O mercado de saúde digital europeu cresce e, ao mesmo tempo, concentra-se: o capital vai para menos empresas e maiores, e o que existe por baixo é uma cauda comprida de fornecedores pequenos. Nós somos um deles.
Isso cria um risco que raramente aparece num caderno de encargos e que é inteiramente da instituição: o equipamento fica, o fornecedor pode não ficar.
Vale mais discutir isto de frente do que esperar que ninguém pergunte.
Porque é que isto é diferente noutros setores
Se um fornecedor de cadeiras fechar, as cadeiras continuam a ser cadeiras. Em software e equipamento ligado, o produto pode deixar de funcionar sem ninguém lhe tocar: uma licença que expira, um servidor que desliga, uma loja de aplicações que deixa de servir a aplicação.
A pergunta certa não é «são sólidos?» — todos dizem que sim. É:
O que é que continua a funcionar no dia em que vocês desaparecerem?
As sete perguntas
Valem para qualquer fornecedor pequeno de tecnologia de saúde:
- O produto funciona sem os vossos servidores? Se a resposta for não, está a comprar uma assinatura de um serviço, não um equipamento.
- Precisa de internet para a utilização normal?
- Se a empresa desaparecer, o que para de funcionar exatamente, e quando?
- Os dados são exportáveis num formato aberto, sem vos pedir nada?
- Quem consegue reparar ou substituir o hardware sem ser vocês?
- O contrato prevê o quê em caso de cessação, insolvência ou aquisição?
- Quantas pessoas conseguem manter isto a funcionar? Se for uma, é uma pessoa e não uma empresa.
As nossas respostas, incluindo as que não nos favorecem
O que continua a funcionar sem nós:
- A reprodução do conteúdo já instalado. Os cenários estão no equipamento e correm sem internet. Um headset com a biblioteca instalada continua a fazer sessões.
- O comando a partir do browser, porque corre na rede local da instituição, não na nossa nuvem.
- O hardware. O equipamento é comercial e não foi modificado por nós; não fica inutilizado.
O que deixa de funcionar:
- Conteúdo novo. O catálogo é gerado a partir do nosso backoffice. Sem nós, a biblioteca congela no que estiver instalado.
- Atualizações da aplicação, correções e novas funcionalidades.
- Suporte, formação e substituição de equipamento avariado ao abrigo do contrato.
- Os módulos em desenvolvimento, que já hoje não estão abrangidos pelo registo de dispositivo médico e não devem contar na decisão de compra.
Resumindo sem adornos: as sessões continuam, a evolução para. É uma resposta melhor do que a de muitos produtos que dependem de nuvem para funcionar, e é pior do que «não muda nada» — que não seria verdade.
O que uma instituição pode exigir por contrato
Nada disto é exótico e a maior parte dos fornecedores aceita, se lhe pedirem:
- Exportação de dados em formato aberto, a pedido e sem custo.
- Prazo de aviso prévio em caso de cessação do serviço.
- Cláusula de continuidade que garanta a utilização do que está instalado.
- Documentação de operação suficiente para outra pessoa perceber o sistema.
Se um fornecedor recusar a primeira, é um sinal por si só.
O outro lado, que também é honesto
Empresas grandes descontinuam produtos com a mesma facilidade — só que sem aviso e sem ninguém para falar. «Comprar ao maior» reduz o risco de insolvência e aumenta o risco de irrelevância: um produto pequeno dentro de uma empresa grande é o primeiro a ser cortado numa reorganização.
O que reduz risco a sério não é o tamanho do fornecedor. É a arquitetura — funciona sem eles? — e o contrato.
Em resumo
- O equipamento fica, o fornecedor pode não ficar, e o risco é da instituição.
- A pergunta é o que continua a funcionar, não se o fornecedor é sólido.
- Connosco: as sessões continuam (conteúdo instalado, rede local, hardware comercial) e a evolução para (conteúdo novo, atualizações, suporte).
- Exija exportação de dados e cláusula de continuidade. Quem recusa está a responder-lhe.
- Comprar ao maior troca um risco por outro, não o elimina.