela aplicação de acompanhamento, ver controlo remoto da sessão.
O resultado é que a distância deixa de ser um problema de logística e passa a ser o que sempre foi: um problema de pessoas. Alguém tem de estar na sala com o utente. Essa parte não se resolve à distância, nem cá nem lá.
Onde vamos perder, e é melhor ficar escrito
A biblioteca é europeia. A maior parte dos cenários foi filmada em Portugal e na Europa. Para atividade, conforto e conversa, funciona em qualquer lado. Para reminiscência, que depende de a pessoa reconhecer o sítio, não funciona da mesma maneira com quem nunca cá viveu. Está desenvolvido em quando o lugar da pessoa não está na biblioteca.
A plataforma está em português europeu e em inglês. Serve-se, lê-se, mas não é a mesma coisa que estar escrita na língua de quem a usa todos os dias.
E não temos histórico no Brasil. Todas as instalações, todos os utentes e todo o registo de utilização que podemos mostrar são europeus. Quem avaliar a RVer aí vai avaliar uma empresa estrangeira sem referências locais, e esse é um argumento legítimo contra nós até deixar de o ser.
O que procuramos nestes quinze dias
Distribuidores com trabalho feito em instituições de saúde e de longa permanência. Parceiros clínicos dispostos a fazer um piloto a sério, com critério definido antes de começar: a receita está em como correr um piloto. E interlocutores que nos digam onde é que o modelo europeu não encaixa, que é a informação mais valiosa que se pode trazer de uma viagem destas.
Não prometemos datas. Quando houver, escrevemo-lo aqui.
O papel do RVer
O produto base da RVer é uma biblioteca de vídeo imersivo, registada como Dispositivo Médico Classe I no INFARMED e na EUDAMED: um registo sem efeitos fora do espaço europeu. RVer Motion e RVer Neuro são módulos em desenvolvimento, não abrangidos por esse registo. A plataforma regista a sessão: não avalia, não classifica, não diagnostica e não substitui a avaliação clínica nem a decisão da equipa.
Perguntas frequentes
A RVer abriu empresa no Brasil?
Não. A RVer é uma empresa portuguesa a entrar no mercado brasileiro. Não há entidade constituída no Brasil, escritório ou equipa local. Desde 14 de setembro de 2026 estamos no país durante quinze dias, em reuniões com distribuidores, instituições e potenciais parceiros.
Por onde começou a viagem?
Por Fortaleza, a 14 de setembro de 2026. São quinze dias no país, com reuniões em mais do que uma cidade.
Já há parceiro ou distribuidor no Brasil?
Não há nada assinado: nenhum contrato, exclusividade ou acordo de distribuição. Por isso não nomeamos ninguém do lado brasileiro: estamos a avaliar parceiros, e anunciar conversas como se fossem acordos estraga-as. Quando houver assinatura, dizemos quem é.
O registo de Dispositivo Médico Classe I do Infarmed vale no Brasil?
Não. É um registo com efeitos no espaço europeu, e cobre o produto base: a biblioteca de vídeo imersivo. No Brasil quem regula dispositivos médicos é a ANVISA, e a RVer não tem registo na ANVISA. Não invocamos o registo europeu como se valesse lá.
Então como é que a RVer se apresenta no Brasil?
Pelo que o produto faz: atividade significativa, conforto, ocupação e registo do que aconteceu na sessão, sem alegação terapêutica. A regulação segue a finalidade alegada, e é a alegação que puxa um produto para dentro do regime de dispositivo médico, não o tipo de comprador.
E o registo na ANVISA, fica para quando?
Para quando o caminho o exigir, e com um parceiro brasileiro. Pelo que apurámos, o processo pressupõe um detentor com presença legal no país: mais uma razão para a ordem ser parceiro primeiro, registo depois.
Como é que os equipamentos chegam lá?
Hoje, o único equipamento nosso no Brasil é o headset de demonstração, levado de Portugal para esta viagem. O modelo previsto é outro: quando houver contrato assinado, os headsets são comprados no país, no mesmo modelo, e configurados à distância, continuando a ser da RVer, como em Portugal. O conteúdo fica no equipamento e a sessão corre sem depender de internet, que é a razão técnica pela qual isto funciona à distância.
A biblioteca serve utentes brasileiros?
Para atividade, conforto e conversa, sim. Para reminiscência, não da mesma maneira: a maior parte dos cenários foi filmada em Portugal e na Europa, e a reminiscência depende de a pessoa reconhecer o sítio. Além disso, a plataforma está em português europeu e em inglês, e não temos histórico de instalações no Brasil.
