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Realidade virtual no trabalho de parto: o que a evidência mostra e o que um bloco de partos tem de resolver antes

A literatura sobre realidade virtual no trabalho de parto é consistente numa direção: menos dor referida, menos ansiedade, sem sinal de dano. É também pequena e heterogénea. E entre o que os ensaios mostram e o que acontece numa sala de partos há cinco perguntas práticas que ninguém responde por vocês.

Tema
Gestão da Dor
Leitura
7 min de leitura
Publicado
6 de setembro de 2026
Autoria
RVer
Âmbito
Produto base · Classe I

É um dos pedidos que nos chegam com mais entusiasmo e menos preparação: queremos pôr isto no bloco de partos. O entusiasmo tem fundamento na literatura. A preparação é o que decide se aquilo passa da terceira semana.

O que a evidência mostra

Duas sínteses, e o que cada uma acrescenta.

Uma revisão sistemática com meta-análise publicada na JMIR Serious Games reuniu 12 estudos com 1095 participantes, procurados em sete bases de dados, sobre o uso de realidade virtual na gravidez e no parto. Avaliou dor, ansiedade, duração do trabalho de parto, satisfação e eventos adversos — e é este último desfecho que mais interessa a um serviço: a revisão foi desenhada para responder à segurança, não só à eficácia.

Uma revisão integrativa de 2025, na Pain Management Nursing, rastreou 1227 estudos e incluiu 13 (10 dos quais ensaios aleatorizados), juntando aos resultados quantitativos a experiência das próprias mulheres — que é a parte normalmente ausente das meta-análises.

A leitura conjunta, sem esticar: os ensaios apontam de forma consistente para redução da dor referida e da ansiedade durante o trabalho de parto, com boa aceitação e sem sinal de dano. E, como as próprias autoras assinalam, a heterogeneidade entre estudos é alta e o número de participantes é pequeno para a variabilidade que um parto tem. É evidência encorajadora, não é evidência fechada.

Uma coisa que a literatura não diz, e que nenhum fornecedor deve sugerir: isto não é analgesia e não substitui nenhuma decisão sobre analgesia. Não altera indicação de epidural, não trata dor, e não é ferramenta de decisão clínica.

Porque é que o parto é um caso favorável

Três razões, e explicam por que motivo os resultados aparecem mesmo em ensaios pequenos:

  • A dor tem uma componente atencional grande, e o intervalo entre contrações é uma janela natural para trabalhar essa componente — o mecanismo que descrevemos em gestão da dor.
  • A ansiedade antecipatória amplifica a dor. Quem chega a um bloco assustada sente mais, e é o mesmo padrão que aparece na ansiedade pré-operatória.
  • A pessoa está acordada, colaborante e tem tempo. Ao contrário de quase tudo o resto num hospital.

As cinco perguntas que decidem, e que não são sobre conteúdo

É aqui que os projetos falham, e nenhuma destas perguntas se resolve com um catálogo melhor.

1. Quem interrompe? A mulher tem de poder tirar o equipamento num segundo, sem pedir, sem procurar um botão. Se a resposta não for imediata e óbvia, o resto não interessa. É a regra que já aplicamos em quando o utente recusa.

2. Quem conduz? Uma sessão no parto acontece durante trabalho clínico ativo, e não pode acrescentar uma pessoa à sala. Ou a equipa que já lá está a consegue conduzir com formação de utilização — ver quem pode conduzir — ou o equipamento fica no armário.

3. Como se limpa, entre duas mulheres? Um bloco de partos tem protocolo próprio, e um equipamento que não encaixe nele não entra. As nossas respostas estão em higiene e segurança, e a pergunta certa a fazer-nos é o tempo de reprocessamento, não o material.

4. E a monitorização? Cardiotocografia, acessos, mobilidade da mulher, posição. O equipamento tem de ser compatível com tudo isso — e a resposta honesta é que depende da sala, não do produto.

5. Quando se propõe? Uma proposta feita em plena fase ativa é uma má proposta. O consentimento pertence ao plano de parto, discutido antes, com a informação toda — incluindo a de que pode recusar sem justificar. É o mesmo princípio de consentimento informado.

Enjoo, que aqui é uma questão à parte

O desconforto vestibular é raro e ligeiro com conteúdo bem escolhido, como escrevemos em conforto e enjoo. No trabalho de parto há um agravante: náusea é frequente por razões que nada têm a ver com o equipamento — a própria fase de transição, a analgesia, o jejum.

A consequência prática é de registo, não de conteúdo: se houver náusea, ninguém vai conseguir dizer depois de que foi. Vale a pena registar o que se usou e quando, para que a equipa não atribua ao equipamento um sintoma que ia acontecer de qualquer maneira — nem o contrário.

Onde a RVer está nisto

Com clareza: não temos um produto obstétrico. O produto base é uma biblioteca de conteúdo para conforto, distração e atividade, registada como Dispositivo Médico Classe I, sem alegação de tratamento e sem indicação específica para trabalho de parto.

Um serviço que queira testar isto num bloco de partos consegue fazê-lo com o produto base — e deve fazê-lo como piloto, com as cinco perguntas de cima respondidas por escrito antes de a primeira mulher o experimentar. Se as respostas não existirem, a nossa recomendação é começar por um contexto mais simples e voltar ao bloco depois.

A plataforma RVer tem como produto base um Dispositivo Médico Classe I certificado pelo Infarmed. As sessões são conduzidas por profissionais da instituição, complementam os cuidados existentes e não substituem analgesia, avaliação ou acompanhamento clínico.

Um caso concreto?

Diga-nos qual é a situação

Respondemos com sim, com «é preciso testar», ou com não — as três acontecem, e a última também é útil.

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