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Duas coisas diferentes chamam-se «realidade virtual em saúde mental»

A saúde mental é hoje o segmento que mais cresce na realidade virtual aplicada à saúde. O problema é que sob o mesmo rótulo se vendem dois produtos com finalidades, exigências e riscos diferentes — e a confusão custa dinheiro e credibilidade a quem compra o errado.

Tema
Saúde Mental
Leitura
6 min de leitura
Publicado
3 de setembro de 2026
Autoria
RVer
Âmbito
Produto base · Classe I

Todas as análises de mercado apontam para o mesmo: dentro da realidade virtual aplicada à saúde, a saúde mental é o segmento que mais cresce — à frente da cirurgia, da formação e da reabilitação. O interesse é real e a evidência, nalgumas áreas, também.

O efeito colateral é menos simpático: sob a expressão «realidade virtual em saúde mental» estão hoje dois produtos diferentes, que exigem coisas diferentes de quem os compra. Um serviço que adquire um a pensar que está a adquirir o outro descobre-o tarde — normalmente já com equipamento no armário.

Este artigo é um mapa para separar os dois, e diz sem rodeios em qual deles está a RVer.

O primeiro: terapia de exposição em realidade virtual

É psicoterapia. Recria de forma controlada a situação temida — a altura, o avião, a aranha, a plateia — para que a pessoa a enfrente por passos, com a intensidade a subir ao ritmo dela, até a resposta de medo diminuir.

Duas características definem-na, e ambas são exigentes:

  • É conduzida por um profissional de saúde mental, dentro de um plano terapêutico. A tecnologia é o cenário; o tratamento é o trabalho do clínico.
  • Provoca ansiedade de propósito. É esse o mecanismo. Não é um efeito secundário a evitar.

A evidência para fobias específicas é das mais fortes de toda a investigação em RV na saúde, e reunimo-la em realidade virtual no tratamento de fobias. Nas perturbações de ansiedade em geral o quadro é mais variado — ver realidade virtual e perturbações de ansiedade.

O que uma instituição precisa para usar isto: psicólogos ou psiquiatras com formação na técnica, tempo de consulta, enquadramento clínico e, conforme a alegação do fabricante, um dispositivo com classe de risco superior à nossa. Sem essas pessoas, o equipamento não faz nada — não é software que se instale e funcione sozinho.

O segundo: ambientes de conforto e bem-estar

Não é psicoterapia e não deve ser apresentado como tal. É uma experiência de conforto, distração e atividade significativa, conduzida por profissionais da instituição, que complementa os cuidados existentes.

O mecanismo é o oposto do primeiro: em vez de aproximar a pessoa do que a assusta, afasta a atenção do que a incomoda — a espera, o procedimento, a tarde longa, o quarto sempre igual. E o critério de sucesso também é outro: não é a extinção de uma resposta de medo ao longo de semanas, é como correu esta sessão, hoje.

É aqui que a RVer está. O produto base é um Dispositivo Médico Classe I, e a fronteira que isso implica está descrita em dispositivo médico Classe I: não fazemos alegações de tratamento, não substituímos acompanhamento clínico e não fornecemos terapia de exposição.

Porque é que a distinção não é cosmética

Três consequências práticas de trocar um pelo outro:

Quem conduz. No primeiro caso, um profissional de saúde mental com formação na técnica. No segundo, a equipa da instituição com formação de utilização — enfermagem, terapia ocupacional, animação sociocultural — como descrevemos em quem pode conduzir uma sessão. Comprar o primeiro sem ter as pessoas do primeiro é comprar um armário de equipamento parado.

O que se promete. Um serviço que apresenta ambientes de conforto como tratamento de ansiedade cria uma expectativa que o produto não cumpre, e é a instituição — não o fornecedor — que fica à frente do doente quando isso se nota.

O que se mede. Métricas de psicoterapia (redução sintomática ao longo de um plano) aplicadas a sessões de bem-estar produzem um relatório que diz que o projeto falhou, quando o projeto nunca prometeu aquilo. Escolher a métrica errada é a forma mais silenciosa de matar um piloto que estava a correr bem.

Seis perguntas para fazer a qualquer fornecedor

Funcionam ao telefone, antes de agendar demonstração:

  1. Qual é a finalidade prevista declarada do produto, e qual é a classe de risco do dispositivo?
  2. O produto trata alguma condição, ou complementa cuidados? Peçam a frase exata, por escrito.
  3. Quem tem de estar na sala para uma sessão — um psicoterapeuta, ou um profissional da equipa com formação de utilização?
  4. A experiência provoca ansiedade de propósito em algum momento?
  5. Que evidência existe para a finalidade declarada — e não para «realidade virtual em saúde» em geral?
  6. Que formação vem incluída, e para que perfil profissional?

As respostas às perguntas 3 e 4 separam os dois produtos em menos de um minuto, e não há resposta má: há a resposta que corresponde ao que o serviço precisa e a que não corresponde. Os critérios completos de aquisição estão em como escolher realidade virtual terapêutica.

O que isto não significa

Não significa que o segundo produto seja o primo pobre do primeiro. Significa que respondem a perguntas diferentes.

A maior parte dos serviços que nos contacta não tem lista de espera de fobias específicas para tratar: tem doentes ansiosos à espera de um exame, residentes com tardes vazias, pessoas acamadas sem nada para fazer entre as visitas. Para essas situações, um plano de psicoterapia por RV seria a ferramenta errada — cara, sobredimensionada e dependente de pessoas que o serviço não tem. E se o que o serviço precisa mesmo é do primeiro produto, o mais útil que podemos fazer é dizê-lo à primeira reunião, que é o que fazemos.

O lugar do não farmacológico no sistema, e as suas fronteiras, ficaram escritos em saúde mental em Portugal.

A plataforma RVer tem como produto base um Dispositivo Médico Classe I certificado pelo Infarmed. As sessões são conduzidas por profissionais da instituição, complementam os cuidados existentes e não substituem avaliação, psicoterapia ou acompanhamento clínico.

Um caso concreto?

Diga-nos qual é a situação

Respondemos com sim, com «é preciso testar», ou com não — as três acontecem, e a última também é útil.

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