«Quanto tempo deve durar?» é das primeiras perguntas de qualquer equipa, e a resposta honesta começa por uma admissão: não existe uma dose estabelecida de realidade virtual, no sentido em que existe uma dose de um fármaco.
Vale a pena perceber porquê, porque isso muda a forma de decidir.
O que a literatura usa, e o que isso é
Nos trabalhos publicados sobre realidade virtual em contextos de saúde, as sessões costumam andar entre os dez e os vinte minutos, com alguns estudos mais curtos em procedimentos e alguns mais longos em reabilitação. É o intervalo que vai encontrar citado por toda a parte.
O que quase nunca se diz é de onde vem esse intervalo. Não vem de ensaios que tenham comparado durações para descobrir a melhor. Vem de decisões de logística: o tempo que o procedimento demorava, o tempo que a equipa de investigação tinha, a autonomia do equipamento, o que se achou que um participante toleraria. É o que coube, não o que se otimizou.
Portanto, quando um fornecedor lhe disser «vinte minutos, duas vezes por semana», pergunte-lhe de onde tirou aquilo. É uma extrapolação de intervalos de estudos com desenhos diferentes, populações diferentes e objetivos diferentes. Nós reunimos os trabalhos na biblioteca de estudos precisamente para que se possa ir ver, em vez de acreditar.
Três situações, três lógicas diferentes
Agrupar tudo sob «duração da sessão» é o erro. Há pelo menos três casos e decidem-se de maneiras diferentes.
1. Durante um procedimento. Aqui a duração não é uma escolha: é a duração do procedimento. Começa antes (o momento de colocar já faz parte) e acaba quando o procedimento acaba. Perguntar «quantos minutos?» não faz sentido — a resposta é «os que a punção, o penso ou a sessão de diálise demorar».
2. Como momento de calma ou de estimulação. Aqui há escolha, e a regra prática que as equipas convergem é curta: acabar antes de a pessoa querer acabar. Uma sessão que termina com a pessoa a pedir mais uma é a que faz com que haja uma próxima. Uma que se arrasta até ao cansaço faz com que a próxima seja recusada.
3. Em reabilitação. Aqui a duração está subordinada ao exercício e a quem o orienta. Não é o sistema que decide, é o plano do profissional — e a fadiga é o limite real, não o relógio.
A frequência é uma pergunta de agenda, não de farmacologia
Sobre «quantas vezes por semana», a resposta honesta é ainda mais curta: não há evidência que estabeleça uma frequência ótima. O que existe é o que a instituição consegue sustentar.
E aqui está a observação mais útil que temos: a frequência que se mantém vale mais do que a frequência ideal. Um lar que faz duas sessões por semana durante um ano faz mais do que um que planeia cinco e desiste ao segundo mês. A pergunta prática não é «qual é a melhor frequência?», é «qual é a maior frequência que esta equipa consegue manter em fevereiro, com uma pessoa de baixa?».
Sinais que mandam parar antes do fim
Independentemente do que estava planeado, a sessão acaba quando:
- a pessoa pede para acabar — sem negociação, e isto é o primeiro de todos;
- aparecem sinais de desconforto ou enjoo: palidez, suor, queixa de tonturas, procurar o apoio da cadeira;
- a pessoa deixa de responder ao que está a acontecer, ou parece perdida em vez de envolvida;
- há agitação crescente em vez de decrescente;
- quem conduz tem uma dúvida. A dúvida basta.
Nenhum destes sinais é uma falha. São informação, e valem mais registados do que lembrados.
O que o registo resolve, e o que não
Como não há dose de referência, o único caminho é olhar para o que acontece na sua instituição. Cada sessão fica registada — o que correu, quanto tempo, quando foi interrompida. Ao fim de alguns meses isso é uma série sobre a qual se pode discutir: as sessões desta pessoa são sistematicamente interrompidas aos cinco minutos? Este cenário aguenta mais tempo do que aquele?
O que isto não é: prova de efeito. Um registo diz o que se fez, não que tenha resultado. Um fornecedor que lhe apresente contagens de sessões como resultado clínico está a mudar de assunto — já escrevemos sobre o que não se consegue provar.
Em resumo
- Não há dose estabelecida. Os 10–20 minutos citados são logística de estudos, não um ótimo.
- Durante um procedimento, a duração é a do procedimento.
- Como momento de calma, acabar antes de a pessoa querer acabar.
- A frequência sustentável ganha à frequência ideal.
- Os sinais de paragem vencem sempre o plano — e a dúvida de quem conduz é um deles.