Há uma frase que aparece em quase todos os materiais comerciais de realidade virtual em saúde, com números diferentes: «poupa X euros por doente». É a frase que um comprador informado testa primeiro, e é quase sempre a primeira a cair.
Este artigo faz parte do guia do ROI. Vale a pena perceber porquê, porque a conclusão não é «não há retorno». É que o retorno tem de ser medido na vossa casa, e há uma forma correta de o fazer.
O estado real da literatura económica
Em outubro de 2026, a nossa biblioteca pública tinha 130 estudos sobre realidade virtual em contextos de saúde. Destes, oito são de custos e retorno, e mesmo esses são de contextos muito específicos: imagiologia pediátrica sem sedação, dor pós-operatória, um programa de saúde mental no Reino Unido.
Oito em cento e trinta não é um acaso da nossa seleção. É o estado do campo: a investigação clínica sobre realidade virtual é abundante, a económica é escassa. Quem apresenta um número de poupança como se fosse consensual está a generalizar a partir de muito pouco.
Porque é que os números não transferem
Mesmo quando um estudo económico é bom, três coisas impedem que o número dele seja o vosso:
1. A população não é a mesma. Um ensaio em imagiologia pediátrica mede crianças que, sem realidade virtual, seriam sedadas. Se no vosso serviço essas crianças não são sedadas, a poupança que o estudo calcula não existe para si: não porque a tecnologia falhe, mas porque o custo evitado não estava lá.
2. O comparador não é o mesmo. «Poupa face a quê?» decide o resultado inteiro. Face a nada é fácil. Face à distração que a enfermeira já faz com conversa, um tablet ou a presença da mãe, é outra conversa, e é essa a comparação honesta.
3. Quem paga não é o mesmo. Um estudo feito na perspetiva do pagador público conta coisas diferentes de um feito na perspetiva do hospital, e ambos contam coisas diferentes de um lar privado. Uma poupança que aparece no orçamento do Estado pode não aparecer no vosso.
O que fazer em vez de acreditar no número
Medir. Um piloto de três meses responde melhor do que qualquer folheto, desde que se decida antes o que se vai contar. Quatro métricas chegam:
- Sessões realizadas por semana: a única que diz se a coisa entrou mesmo na rotina. Uma solução que ninguém usa tem retorno zero, independentemente da literatura.
- Quem participou que antes não participava. É o valor mais defensável num lar ou num serviço com atividade de grupo: chegar a quem estava de fora.
- Tempo real da equipa por sessão. Cronometrado, não estimado. É o custo verdadeiro e é sempre maior do que a estimativa inicial.
- Recusas e interrupções. Quantos disseram que não, quantos tiraram o equipamento antes do fim. Diz mais sobre adequação do que qualquer inquérito de satisfação.
Nenhuma destas quatro é uma métrica clínica, e isso é deliberado: um piloto responde bem a perguntas de implementação (a equipa usa? onde encrava?) e não responde de todo a eficácia clínica, por muito que lho prometam.
Como escrever isto num caderno de encargos
Se está a preparar um concurso, a pergunta que separa fornecedores é esta:
«Indique os estudos que sustentam a poupança que afirma, com população, comparador e perspetiva do pagador.»
Quem tem, mostra. Quem não tem, responde com casos de sucesso e testemunhos: o que é uma resposta perfeitamente legítima, desde que não seja apresentada como evidência económica.
Nós próprios não afirmamos poupança. O que dizemos é o que se pode verificar: o que o equipamento faz, o que fica registado, quanto tempo de equipa consome, e onde a conta de uma instituição costuma fechar-se. O registo Classe I cobre o produto base e não é, nem nunca foi, um argumento de eficácia.
O RVer é um sistema de realidade virtual para uso clínico concebido para ambientes de saúde, cujo produto base está registado como Dispositivo Médico Classe I no INFARMED (CDM 94571546) e na EUDAMED (Basic UDI-DI 56006195127RVERTZ), e ostenta marcação CE ao abrigo do MDR 2017/745. Os módulos RVer Motion, RVer Neuro e RVer Exposure estão em desenvolvimento e não estão abrangidos por esse registo.
Os oito estudos de custos estão no tema Custos e retorno da biblioteca pública, com os restantes 122. Sobre como correr o piloto, ver como correr um piloto num serviço de saúde. Sobre a conta de um lar, ver quanto rende num lar.
Perguntas frequentes
Há estudos que provem poupança com realidade virtual em saúde?
Há poucos, e de contextos muito específicos: imagiologia pediátrica sem sedação, dor pós-operatória, um programa de saúde mental. Na nossa biblioteca eram oito em 130 estudos, em outubro de 2026. A investigação clínica é abundante; a económica é escassa, e um número de poupança apresentado como consensual está a generalizar a partir de muito pouco.
Porque é que a poupança de um estudo não se aplica ao meu serviço?
Por três razões: a população pode não ser a mesma (se os seus doentes não seriam sedados, o custo evitado não existe), o comparador pode não ser o mesmo (poupa face a nada, ou face à distração que a equipa já faz?) e a perspetiva do pagador pode não ser a mesma: uma poupança no orçamento público pode nunca aparecer no seu.
O que deve medir um piloto de três meses?
Sessões realizadas por semana, quem participou que antes não participava, tempo real da equipa por sessão (cronometrado, não estimado) e recusas ou interrupções. Nenhuma é uma métrica clínica: um piloto responde a perguntas de implementação e não responde a eficácia clínica.
