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Dia Europeu de Sensibilização para a Dor 2026: o custo que não cabe na consulta

A dor tem um preço que não aparece na fatura da consulta. Paga-se em dias de trabalho, em noites mal dormidas e no tempo de quem está à volta.

Quando21 de outubroQuarta-feira, em 2026.
Tema de 2026The Hidden Cost of PainO custo escondido da dor
Quem promoveEuropean Pain Federation EFICFonte oficial ↗
Tema
Gestão da Dor
Leitura
6 min de leitura
Publicado
11 de outubro de 2026
Autoria
RVer
Âmbito
Produto base · Classe I

Nesta página

A 21 de outubro assinala-se o Dia Europeu de Sensibilização para a Dor. É um dia recente, sem nome português consolidado: muita gente procura-o como dia europeu da dor ou dia da dor crónica.

O que é o Dia Europeu de Sensibilização para a Dor 2026

O dia é promovido pela European Pain Federation EFIC e marca-se todos os anos na terceira quarta-feira de outubro. Em 2026 calha a 21. A EFIC começou a construí-lo em 2024, na sequência do Global Day Against Pain, que a IASP e a EFIC organizaram pela primeira vez em 2004, com o copatrocínio da Organização Mundial da Saúde (EFIC).

O tema de 2026 é «The Hidden Cost of Pain», o custo escondido da dor. A EFIC olha este ano para a dor crónica pelo lado do emprego e da produtividade, e para o que os governos podem fazer para manter as pessoas com dor no trabalho e reduzir o peso que a dor tem no resto da sociedade. Segundo a mesma página, a dor crónica afeta cerca de 20% dos adultos na Europa, perto de 150 milhões de pessoas.

O que a dor custa fora do consultório

Em Portugal, o retrato mais completo continua a ser um estudo nacional feito pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, com mais de 5 mil adultos inquiridos por telefone entre 2007 e 2008. Os dados têm idade, e convém dizê-lo, mas vêm de uma amostra representativa da população adulta.

Nesse estudo, 36,7% dos adultos tinham dor crónica, e quase metade dos que a tinham (49%) disse que a dor interferia com o trabalho. A incapacidade mais alta aparecia nas responsabilidades da casa e da família, nas atividades de lazer, no trabalho e no sono (Azevedo et al., 2012).

Um segundo artigo, com uma subamostra do mesmo estudo, calculou o custo. Os custos anuais da dor crónica em Portugal foram estimados em cerca de 4,6 mil milhões de euros, o equivalente a 2,71% do PIB de 2010. E 57,3% desse valor eram custos indiretos: faltas, perda de produtividade, reformas antecipadas (Azevedo et al., 2016). É exatamente o custo escondido de que fala o tema deste ano.

Há ainda o que nenhum estudo económico apanha bem. O cônjuge que deixa de sair porque o outro não aguenta a viagem. O filho que pede dias ao patrão para levar a mãe às consultas. A pessoa que desiste de uma atividade de que gostava porque já não tem energia depois do dia de trabalho.

A dor que também se vive no hospital

O tema de 2026 é a dor crónica e o trabalho. Mas quem trabalha num hospital, numa unidade de cuidados continuados ou num lar conhece outra parte do custo, mais curta e mais frequente: a dor e a ansiedade dos procedimentos e das esperas.

A punção venosa de quem tem veias difíceis. O penso de uma ferida que se faz dia sim, dia não. A colheita numa criança que já sabe o que vem aí. A hora na sala de espera antes de um exame. A sessão de tratamento que dura uma manhã inteira.

Nestes momentos as equipas usam há muito tempo estratégias não farmacológicas, ao lado da analgesia e nunca em vez dela: conversar, explicar o que vai acontecer, posicionar bem, música, respiração, a mão de um familiar, um vídeo no telemóvel. Em pediatria, a distração faz parte da rotina de muitas equipas. Nada disto é periférico. Faz parte do cuidado.

