Atualizado a 16 de agosto de 2026.
«Onde está a poupança?» é a pergunta certa, e merece uma resposta que não seja um número inventado. A resposta honesta é que a poupança não é uma propriedade da tecnologia: é uma propriedade do vosso serviço. Há quatro sítios onde ela pode estar. Se nenhum deles se aplicar à vossa casa, não está lá, e mais vale sabê-lo antes de contratar.
Esta página faz parte do guia do ROI e trata do lado do hospital e da clínica. Para um lar, a conta é outra e está em quanto rende num lar.
Alavanca 1: Procedimentos que hoje exigem sedação
É a alavanca com o custo unitário mais alto: um procedimento sedado consome fármaco, tempo de anestesia, vigilância na recuperação e, muitas vezes, um acompanhante que fica o dia todo.
A literatura que estuda isto trabalha sobretudo em imagiologia pediátrica e em procedimentos curtos com distração. A condição para haver poupança é simples: essas pessoas teriam mesmo sido sedadas. Se no vosso serviço já se faz a maioria dos exames sem sedação, o custo evitado não existe: não porque a distração falhe, mas porque não havia despesa a evitar.
Alavanca 2: Tempo de procedimento e interrupções
Um doente calmo colabora, mexe-se menos, obriga a menos repetições. Onde isto conta é em salas cujo custo por minuto é alto e cuja agenda é o constrangimento: imagiologia, dentária, tratamento de feridas.
A pergunta a fazer é: quantos minutos por sessão, quantas sessões por dia, e o minuto de sala custa quanto? Sem esses três valores, qualquer estimativa é conversa.
Alavanca 3: Faltas, cancelamentos e desistências
Esta é a mais subestimada. Uma consulta ou exame que não acontece porque a pessoa não apareceu, ou porque entrou em pânico à porta, custa o slot inteiro. Em ressonância magnética e em consultas de dentária, o medo é uma causa reconhecida de não comparência.
Aqui a conta é fácil de fazer com dados que já têm: taxa de não comparência, custo do slot, e a fração dessa taxa que é atribuível a ansiedade ou claustrofobia.
Alavanca 4: Adesão em programas longos
Em reabilitação, o problema raramente é a primeira sessão: é a décima. Um programa abandonado a meio consome recursos e não produz o desfecho que justificava o gasto. O que a literatura de reabilitação em realidade virtual mais reporta é adesão e envolvimento: mais sessões completadas, não necessariamente melhor resultado clínico.
A quinta, que não é poupança
Experiência do doente, diferenciação, satisfação da família, atratividade para profissionais. É valor real e muitas vezes é o que decide a compra, mas não é uma linha de custo evitado, e apresentá-la como tal num caderno de encargos enfraquece o resto do argumento.
Um modelo que se aguenta
Para cada alavanca que se aplique ao vosso serviço:
custo unitário evitado × frequência real × probabilidade de evitar
A terceira parcela é a que quase toda a gente esquece, e é a que separa uma estimativa defensável de um folheto. Se não souber estimar a probabilidade, meça-a: é exatamente para isso que serve um piloto.
| Alavanca | Aplica-se se… |
|---|---|
| Sedação | os doentes em causa seriam sedados |
| Tempo de sala | o minuto de sala é caro e a agenda é o constrangimento |
| Faltas | a taxa de não comparência tem causa ansiosa identificável |
| Adesão | há programas longos com abandono conhecido |
Antes de usar qualquer número destes
Os valores publicados noutros países e noutros sistemas não transferem: mudam a população, o comparador e quem paga o quê. Está explicado em «O ROI que não se consegue provar», e é a leitura recomendada antes de escrever qualquer poupança num documento que alguém vai avaliar. Como medir o que é vosso está em como correr um piloto.
Nada nesta página é uma alegação de eficácia clínica nem uma promessa de poupança. São alavancas a verificar em cada serviço, com os dados desse serviço. O registo Classe I (INFARMED e EUDAMED) cobre o produto base e diz respeito a conformidade regulamentar, não a desempenho.
O RVer é um sistema de realidade virtual para uso clínico concebido para ambientes de saúde, cujo produto base está registado como Dispositivo Médico Classe I no INFARMED (CDM 94571546) e na EUDAMED (Basic UDI-DI 56006195127RVERTZ), e ostenta marcação CE ao abrigo do MDR 2017/745. Os módulos RVer Motion, RVer Neuro e RVer Exposure estão em desenvolvimento e não estão abrangidos por esse registo.
Perguntas frequentes
A realidade virtual reduz mesmo a necessidade de medicação?
A literatura de distração analgésica e de procedimentos com sedação estuda essa questão, mas a poupança só existe se essas pessoas fossem mesmo sedadas no vosso serviço. Se já se fazem os exames sem sedação, não havia custo a evitar. Não afirmamos redução de medicação com o nosso produto.
Como calculo o retorno para a minha instituição?
Para cada alavanca que se aplique: custo unitário evitado × frequência real × probabilidade de evitar. A terceira parcela é a que quase toda a gente esquece e a que separa uma estimativa defensável de um folheto. Se não souber estimá-la, meça-a num piloto.
Que evidência existe sobre poupança?
Pouca e muito específica: em outubro de 2026, dos 130 estudos da nossa biblioteca pública, oito são de custos e retorno, em contextos como imagiologia pediátrica sem sedação e dor pós-operatória. Os números deles não transferem diretamente para outro serviço, porque mudam a população, o comparador e quem paga o quê.
A experiência do doente conta como poupança?
Não. Experiência, diferenciação e satisfação são valor real e muitas vezes decidem a compra, mas não são uma linha de custo evitado. Apresentá-las como poupança num caderno de encargos enfraquece o resto do argumento.
