O Dia Internacional do Acesso Universal à Informação assinala-se a 28 de setembro. É um dia da UNESCO, pensado para o direito de cada pessoa a saber o que lhe diz respeito.
Numa instituição de saúde, esse direito tem uma forma muito concreta. Um filho chega ao lar ao fim da tarde e pergunta: «o que é que a minha mãe fez hoje?». Se a mãe teve uma sessão de realidade virtual, a resposta devia ser mais do que «esteve com os óculos».
O que fica registado
No RVer, cada sessão deixa um registo: quando aconteceu, quanto tempo durou e o que foi visto. É informação simples, e é essa a ideia.
O registo não avalia a pessoa, não lhe dá uma nota e não faz diagnósticos. Diz o que aconteceu, não o que significa. A leitura clínica (se a sessão correu bem, se vale a pena repetir) é da equipa, que estava na sala.
Explicar sem prometer
A tentação, ao falar com uma família, é enfeitar. «Fez-lhe muito bem», «ficou outra pessoa». Às vezes é verdade no momento. Mas uma frase dessas, repetida, transforma uma atividade numa promessa de resultado.
O que se pode dizer com segurança é mais útil: onde a pessoa «esteve», quanto tempo, como reagiu enquanto a equipa observava. «Pediu para ver o mar outra vez» diz mais a um filho do que «fez-lhe bem».
Quem pode ver o quê
Os dados de uma sessão dizem respeito à pessoa que a fez. O acesso segue as mesmas regras de qualquer outra informação de saúde da instituição: a própria pessoa, ou quem a representa legalmente, tem direito a saber o que está registado sobre si, nos termos do RGPD.
O que a instituição decide é o circuito: quem da equipa consulta os registos e como se partilha a informação com a família. Vale a pena decidi-lo antes da primeira pergunta, e não no momento em que ela é feita.
Uma regra simples
Se a família pergunta, responde-se. Com o que aconteceu, dito com clareza, sem esconder e sem enfeitar. É isso, no fundo, o acesso à informação: não é um formulário, é uma conversa honesta ao fim da tarde.