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O congresso da dor é esta semana. E o programa diz muito

Farmacoterapia, dor neuropática, ortóteses, referenciação. Nenhuma sessão sobre não farmacológico — e há uma boa razão para isso.

Tema
Gestão da Dor
Leitura
5 min de leitura
Publicado
10 de setembro de 2026
Autoria
RVer
Âmbito
Produto base · Classe I

Nesta página

O Congresso Multidisciplinar da Dor acontece a 16, 17 e 18 de setembro, no Porto, na Fundação António Cupertino de Miranda. Vale a pena olhar para o programa antes, porque ele diz uma coisa sobre o estado da matéria.

O que está no programa

Avaliação multidisciplinar da dor. Dor pediátrica. Exame físico musculoesquelético. Ortóteses. Farmacoterapia: anti-inflamatórios, corticoides, opióides, paracetamol, fármacos adjuvantes. Dor neuropática. Referenciação para ortopedia e para medicina física e reabilitação. O papel da medicina geral e familiar.

É um programa sólido e é um programa maioritariamente farmacológico. Não há, no programa público, uma sessão dedicada a abordagens não farmacológicas ou a tecnologia.

Isto não é uma crítica ao congresso. É um retrato fiel de onde está o centro de gravidade da consulta da dor em Portugal — e quem vende ou compra outra coisa faz melhor em saber disso do que em fingir que não é assim.

A pergunta que sobra

Se a dor é multidisciplinar o suficiente para juntar ortopedia, medicina física, pediatria e medicina geral e familiar na mesma sala, porque é que o não farmacológico costuma entrar só pela porta da fisioterapia?

Parte da resposta é boa: a farmacoterapia tem décadas de ensaios, doses, contraindicações e escalas comparáveis. É conhecimento acumulado, e não se despacha com entusiasmo.

Parte da resposta é menos boa: o não farmacológico chega frequentemente embrulhado em promessas que não sustenta. Quem já ouviu «isto reduz a dor em 40%» de um vendedor sem um ensaio atrás fica, com razão, com o pé atrás na vez seguinte.

A escala de quem prescreve não é entusiasmo, é evidência. Uma ferramenta que exagera hoje paga-o durante anos, em todas as conversas seguintes.

O que a realidade virtual é, nesta conversa

É um foco alternativo de atenção durante um procedimento ou um tratamento. Nada mais do que isto, e nada menos.

O que a RVer faz é pôr a pessoa dentro de um ambiente filmado, com som ambisónico, enquanto a equipa faz o que tem a fazer. Não é analgesia. Não substitui fármaco nenhum, não altera dose nenhuma e não dispensa decisão clínica nenhuma. Quem decide se faz sentido naquele doente, naquele momento, é quem o segue.

Escrevemos com mais detalhe sobre onde isto se encaixa — e onde não se encaixa — em consulta da dor: onde entra a realidade virtual e em realidade virtual nas urgências.

Se for ao congresso, três perguntas úteis

Não para fazer aos oradores. Para levar de volta ao serviço:

  1. Quais são os procedimentos em que o tempo de espera e a antecipação pesam mais? São esses, e não «a dor» em geral, que definem onde uma abordagem não farmacológica se experimenta primeiro.
  2. Quem fica responsável por conduzir e registar? Sem nome, qualquer piloto acaba em gaveta.
  3. O que é que vai ser medido, e comparado com quê? Sem um antes, não há depois.

São as mesmas três perguntas que fazemos a quem nos pede uma demonstração. Não vendem nada — mas separam um projeto que vai acontecer de um projeto que vai ser discutido.


Fonte: Congresso Multidisciplinar da Dor 2026, 16 a 18 de setembro, Porto.

Um caso concreto?

Diga-nos qual é a situação

Respondemos com sim, com «é preciso testar», ou com não — as três acontecem, e a última também é útil.

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