O Dia Europeu das Línguas assinala-se a 26 de setembro. Foi criado pelo Conselho da Europa para lembrar que o continente fala dezenas de línguas, e que isso é uma riqueza e não um obstáculo.
Numa sessão de realidade virtual, a pergunta sobre línguas tem uma resposta menos óbvia do que parece.
Muitos cenários não precisam de palavras
Grande parte do que uma pessoa vê numa sessão não tem texto nem narração: o mar a bater nas rochas, o sino de uma igreja, um mercado cheio de gente. O som ambiente não se traduz, e não precisa.
É uma vantagem prática. Um cenário sem palavras serve a mesma pessoa em Leiria ou em Fortaleza, e serve alguém que já não acompanha frases longas.
As palavras que contam são as da equipa
A parte falada de uma sessão acontece fora dos óculos. É a equipa que explica o que vai acontecer, que pergunta como a pessoa se sente, que diz que pode parar quando quiser.
Essas frases têm de estar na língua da pessoa. Não na língua do sistema, nem na de quem instalou o equipamento, na dela. Uma instrução de segurança dita numa língua que a pessoa não domina não é uma instrução de segurança.
Quando a primeira língua volta
Quem trabalha com pessoas com demência conhece um fenómeno: alguém que viveu a vida adulta noutra língua pode voltar, com o tempo, à língua da infância. Um emigrante que falou francês durante quarenta anos pode, num lar, responder apenas em português.
Quando isso acontece, a sessão acompanha. A equipa fala a língua que a pessoa entende hoje, que pode não ser a que está na ficha de admissão.
Português dos dois lados do Atlântico
Desde este mês, a RVer tem um parceiro no Brasil. É a mesma língua, e não é a mesma língua: há palavras, sotaques e referências que mudam, e um cenário que evoca uma memória em Portugal pode não evocar nada em Fortaleza.
É por isso que o plano para o Brasil inclui, a prazo, conteúdos pensados para quem vive lá. A língua não é só o que se diz. É também o que se reconhece.