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O que a equipa clínica vê no registo de sessão da RVer

A pergunta chega em quase todas as reuniões: enquanto clínico, que dados é que eu consigo tirar disto? A resposta honesta tem duas metades — o que registamos, e o que deliberadamente não fazemos.

Tema
Plataforma RVer
Leitura
6 min de leitura
Publicado
8 de agosto de 2026
Autoria
RVer
Âmbito
Produto base · Classe I

Há uma pergunta que aparece em quase todas as reuniões com equipas clínicas, normalmente logo a seguir à demonstração: que dados é que eu consigo tirar disto?

É a pergunta certa. E merece uma resposta com duas metades — porque tão importante como o que a RVer regista é o que a RVer, por desenho, não faz com esse registo.

A regra que define tudo o resto

O produto base da RVer é um Dispositivo Médico Classe I registado no Infarmed. Essa classe não é um detalhe administrativo: é ela que define a fronteira do que o sistema pode fazer.

Na regulamentação europeia, o software de saúde divide-se, muito resumidamente, em três faixas:

  • Não é dispositivo — bem-estar e estilo de vida, sem finalidade médica.
  • Classe I — tem finalidade médica, mas não fornece informação usada para decisões de diagnóstico ou terapêuticas.
  • Classe IIa ou superior — fornece informação que alimenta essas decisões, ou monitoriza processos fisiológicos.

A RVer está registada na faixa do meio, e é aí que quer estar. Um sistema que pontuasse, comparasse com normas, sinalizasse desvios ou sugerisse condutas estaria a fornecer informação para uma decisão clínica — e seria outro dispositivo, com outra classe, outra avaliação de conformidade e outro preço para as instituições.

Por isso a regra interna é simples e não se negoceia: a RVer regista; quem lê é a equipa.

O que a aplicação Companheiro regista

A aplicação Companheiro é o painel que a equipa usa para preparar, acompanhar e fechar cada sessão. De cada sessão fica um registo objetivo:

  • quem — o utente associado ao equipamento nessa sessão;
  • quando — data, hora de início e duração real;
  • o quê — o conteúdo escolhido, e o que foi efetivamente reproduzido;
  • como terminou — sessão concluída, interrompida ou terminada pela equipa;
  • histórico — a sequência de sessões do mesmo utente ao longo do tempo, para se ver consistência e adesão.

Na prática, isto substitui a pergunta "como é que correu ontem?" por um registo que não depende de memória nem de relato.

Com um módulo de movimento ativo

Quando o equipamento tem um módulo de movimento ativo, o registo ganha uma camada adicional: leituras de posição das mãos e, quando aplicável ao módulo, das pernas. A partir daí ficam registados a contagem de repetições, a amplitude do movimento e o desempenho por sessão.

É importante ser literal quanto ao que isto é: são leituras de posição no espaço — números de movimento produzidos pelos sensores do equipamento. Não são medições clínicas, não estão normalizadas por população, não têm limiares, não têm classificação e não vêm acompanhadas de qualquer juízo. São matéria-prima para a equipa olhar.

RVer Motion e RVer Neuro são módulos em desenvolvimento, ainda não abrangidos pelo registo de Dispositivo Médico Classe I, que cobre o produto base — a biblioteca de vídeo RVer. O produto base ostenta marcação CE ao abrigo do MDR 2017/745.

As escalas são vossas — e é assim que tem de ser

Esta é a parte que costuma resolver a conversa.

A RVer não fornece instrumentos de avaliação. Não traz escalas embutidas, não as aplica, não as pontua e não as interpreta. O que a plataforma dá é o campo e a linha do tempo: o clínico regista, ao lado do registo da sessão, o instrumento que ele próprio escolheu, aplicou segundo as suas próprias regras e valorizou segundo o seu próprio critério.

A diferença é toda: o instrumento é do clínico, a aplicação é do clínico, a leitura é do clínico. À RVer cabe garantir que esse registo fica guardado, datado, associado ao utente certo e disponível quando a equipa precisar dele.

Não é uma limitação disfarçada de virtude. É o que separa um sistema que ajuda a equipa a organizar o seu próprio trabalho de um sistema que se arroga uma leitura clínica que não lhe compete.

O que a RVer não faz

Para não restar dúvida, e porque é isto que as equipas precisam de poder dizer aos seus próprios órgãos de gestão e de qualidade — a RVer não:

  • pontua, classifica ou atribui níveis;
  • compara o utente com normas, populações ou valores de referência;
  • sinaliza desvios, alertas clínicos ou "pioras";
  • sugere condutas, exercícios ou ajustes terapêuticos;
  • avalia função, capacidade ou estado;
  • diagnostica, despista ou rastreia.

A RVer não é um equipamento de diagnóstico e não substitui qualquer avaliação clínica nem a decisão da equipa.

Onde é que os dados ficam

O registo de sessão de um utente fica no equipamento e na instituição. Não é enviado para a RVer, não alimenta nenhum painel nosso e não sai do vosso perímetro. A instituição é a responsável pelo tratamento desses dados, no seu próprio enquadramento de RGPD; a RVer não fica com uma cópia deles.

O que efetivamente circula é outra coisa: informação técnica necessária para atualizações e para suporte remoto ao equipamento, e dados agregados sobre o funcionamento do produto que usamos para o melhorar. Nada disso inclui o conteúdo clínico da sessão nem as leituras associadas ao utente.

O resumo, para levar para a reunião seguinte

A RVer entrega à equipa clínica um registo objetivo e datado do que aconteceu em cada sessão — e, com um módulo de movimento ativo, leituras de posição das mãos e das pernas. Entrega também o sítio certo para o clínico guardar os seus próprios instrumentos ao lado desse registo.

O que não entrega é uma leitura. Essa é, e continuará a ser, da equipa.

Um caso concreto?

Diga-nos qual é a situação

Respondemos com sim, com «é preciso testar», ou com não — as três acontecem, e a última também é útil.

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