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O ROI que não se consegue provar — e o que medir em vez disso

«Poupa X euros por doente» é a frase que um comprador informado testa primeiro, e quase sempre a primeira a cair. A conclusão não é que não há retorno — é que ele se mede noutro sítio.

Tema
Evidência e tendências
Leitura
7 min de leitura
Publicado
16 de agosto de 2026
Autoria
RVer
Âmbito
Produto base · Classe I

Há uma frase que aparece em quase todos os materiais comerciais de realidade virtual em saúde, com números diferentes: «poupa X euros por doente». É a frase que um comprador informado testa primeiro — e é quase sempre a primeira a cair.

Vale a pena perceber porquê, porque a conclusão não é «não há retorno». É que o retorno tem de ser medido na vossa casa, e há uma forma correta de o fazer.

O estado real da literatura económica

A nossa biblioteca pública tem 87 estudos sobre realidade virtual em contextos de saúde. Destes, oito são de custos e retorno — e mesmo esses são de contextos muito específicos: imagiologia pediátrica sem sedação, dor pós-operatória, um programa de saúde mental no Reino Unido.

Oito em oitenta e sete não é um acaso da nossa seleção. É o estado do campo: a investigação clínica sobre realidade virtual é abundante, a económica é escassa. Quem apresenta um número de poupança como se fosse consensual está a generalizar a partir de muito pouco.

Porque é que os números não transferem

Mesmo quando um estudo económico é bom, três coisas impedem que o número dele seja o vosso:

1. A população não é a mesma. Um ensaio em imagiologia pediátrica mede crianças que, sem realidade virtual, seriam sedadas. Se no vosso serviço essas crianças não são sedadas, a poupança que o estudo calcula não existe para si — não porque a tecnologia falhe, mas porque o custo evitado não estava lá.

2. O comparador não é o mesmo. «Poupa face a quê?» decide o resultado inteiro. Face a nada é fácil. Face à distração que a enfermeira já faz com conversa, um tablet ou a presença da mãe, é outra conversa — e é essa a comparação honesta.

3. Quem paga não é o mesmo. Um estudo feito na perspetiva do pagador público conta coisas diferentes de um feito na perspetiva do hospital, e ambos contam coisas diferentes de um lar privado. Uma poupança que aparece no orçamento do Estado pode não aparecer no vosso.

O que fazer em vez de acreditar no número

Medir. Um piloto de três meses responde melhor do que qualquer folheto, desde que se decida antes o que se vai contar. Quatro métricas chegam:

  1. Sessões realizadas por semana — a única que diz se a coisa entrou mesmo na rotina. Uma solução que ninguém usa tem retorno zero, independentemente da literatura.
  2. Quem participou que antes não participava. É o valor mais defensável num lar ou num serviço com atividade de grupo: chegar a quem estava de fora.
  3. Tempo real da equipa por sessão. Cronometrado, não estimado. É o custo verdadeiro e é sempre maior do que a estimativa inicial.
  4. Recusas e interrupções. Quantos disseram que não, quantos tiraram o equipamento antes do fim. Diz mais sobre adequação do que qualquer inquérito de satisfação.

Nenhuma destas quatro é uma métrica clínica, e isso é deliberado: um piloto responde bem a perguntas de implementação — a equipa usa? onde encrava? — e não responde de todo a eficácia clínica, por muito que lho prometam.

Como escrever isto num caderno de encargos

Se está a preparar um concurso, a pergunta que separa fornecedores é esta:

«Indique os estudos que sustentam a poupança que afirma, com população, comparador e perspetiva do pagador.»

Quem tem, mostra. Quem não tem, responde com casos de sucesso e testemunhos — o que é uma resposta perfeitamente legítima, desde que não seja apresentada como evidência económica.

Nós próprios não afirmamos poupança. O que dizemos é o que se pode verificar: o que o equipamento faz, o que fica registado, quanto tempo de equipa consome, e onde a conta de uma instituição costuma fechar-se. O registo Classe I cobre o produto base e não é, nem nunca foi, um argumento de eficácia.

O RVer é um sistema de realidade virtual para uso clínico concebido para ambientes de saúde, cujo produto base está registado como Dispositivo Médico Classe I no Infarmed (CDM 94571546) e ostenta marcação CE ao abrigo do MDR 2017/745. Os módulos RVer Motion, RVer Neuro e RVer Exposure estão em desenvolvimento e não estão abrangidos por esse registo.

Os oito estudos de custos estão na biblioteca pública, com os restantes 79. Sobre como correr o piloto, ver como correr um piloto num serviço de saúde. Sobre a conta de um lar, ver quanto rende num lar.

Um caso concreto?

Diga-nos qual é a situação

Respondemos com sim, com «é preciso testar», ou com não — as três acontecem, e a última também é útil.

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