O projeto-piloto SAD+Saúde junta apoio domiciliário social e cuidados de saúde para pessoas em situação de dependência, incapacidade ou deficiência que não conseguem, temporária ou permanentemente, assegurar as necessidades básicas ou os cuidados de saúde.
Arrancou com protocolos entre o Instituto da Segurança Social e cinco entidades do setor social e solidário, uma por região do continente: a Associação de Solidariedade de S. Pedro (Norte), a Santa Casa da Misericórdia de Arganil (Centro), a Fundação AFID Diferença (Lisboa e Vale do Tejo), a Santa Casa da Misericórdia de Mora (Alentejo) e a Santa Casa da Misericórdia de Portimão (Algarve).
Os serviços incluem refeições, cuidados de higiene, apoio à medicação, tratamento de roupa, limpeza da casa, acompanhamento ao exterior — farmácia, supermercado — e apoio psicossocial. As equipas são multidisciplinares, das áreas sociais, do comportamento e da saúde.
O que isto sinaliza
Cinco instituições não mudam o país. O que muda é o desenho: pela primeira vez num piloto com esta forma, o apoio social e o cuidado de saúde entram pela mesma porta, em casa da pessoa.
Quem trabalha nesta área conhece a fronteira absurda que isto tenta apagar. A senhora tem apoio domiciliário da Misericórdia, que lhe leva o almoço e lhe dá banho. Tem uma equipa de saúde do centro de saúde, que passa quando passa. As duas raramente falam. A pessoa é a mesma e o problema é o mesmo, mas os registos são dois e as decisões são tomadas às cegas de cada lado.
A integração de cuidados não falha por falta de vontade. Falha porque há dois orçamentos, duas tutelas e dois sistemas de informação — e a pessoa está no meio.
O que isto significa para quem pensa em tecnologia
Uma coisa incómoda, e vale a pena dizê-la: o domicílio é o contexto mais difícil para qualquer equipamento.
Num lar há uma sala, uma tomada conhecida, uma pessoa responsável e uma rotina. Em casa há escadas, há um sofá encostado à janela, há um cuidador que já está exausto, e há um técnico que fica quarenta minutos e tem mais seis visitas nesse dia.
Já escrevemos sobre o que a tecnologia faz — e sobretudo o que não faz — em cuidador informal: o que a tecnologia faz em casa. A conclusão mantém-se: em casa, a coisa mais valiosa raramente é um aparelho novo. É tempo de alguém, e é informação que atravessa a fronteira entre o social e a saúde.
Onde é que a RVer se encaixa nisto
Com honestidade: hoje, não é no domicílio individual. O sistema é usado por equipas clínicas em instituições — hospitais, clínicas, lares, unidades de cuidados continuados e paliativos. É lá que existe a rotina, a formação e a pessoa responsável que uma sessão acompanhada exige.
O que o SAD+Saúde sinaliza, e que interessa a médio prazo, é outra coisa: o cuidado está a deslocar-se para casa. Quem desenha ferramentas para este setor tem de assumir que a sala de atividades não vai ser o único sítio onde elas são usadas — e que uma ferramenta que só funciona com internet, com configuração técnica e com um informático por perto não vai lá chegar.
É uma das razões pelas quais a reprodução funciona sem internet e o modo de utilização é de quiosque. Não foi pensado para o domicílio; foi pensado para instituições onde a rede é má e ninguém tem tempo. Acontece que a segunda condição descreve bem a primeira.
Fontes: Governo lança projeto-piloto SAD+Saúde, XXV Governo Constitucional; Projeto SAD+SAÚDE, Fundação AFID Diferença.