Porque não aparece nenhum utente
Quem usa o RVer está, quase sempre, num momento frágil. Um idoso num lar, uma pessoa em cuidados paliativos, alguém a meio de um tratamento que custa. Uma imagem dessa pessoa com o equipamento na cabeça diz muito mais do que «esteve aqui»: diz onde está, em que estado, porquê. Isso é informação de saúde, e o RGPD trata-a como uma categoria especial, com razão.
Podíamos procurar consentimentos, escolher ângulos, desfocar caras. Preferimos não o fazer. A dignidade de quem está do outro lado não é um obstáculo à comunicação de uma empresa de saúde: é o ponto de partida. Por isso o filme começa exatamente aí:
Há pessoas que não podemos mostrar. E é exatamente assim que deve ser.
O que mostramos em vez disso
Mas podemos mostrar-lhe o que experienciam.
Se não podemos mostrar quem usa, podemos mostrar o que vê. O resto do filme são os cenários da biblioteca base do RVer, filmados por nós em 360°: a procissão de 13 de Maio em Fátima, a praia ao fim do dia, um passeio de carro, as Fragas de São Simão, os moliceiros em Aveiro, a vindima, uma atuação de música popular.
As imagens aparecem esticadas, curvadas nas pontas. Não é defeito: é o formato de um vídeo 360° quando se abre num ecrã plano — à frente ao centro, atrás nas extremidades. Deixámo-las assim de propósito, para se perceber que aquilo não é um enquadramento escolhido por nós: é o lugar inteiro à volta de quem tem o equipamento posto.
Um lugar que conhecem. Um lugar de que se lembram. Às vezes, um lugar onde nunca poderiam estar.
A pessoa de silhueta
No início e no fim do filme há uma figura em contraluz. É uma pessoa amiga da equipa, não um utente, e não lhe dizemos o nome. Não por segredo: porque o nome não interessa. Está ali no lugar de todas as pessoas que não podemos mostrar, e o filme só funciona se puder ser qualquer uma delas.
Não é sobre a tecnologia
Para nós, é tecnologia. Para eles, é uma experiência.
É fácil fazer um vídeo sobre realidade virtual que é, na verdade, um vídeo sobre óculos: o equipamento, os ecrãs, os números. Este não é sobre o utente nem sobre a tecnologia. É sobre o que a tecnologia provoca em quem a usa: voltar a um sítio conhecido, chegar a um onde já não se consegue ir, ou simplesmente estar noutro lado durante uns minutos.
O equipamento, o backoffice, a supervisão clínica e o resto do sistema existem para que isso aconteça com segurança. Mas não são o que fica na memória de quem vive a sessão, e por isso também não são o filme.
Para que serve
- Palestras e congressos. Para abrir uma apresentação antes de falarmos do sistema, numa sala escura, com som.
- Comunicação institucional. É o filme da marca: está nesta página, na página Sobre e na sala de imprensa.
- Jornalistas e meios digitais. Há algum tempo que nos pedem um vídeo nosso para acompanhar artigos. Aqui está. Se precisar dele em 4K, peça-nos.
Como foi feito
Foi filmado e montado pela equipa do RVer. As imagens 360° são as mesmas que os utentes veem na biblioteca base. Existe em português e em inglês, e tem dois minutos.