Quem controla a sessão?
Numa terapia por Realidade Virtual bem desenhada, o doente só vê e relaxa. Quem escolhe o cenário, ajusta o volume e decide quando parar é a equipa — não o doente, que muitas vezes está fragilizado, com défice cognitivo ou simplesmente a descansar dentro da experiência.
O desafio é prático: como é que uma pessoa controla um óculos que está na cabeça de outra, do outro lado da sala — e como é que gere vários ao mesmo tempo, numa enfermaria ou num lar? É para isto que existe a app Companion.
Um browser, uma frota
A Companion abre no browser de qualquer PC ou tablet na mesma rede Wi-Fi. Não há nada para instalar, configurar ou atualizar — o endereço aparece na própria app dos óculos. Cada headset surge como um cartão no ecrã, e a partir daí o clínico:
- escolhe o cenário e reproduz ou pausa;
- avança ou recua ±10 segundos;
- ajusta o volume e o brilho à distância;
- atribui o paciente à sessão;
- faz uma paragem de emergência imediata.
Uma só pessoa gere assim uma frota inteira de óculos a partir de um único ecrã — útil quando há várias sessões a decorrer em simultâneo.
Tudo corre na rede local. A Companion não depende da internet nem de contas na nuvem, e nenhum dado do doente sai do equipamento — em conformidade com o RGPD por defeito.
Porque é que "sem instalar nada" importa
Num serviço de saúde, cada software novo é um pedido ao departamento de informática, uma aprovação, uma manutenção. Ao correr no browser, a Companion evita tudo isso: funciona em qualquer PC ou tablet que já exista no serviço, sem integração com os sistemas hospitalares e sem instalação. A equipa começa a usar no mesmo dia.
O papel do RVer
A Companion faz parte do RVer, um Dispositivo Médico Classe I (produto base — Infarmed, MDR 2017/745). A filosofia é sempre a mesma: a tecnologia amplifica a equipa clínica, não a substitui. O doente vive a experiência; a equipa mantém o controlo, do primeiro toque à paragem de emergência.
Gerir vários equipamentos a partir de um ecrã muda a resposta a quem pode conduzir uma sessão.