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Vinte anos depois dos 65, oito com saúde: o que se faz com a diferença

Portugal é dos países mais velhos da União Europeia e o indicador que mais custa não é a esperança de vida, é o que fica depois de lhe tirar os anos com saúde. É um número desconfortável, e é o número em que trabalha metade do setor social.

Tema
Evidência e tendências
Leitura
7 min de leitura
Publicado
20 de agosto de 2026
Autoria
Pedro Thomaz
Âmbito
Produto base · Classe I

Nesta página

Há um número em quase todas as apresentações sobre envelhecimento em Portugal: a esperança de vida subiu. É verdade e é boa notícia. Há um segundo número que aparece muito menos, e que muda a conversa toda.

Em Portugal, uma pessoa que chega aos 65 anos tem em média cerca de vinte anos de vida pela frente, e cerca de oito deles em boa saúde. Os dados de 2023 apontam para perto de 8,4 anos saudáveis depois dos 65, com as mulheres a viverem mais anos no total e menos anos com saúde do que os homens. Portugal está abaixo da média europeia neste indicador, ao contrário do que acontece na esperança de vida total.

A diferença entre os dois números anda pelos doze anos. Não é uma abstração estatística. São doze anos por pessoa, multiplicados por mais de dois milhões e meio de pessoas com 65 ou mais anos, perto de um quarto da população residente.

Doze anos é onde está o setor

Vale a pena perceber de que anos estamos a falar, porque a resposta define quem trabalha lá dentro:

Nenhuma destas respostas existe para acrescentar anos saudáveis. Existem todas para tornar habitáveis os anos que não são saudáveis. É uma missão diferente, e é frequentemente avaliada com os indicadores errados.

O que a tecnologia costuma prometer, e o que devia prometer

Quase toda a tecnologia vendida ao setor do envelhecimento é vendida do lado da prevenção: prevenir quedas, prevenir declínio, adiar a dependência. É um mercado legítimo e, quando funciona, é o melhor investimento que há.

Mas o discurso da prevenção tem um efeito colateral: deixa sem linguagem quem trabalha nos doze anos. Uma direção técnica de um lar não está a prevenir grande coisa: está a cuidar de pessoas que já atravessaram esse ponto. E quando todo o material promocional fala de prevenir, o que sobra é a sensação de que cuidar bem é um prémio de consolação.

Não é. Melhorar um dia mau é um resultado, não um paliativo do discurso.

Onde é que a realidade virtual entra, e onde não entra

Vamos ser diretos, porque é a única forma de isto ser útil.

O que a RVer não faz:

  • não acrescenta anos de vida saudável. Não há nada na literatura que sustente isso, e nós não o afirmamos;
  • não previne dependência, fragilidade ou quedas;
  • não substitui exercício, fisioterapia, nutrição ou convívio, que são as intervenções com evidência mais sólida do lado da prevenção;
  • não é uma intervenção de saúde pública. É um sistema usado numa sessão, com uma pessoa, sob supervisão de quem cuida.

O que faz, e é o que temos: ambientes imersivos usados dentro daqueles doze anos, como complemento não farmacológico, sob decisão da equipa clínica: momentos de calma, de reminiscência, de distração durante um procedimento incómodo, de presença da família à distância. Cada sessão fica registada, o que dá à equipa uma coisa que raramente tem: um registo do que se fez e quando.

A investigação publicada nesta área é sobretudo de bem-estar, ansiedade, dor e qualidade de vida, não de longevidade. Reunimo-la, com os temas e as contagens à vista, na biblioteca de estudos. E onde a evidência é fraca, dizemo-lo lá.

O indicador que falta às instituições

Se a missão é a qualidade dos anos e não a quantidade, os indicadores deviam segui-la. Na prática, quase nenhuma instituição mede o que faz nesse eixo: mede ocupação, incidentes e horas de cuidado, que são indicadores de operação.

Não temos uma solução fechada para isto, e desconfie de quem tiver. Temos uma observação: quando uma equipa começa a registar sessões de qualquer atividade não farmacológica, ganha pela primeira vez uma série temporal sobre a qual discutir. Não prova efeito. Permite conversar com dados em vez de impressões, e já é mais do que existia.

Em resumo

  • Cerca de vinte anos depois dos 65, cerca de oito com saúde. Portugal está abaixo da média da UE neste indicador.
  • A diferença é o terreno de trabalho dos lares, dos continuados, do domicílio e dos paliativos.
  • A realidade virtual não encurta essa diferença. Trabalha lá dentro.
  • Quem lhe prometer anos saudáveis com um visor está a extrapolar.

Perguntas frequentes

O que são anos de vida saudável?

É um indicador que estima quantos anos uma pessoa pode esperar viver sem limitações de atividade por problemas de saúde. Distingue-se da esperança de vida total, que conta todos os anos independentemente do estado de saúde. Em Portugal, aos 65 anos, a esperança de vida ronda os vinte anos e a esperança de vida saudável ronda os oito.

A realidade virtual aumenta a esperança de vida saudável?

Não há evidência que sustente essa afirmação, e não a fazemos. A investigação publicada sobre realidade virtual em contextos de saúde incide sobretudo em bem-estar, ansiedade, dor e qualidade de vida, não em longevidade nem em prevenção de dependência.

Então para que serve num lar ou em cuidados continuados?

Como complemento não farmacológico dentro dos anos vividos com limitação: momentos de calma, reminiscência, distração durante procedimentos e presença da família à distância, sempre sob decisão e supervisão da equipa clínica. Cada sessão fica registada, o que dá à equipa um histórico do que foi feito.

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