Artigos / Plataforma RVer

O sistema não integra com o hospital. Então como é que a sessão entra no processo?

«Não precisa de integração» é a frase que faz a informática do hospital respirar de alívio. É verdadeira, é uma vantagem real, e tem uma consequência que só aparece três meses depois.

Tema
Plataforma RVer
Leitura
7 min de leitura
Publicado
1 de setembro de 2026
Autoria
Pedro Thomaz
Âmbito
Produto base · Classe I

Nesta página

Quando a informática de um hospital pergunta o que é preciso integrar, a resposta «nada» resolve a conversa em dois minutos. É uma das oito perguntas e é a que costuma desbloquear tudo: sem integração não há projeto de TI, não há calendário de desenvolvimento, não há dependência de terceiros.

Mas há um preço, e é justo dizê-lo: o registo da sessão fica onde o sistema está, e não no processo clínico do doente.

Porque é que isso importa

O processo clínico é onde o cuidado é contado. Se uma coisa não está lá, para efeitos práticos não aconteceu:

  • o médico que vê o doente na semana seguinte não sabe que houve sessões;
  • a passagem de turno não a inclui;
  • uma auditoria não a encontra;
  • e se alguém quiser mais tarde estudar o que se fez, os dados estão noutro sítio.

Do outro lado, há uma vantagem que também é real e que já explicámos a propósito do Espaço Europeu de Dados de Saúde: não recolhendo dados clínicos nem sendo um sistema de registo de saúde eletrónico, a superfície regulatória é pequena.

O que fica no registo de sessão da RVer Duas colunas. À esquerda, o que a RVer regista: o utente associado ao equipamento, a data e a hora de início, a duração real, o conteúdo escolhido e o efectivamente reproduzido, como a sessão terminou e o histórico de sessões; com um módulo de movimento activo, leituras de posição das mãos e, quando aplicável, das pernas, que dão repetições, amplitude e desempenho por sessão. À direita, o que a RVer não faz: não pontua, não normaliza, não define limiares, não classifica nem sugere, não avalia função e não diagnostica, rastreia nem tria. Em baixo: as escalas são da equipa: a RVer dá o campo e a cronologia, nunca o instrumento. A RVer regista Utente associado ao equipamento Data e hora de início Duração real da sessão Conteúdo escolhido e o reproduzido Como a sessão terminou Histórico de sessões do utente COM MÓDULO DE MOVIMENTO ACTIVO Leituras de posição das mãos e, quando aplicável, das pernas, repetições, amplitude, desempenho A RVer não faz Não pontua Não normaliza Não define limiares Não classifica nem sugere Não avalia função Não diagnostica, rastreia nem tria E POR ISSO Não é um equipamento de diagnóstico, nem substitui a avaliação clínica AS ESCALAS SÃO DA EQUIPA A RVer dá o campo e a cronologia. O instrumento, a aplicação e a leitura são de quem acompanha o utente.
O que a aplicação Companion regista de cada sessão, e o que a RVer deliberadamente não faz com esse registo.

As três vias

1. Nota manual no processo. Quem conduziu a sessão escreve uma linha no sistema do hospital, como escreve qualquer outra intervenção não farmacológica.

  • Custo: trinta segundos por sessão, e depende de alguém se lembrar.
  • Ganho: está no processo, com autoria e data, no sistema que a instituição já audita.
  • É a via que recomendamos para começar, e na maioria dos serviços é a única que chega a existir.

2. Exportação periódica. O registo do sistema é exportado e anexado ou resumido, tipicamente por período ou por doente.

  • Custo: alguém tem de o fazer, e o que fica no processo é um resumo e não o detalhe.
  • Ganho: não depende da memória de cada turno.
  • Útil quando há muitas sessões e o registo manual se degrada.

3. Integração à medida. Fazer o sistema escrever no sistema hospitalar.

  • Custo: é um projeto de TI, com tudo o que isso implica: âmbito, calendário, segurança, manutenção, e uma dependência que passa a existir para sempre.
  • Ganho: automático e completo.
  • Não é o que este sistema faz hoje, e desconfie de quem lho prometa como coisa simples. Integrar com sistemas hospitalares raramente é.

O que a nota manual deve conter

Se seguir a via 1, e provavelmente vai, vale a pena combinar o conteúdo antes, porque a diferença entre uma nota útil e uma nota inútil é pequena e decide tudo.

Uma nota útil: o que foi feito, quanto tempo, e o que se observou nas palavras do que se viu. «Sessão de 12 minutos, cenário de praia; manteve-se calmo, falou do Algarve, pediu para repetir amanhã.»

Uma nota inútil: «realizada sessão de RV.» Não diz nada a quem lê a seguir.

E uma que não se deve escrever: conclusões que o sistema não sustenta. «Sessão reduziu a ansiedade» é uma inferência clínica; se quem escreve é clínico e a assume, é dele. Não é do equipamento, que não avalia nem mede estados emocionais.

O que existe do nosso lado

O registo de cada sessão: o que foi reproduzido, quando, por quanto tempo, se foi interrompido e em que ponto. É informação operacional sobre a utilização do equipamento, guardada na instituição, e é o que alimenta as vias 1 e 2.

O que não existe: escrita automática no processo, e qualquer campo que pareça um resultado clínico.

Em resumo

  • Não integrar é uma vantagem na instalação e um custo no fim.
  • Se não está no processo, para efeitos práticos não aconteceu.
  • Três vias: nota manual, exportação periódica, integração à medida, por ordem crescente de custo e de fragilidade.
  • Comece pela nota manual, e combine o que ela deve conter antes da primeira sessão.
  • Nunca escreva no processo uma conclusão que o equipamento não sustenta.

Perguntas frequentes

A RVer integra com o sistema informático do hospital?

Não. O sistema funciona de forma independente e corre na rede local da instituição, o que dispensa um projeto de TI e costuma ser a resposta que desbloqueia a conversa com a informática. A contrapartida é que o registo da sessão fica no sistema e não no processo clínico do doente.

Como é que a sessão chega ao processo clínico?

Por três vias, em ordem crescente de custo. Uma nota manual escrita por quem conduziu a sessão, que é a mais recomendada para começar; uma exportação periódica do registo, anexada ou resumida no processo; ou uma integração à medida com o sistema hospitalar, que é um projeto de TI e não é o que este sistema faz hoje.

O que deve constar de uma nota de sessão no processo?

O que foi feito, quanto tempo durou e o que se observou, nas palavras do que se viu: por exemplo, sessão de doze minutos com cenário de praia, manteve-se calmo, falou do Algarve, pediu para repetir. Não deve conter conclusões que o equipamento não sustenta: o sistema não avalia nem mede estados emocionais, e qualquer inferência clínica pertence a quem a escreve e assume.

Um caso concreto?

Diga-nos qual é a situação

Respondemos com sim, com «é preciso testar», ou com não. As três acontecem, e a última também é útil.

Pedir proposta →

← Voltar aos artigos