O Dia Mundial da Segurança do Doente assinala-se a 17 de setembro. Em 2026 a Organização Mundial da Saúde dedicou-o às doenças não transmissíveis — diabetes, doença cardiovascular, doença respiratória crónica, cancro —, com o lema «Safe care for life!».
A razão do tema está no calendário destas doenças. Não se tratam numa consulta: acompanham-se durante anos, em sítios diferentes, por equipas diferentes. Cada passagem é um sítio onde alguma coisa pode falhar.
A primeira sessão não é a que preocupa
Numa sessão de realidade virtual, a primeira vez é a mais vigiada. Toda a gente está atenta, a pessoa é observada, pergunta-se como se sente.
Numa doença crónica a sessão não acontece uma vez. Repete-se — semanalmente, durante meses — e é aí que a atenção desce. A segurança de uma sessão que já correu vinte vezes depende de a vigésima primeira seguir o mesmo guião que a primeira, e não de a equipa se lembrar.
O que tem de ser igual todas as vezes
Quem está na sala. Uma pessoa com óculos de realidade virtual não vê o que a rodeia. Há sempre alguém da equipa presente, e esse alguém não está a fazer outra coisa ao mesmo tempo.
Como se para. A pessoa sabe, antes de começar, que pode tirar os óculos quando quiser — e que dizer que não está bem não é falhar a sessão.
O que se regista. Quantas vezes, quanto tempo, o que foi visto. O registo não avalia nem diagnostica; serve para que uma mudança lenta — sessões cada vez mais curtas, por exemplo — se veja no papel antes de se ver na pessoa.
Quem decide o conteúdo. A equipa clínica escolhe o cenário para aquela pessoa, naquele dia. Um conteúdo que ontem era calmo pode não o ser hoje.
Vários sítios, a mesma regra
O tema da OMS fala de cuidados que passam por vários lugares. Uma pessoa pode fazer sessões numa unidade de internamento, depois num lar, depois em casa com apoio domiciliário.
Se cada sítio fizer à sua maneira, a segurança passa a depender de onde a pessoa está. O que queremos é o contrário: que a sessão tenha as mesmas regras em qualquer sítio onde o equipamento esteja, porque o equipamento e a forma de o usar vêm juntos.
O que isto não é
Nada disto torna a realidade virtual um tratamento para uma doença crónica. É uma atividade complementar, não farmacológica, conduzida pela equipa clínica. A segurança de que falamos é a da própria sessão — não substitui o plano de cuidados, e não o pretende melhorar.