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Nem todas as demências são iguais numa sessão de realidade virtual

Fala-se de «demência» como se fosse uma coisa só. Numa sala de estimulação isso não se aguenta: quatro pessoas com quatro diagnósticos diferentes reagem de maneiras diferentes à mesma proposta.

Tema
Estimulação Cognitiva
Leitura
8 min de leitura
Publicado
21 de agosto de 2026
Autoria
RVer
Âmbito
Produto base · Classe I

Nos materiais comerciais deste setor, «demência» aparece quase sempre no singular. Quem trabalha numa sala sabe que não é assim: o que resulta com uma pessoa pode ser indiferente para outra e desconfortável para uma terceira, e o diagnóstico explica parte disso.

Não somos nós a decidir nada disto — a decisão é sempre da equipa clínica, que conhece a pessoa. O que se segue é o que costuma mudar na prática, para que a conversa com quem propõe tecnologia seja mais informada.

Doença de Alzheimer

É a mais comum e é aquela sobre a qual existe mais literatura em atividades não farmacológicas. A memória de acontecimentos recentes deteriora-se antes da memória antiga, o que torna a reminiscência o território mais natural: lugares da infância, a terra, o mar de sempre.

Na prática: conteúdo antigo e familiar antes de conteúdo novo. Uma paisagem genérica bonita costuma render menos do que um sítio com história pessoal, e a biografia vale mais do que qualquer catálogo. Já escrevemos em detalhe sobre Alzheimer.

Demência vascular

Tem duas características que mudam o planeamento. A evolução é frequentemente em degraus, e não em declive contínuo — há períodos estáveis e quedas abruptas. E a variabilidade dentro do mesmo dia pode ser grande.

Na prática: o que correu bem na semana passada pode não correr esta semana, e isso não é falha de ninguém. Vale a pena registar a sessão em vez de confiar na memória do turno, para que a equipa veja o padrão em vez de o adivinhar. Há frequentemente compromisso motor associado, o que torna a posição — sentado estável, ou o modo deitado — mais importante do que noutros casos.

Demência frontotemporal

É a que menos se parece com o estereótipo. Costuma começar mais cedo, por vezes antes dos 65 anos, e o que se altera primeiro é o comportamento, a linguagem ou o julgamento social — não necessariamente a memória.

Na prática: a pessoa pode compreender perfeitamente e ainda assim recusar de forma abrupta, ou perder o interesse a meio sem aviso. Não se negoceia. É também a população onde é mais fácil enganarmo-nos a interpretar sinais: uma reação plana não quer dizer que não esteja a acontecer nada, e uma reação intensa não quer dizer desconforto. E como muitas destas pessoas são mais novas, o conteúdo de reminiscência «para idosos» é desadequado — a biografia é de outra geração.

Demência por corpos de Lewy — e aqui a prudência é maior

Esta merece um parágrafo próprio, porque tem características que interagem diretamente com o que uma experiência imersiva faz.

As alucinações visuais são frequentes e fazem parte do quadro, muitas vezes desde cedo. Há também perturbações da perceção visual e do processamento visuoespacial, flutuações marcadas do estado de alerta ao longo do dia, e frequentemente sinais motores de tipo parkinsónico.

Pôr um ecrã imersivo diante de alguém cuja perceção visual está alterada não é uma decisão neutra. Não temos evidência de dano, e também não temos evidência de segurança nesta população — o que existe é razão para prudência acrescida e para a decisão ser tomada por quem conhece o caso, com observação atenta e sessões curtas, se é que se faz. A sensibilidade a fármacos neurolépticos que caracteriza esta demência não tem relação com isto, mas é um lembrete de que é um quadro onde as reações fogem ao esperado.

Se há uma frase para levar deste artigo, é esta: um fornecedor que lhe apresente realidade virtual como boa para «demência» sem distinguir corpos de Lewy não estudou o assunto.

O que é comum a todas

  • A pessoa, não o diagnóstico, decide o conteúdo. O diagnóstico ajuda a antecipar; a biografia é que escolhe.
  • Sessões curtas, mais curtas do que noutros contextos.
  • Alguém conhecido ao lado, a falar. A voz faz parte da sessão.
  • Parar ao primeiro sinal, e a recusa não se negoceia.
  • Registar o que se observou com as palavras do que se viu, não com conclusões.

O que o RVer não faz

Convém ser explícito: não avalia, não classifica e não diagnostica. Não distingue tipos de demência, não sugere conteúdo com base em diagnóstico, e não mede resposta. A funcionalidade assistida por IA ajuda a encontrar um cenário a partir do tipo de momento que a equipa descreve, e a escolha é sempre da equipa.

E a literatura, que reunimos na biblioteca, é sobretudo de bem-estar e reminiscência em demência ligeira a moderada. Para estádios avançados, e para corpos de Lewy em particular, é escassa.

Em resumo

  • «Demência» no singular é uma simplificação comercial.
  • Alzheimer: reminiscência, conteúdo antigo e familiar.
  • Vascular: variabilidade em degraus; registar em vez de confiar na memória.
  • Frontotemporal: mais nova, recusa abrupta, biografia de outra geração.
  • Corpos de Lewy: alucinações e perceção visual alteradas — prudência maior, e sem evidência de segurança nesta população.

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