Setembro é o mês internacional de sensibilização para o cancro pediátrico — o Setembro Dourado, pela cor da fita. É o mês em que se fala de crianças que passam meses em hospitais, entre tratamentos, análises e esperas.
A realidade virtual aparece muitas vezes nessas conversas, quase sempre pela mesma porta: a distração durante procedimentos. Não é disso que queremos falar aqui — não fazemos alegações sobre dor nem sobre ansiedade. Queremos falar do que muda na própria sessão quando quem põe os óculos é uma criança.
Quem decide são duas pessoas
Com um adulto há um consentimento. Com uma criança há dois: o dos pais ou representantes, e o assentimento da própria criança.
O segundo não é uma formalidade. Uma criança que diz que sim porque os adultos à volta querem que diga sim não está a escolher. Perguntar-lhe de outra maneira — «queres ver o mar ou preferes ficar a desenhar?» — e aceitar a resposta faz parte da sessão.
O equipamento tem idade mínima
Os fabricantes de óculos de realidade virtual definem uma idade mínima de utilização e indicam como ajustar o equipamento a caras mais pequenas. Antes de qualquer sessão pediátrica, confirma-se o que o fabricante indica para o modelo em uso — e isso decide, antes de qualquer outra coisa, se a sessão acontece.
Mais curta, e com alguém a segurar a mão
As sessões com crianças são mais curtas. A atenção é outra, o cansaço de um dia de hospital é outro, e o objetivo não é aguentar até ao fim.
E há sempre um adulto conhecido na sala — um pai, uma mãe, a enfermeira de referência. Uma criança com óculos não vê quem está ao lado. Saber que a mão que segura a dela é a mesma de antes de pôr os óculos é o que torna a sessão segura para ela.
A criança escolhe o conteúdo
Dentro do que a equipa considera adequado, quem escolhe é a criança. Os animais, a praia, a neve que nunca viu. Poder escolher alguma coisa, num sítio onde quase tudo é decidido por outros, conta.
Crianças a idosos, mas não da mesma maneira
O RVer é usado de crianças a idosos. Isso não quer dizer que a sessão seja igual para todos — quer dizer que as regras de cada idade estão escritas antes de a sessão começar.