O Dia Mundial dos Cuidados Paliativos celebra-se no segundo sábado de outubro: em 2026, a 10 de outubro, o mesmo dia do Dia Mundial da Saúde Mental. A Worldwide Hospice Palliative Care Alliance escolheu como tema Pain Management: An Essential Part of Palliative Care, a gestão da dor como parte essencial dos cuidados paliativos.
A aliança justifica a escolha com a dor tratada no seu todo: física, psicológica, social e espiritual. É uma ideia com mais de meio século, e continua a ser a mais útil para pensar o tema.
A dor total
O conceito de dor total vem de Cicely Saunders, fundadora do movimento moderno dos cuidados paliativos. Numa doença grave, a dor raramente é só física: junta-se o medo, a solidão, as contas por resolver, as perguntas sobre sentido. As componentes interagem, e tratar uma deixando as outras de lado deixa o doente com dor.
Para uma equipa, a consequência prática é que a pergunta «tem dores?» é necessária e insuficiente.
Onde entra o não farmacológico, e onde não entra
O controlo da dor física é farmacológico e é da equipa médica. Nada do que vem a seguir o substitui ou altera.
O não farmacológico entra ao lado, e é aí que uma sessão de realidade virtual pode ajudar a gerir alguns momentos:
- Momentos de dor previsível, como mobilizações ou pensos, em que a distração imersiva é uma das ferramentas estudadas. O mecanismo está em realidade virtual na gestão da dor.
- A componente social: a família que não pode estar. A chamada de família permite a quem está longe ver o que o doente vê e falar com ele. Escrevemos sobre isso em videochamadas com a família.
- A componente biográfica e espiritual: voltar a um sítio que conta. Não é por acaso que o destino mais pedido é Fátima.
O que isto não é: não é analgesia, não é controlo de sintomas e não se apresenta como tal. Quem decide se faz sentido, e quando, é a equipa que segue o doente.
Uma sessão curta, que pára quando a pessoa quer
Em cuidados paliativos o tempo é curto e conhecido. A sessão faz-se deitado, se for preciso, dura o que a pessoa quiser e acaba a pedido dela. Com quem já não comunica, a decisão é da equipa e da família: ver doente que já não comunica: vale a pena a sessão?.
Três perguntas para a equipa, no dia 10
- Na última avaliação de dor, perguntámos pelas outras três componentes, ou só pela física?
- O que é que acalma esta pessoa, e está escrito num sítio que o próximo turno leia?
- Há alguém da família que queria estar e não pode?
Em resumo
- 10 de outubro de 2026: o tema é a gestão da dor como parte essencial dos cuidados paliativos.
- A dor total tem quatro componentes: física, psicológica, social e espiritual.
- O controlo da dor física é farmacológico e da equipa médica.
- O não farmacológico entra ao lado: distração em momentos previsíveis, a família, os lugares que contam.
- A sessão pára quando a pessoa quer.
A plataforma RVer tem como produto base um Dispositivo Médico Classe I registado no Infarmed. As sessões são conduzidas por profissionais da instituição, complementam os cuidados existentes e não substituem avaliação, tratamento ou acompanhamento clínico.