A literatura sobre distração em procedimentos é das mais consistentes no campo da realidade virtual em saúde, sobretudo em dor aguda e procedimentos curtos. Resumimos o essencial em medo de agulhas e dor em procedimentos. Na dor crónica, o tema deste dia, a evidência é mais heterogénea, e dissemo-lo em consulta da dor: onde entra a realidade virtual, e onde não entra.

O que não se deve prometer

Falar de dor obriga a cuidado com as palavras. A distração ajuda muitas pessoas a atravessar um procedimento com menos ansiedade, e pode ajudar a gerir a dor desse momento. Não é analgesia, não substitui nenhum medicamento, não altera doses e não tira nenhuma decisão à equipa. E a resposta varia de pessoa para pessoa: há quem prefira olhar para o que lhe estão a fazer.

Também não faz sentido apresentar uma solução de conforto como resposta ao custo económico da dor crónica. Esse custo resolve-se com acesso a consultas da dor, com reabilitação, com adaptação do trabalho, com o que a EFIC pede aos governos neste dia. Escrevemos sobre o peso do farmacológico e o espaço que sobra em o congresso da dor é esta semana.

Onde o RVer entra

O RVer é uma biblioteca de vídeos 360° filmados em lugares reais, usada pela equipa como complemento não farmacológico em momentos concretos: durante um penso, uma punção, uma sessão de tratamento longa, uma espera antes de um exame. A pessoa olha à volta numa praia, num jardim ou numa cidade, enquanto a equipa faz o seu trabalho e controla a sessão a partir da app Companion. Há modo deitado, e os conteúdos funcionam sem internet. Usa-se com utentes a partir dos 10 anos.

O RVer ajuda a gerir a dor e a ansiedade nesses momentos. Não promete menos dor, nem trata a dor crónica. Os estudos que conhecemos sobre realidade virtual em dor e ansiedade estão reunidos em estudos, e o enquadramento para serviços está na página de hospitais.

Em resumo

  • O Dia Europeu de Sensibilização para a Dor 2026 é a 21 de outubro, promovido pela EFIC, com o tema «The Hidden Cost of Pain».
  • Em Portugal, o estudo nacional disponível encontrou dor crónica em 36,7% dos adultos e um custo de 2,71% do PIB, mais de metade em custos indiretos.
  • Nos hospitais há outro custo, mais curto: a dor e a ansiedade de procedimentos e esperas.
  • A distração não farmacológica é um complemento que as equipas já usam. Não é analgesia.

O produto base do RVer é um dispositivo médico Classe I, registado no INFARMED e na EUDAMED. As sessões são conduzidas por profissionais da instituição, complementam os cuidados existentes e não substituem avaliação, tratamento ou analgesia.


Fontes: European Day on Pain Awareness, European Pain Federation EFIC; Azevedo L. F. et al., Epidemiology of chronic pain: a population-based nationwide study on its prevalence, characteristics and associated disability in Portugal, The Journal of Pain, 2012; Azevedo L. F. et al., The economic impact of chronic pain: a nationwide population-based cost-of-illness study in Portugal, European Journal of Health Economics, 2016.

Perguntas frequentes

Quando é o Dia Europeu de Sensibilização para a Dor 2026?

A 21 de outubro de 2026, uma quarta-feira. O dia marca-se na terceira quarta-feira de outubro e é promovido pela European Pain Federation EFIC.

Qual é o tema do Dia Europeu de Sensibilização para a Dor 2026?

«The Hidden Cost of Pain», o custo escondido da dor. A EFIC foca a dor crónica do ponto de vista do emprego e da produtividade, e o que os governos podem fazer para manter as pessoas com dor no trabalho.

Quantas pessoas têm dor crónica em Portugal?

O estudo nacional de Azevedo e colegas, com dados de 2007 e 2008, encontrou dor crónica em 36,7% dos adultos portugueses. São dados antigos, mas de uma amostra representativa da população adulta.

A realidade virtual reduz a dor?

O RVer não faz essa promessa. É usado como distração durante procedimentos e esperas, e ajuda a gerir a dor e a ansiedade desses momentos. Não é analgesia e não substitui nenhum medicamento nem decisão da equipa.

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