Quase tudo o que está escrito sobre o retorno da realidade virtual em saúde foi escrito a pensar num hospital: sedação evitada, tempo de bloco, procedimentos mais curtos. Num lar, nada disso existe. Não há bloco, não há anestesista, não há procedimento para encurtar.
A conta de um lar é outra — e é mais simples de fazer, desde que se comece pela variável certa.
A variável que domina tudo: a ocupação
Num lar, a diferença entre um mês bom e um mês mau raramente está nos custos. Está numa cama vazia. Uma vaga por preencher representa uma mensalidade inteira que não entra, todos os meses em que ficar assim.
É por isso que a pergunta útil não é «quanto poupa este equipamento?», mas:
Isto ajuda a preencher uma vaga, ou a segurar uma família que está a comparar dois lares?
Se a resposta for sim uma vez por ano, a conta fecha-se sozinha com o valor da vossa mensalidade — não é preciso mais nenhuma alavanca. Se for não, nenhuma das outras linhas vai salvar o investimento.
Isto não é uma promessa: é onde a conta se decide. A família que visita três lares no mesmo mês decide por diferenças visíveis, e o que se mostra numa visita conta.
A segunda linha: tempo de equipa
A atividade individual tem um custo real e mensurável: o tempo de quem a conduz. Contando cerca de cinco minutos para escolher o cenário e colocar o equipamento, mais dez de sessão, são quinze minutos por residente.
Isso dá, com uma pessoa, doze a dezasseis sessões por semana sem desfazer o resto do plano. Multiplicado pelo custo-hora real da vossa equipa, é um número que sai da vossa folha de vencimentos e não da nossa.
A comparação relevante não é com «não fazer nada» — é com a atividade que ficaria no lugar desta.
A terceira: o que já se paga e passa a estar coberto
Vale a pena olhar para o que já sai do orçamento e pode ficar coberto:
- animação contratada ao exterior que vem uma vez por semana;
- material de estimulação comprado avulso todos os anos;
- obras adiadas para uma sala que não existe (é aqui que entra a comparação com uma sala multissensorial);
- horas extra em dias de chuva, quando o passeio é cancelado e é preciso inventar tarde.
A quarta: o que se mostra sem trabalho manual
Registo automático do que foi feito, com quem e durante quanto tempo. Não é poupança direta — é tempo de direção técnica que deixa de ser gasto a reconstruir memória para uma família, para uma auditoria ou para um relatório de atividades.
Um modelo de seis linhas
Preencha com os vossos valores. Não publicamos números que não controlamos, e os que interessam aqui são todos vossos:
| Linha | O que preencher |
|---|---|
| 1. Mensalidade média | valor de uma vaga, por mês |
| 2. Vagas por preencher | média dos últimos 12 meses |
| 3. Custo-hora da equipa | de quem vai conduzir as sessões |
| 4. Sessões por semana | 12 a 16 é o ritmo com uma pessoa |
| 5. Custo já existente | animação externa e material que passa a estar coberto |
| 6. Custo da solução | equipamento e subscrição, por mês |
A conta que interessa é: (1) × (probabilidade de segurar uma vaga) + (5) − (3 × horas) − (6). Se a linha 1 for suficientemente grande — e num lar é quase sempre —, o resto do modelo é detalhe.
O que não se pode contar
Não conte com redução de medicação, com menos quedas ou com melhoria clínica. Não temos ensaios que sustentem isso para o nosso produto, e apresentar qualquer dessas linhas num caderno de encargos é construir um caso que não sobrevive à primeira pergunta difícil.
O que se pode contar é o que se mede na casa: sessões realizadas, quem participou que antes não participava, tempo real da equipa, e o que a família diz na visita seguinte.
A realidade virtual em contexto de lar é uma atividade de conforto, estimulação e bem-estar, conduzida por profissionais ou cuidadores com formação. Não é tratamento, não substitui avaliação clínica nem terapêutica prescrita, e nenhuma linha deste modelo deve ser apresentada como benefício clínico.
O RVer é um sistema de realidade virtual para uso clínico concebido para ambientes de saúde, cujo produto base está registado como Dispositivo Médico Classe I no Infarmed (CDM 94571546) e ostenta marcação CE ao abrigo do MDR 2017/745. Os módulos RVer Motion, RVer Neuro e RVer Exposure estão em desenvolvimento e não estão abrangidos por esse registo.
Sobre onde as sessões entram na semana, ver o plano de atividades de um lar. Sobre a conta feita do lado do hospital, ver onde está a poupança.