É a objeção mais honesta que nos fazem, e normalmente vem de alguém que já teve de justificar uma compra: «um tablet com vídeos de natureza custa duzentos euros. Porque é que havemos de comprar isto?»
A resposta merece ser dada a sério, incluindo a parte em que o tablet ganha.
O que muda fisicamente
Há três diferenças concretas, e nenhuma delas é opinião.
O campo de visão fica ocupado. Com um tablet, a pessoa vê o ecrã e vê a sala: a agulha, a máquina, o profissional. Com um visor, vê o cenário e mais nada. Isto é a diferença central, e é dela que decorrem quase todas as outras.
A imagem responde a olhar em volta. Vídeo 360° acompanha o movimento da cabeça, portanto olhar para o lado mostra o que está do lado. Num tablet, virar a cabeça mostra a parede.
O som é espacial. Vem de direções, não de um altifalante à frente.
O que isso significa na prática
Para procedimentos, ocupar o campo de visão é o objetivo, não um efeito secundário. Alguém com medo de agulhas que não consegue ver a agulha está numa situação diferente de alguém que a vê ao lado de um ecrã.
Para pessoas acamadas, um tablet tem de ser segurado ou apoiado, e fica sempre no sítio errado. Um visor com modo deitado alinha o horizonte com a inclinação da cabeça — a imagem aparece direita mesmo com a pessoa a 30° ou a 90°.
Para reminiscência, estar num sítio não é o mesmo que ver um sítio. Se essa diferença se traduz em benefício mensurável, é outra conversa — e é a conversa a seguir.
O que a evidência diz sobre esta comparação em concreto
Pouco, e é preciso dizê-lo.
Há bastante investigação sobre realidade virtual em contextos de saúde, e há bastante sobre distração como estratégia. Estudos que comparem diretamente um visor com um tablet, no mesmo procedimento e com o mesmo conteúdo, são poucos.
Portanto qualquer pessoa que lhe garanta que a realidade virtual é x por cento melhor do que um ecrã está a extrapolar. Nós não o afirmamos. A nossa biblioteca de estudos está aberta precisamente para que veja o que existe e o que não existe.
A pergunta certa não é «qual é melhor». É «qual é adequado a este momento, neste serviço, com esta pessoa» — e há muitos momentos em que a resposta é o tablet.
Quando o tablet é a resposta certa
Digamo-lo por escrito, porque é verdade:
- Quando a pessoa precisa de continuar a ver a sala — porque está ansiosa por perder a referência, porque precisa de comunicar por gestos, ou porque a equipa precisa de lhe ver a cara.
- Quando a família quer ver também. Um tablet é partilhável; um visor é uma experiência de uma pessoa de cada vez.
- Quando há contraindicação. Enjoo grave, perturbações vestibulares, epilepsia não controlada — a lista está na nossa página de perguntas frequentes.
- Quando a pessoa simplesmente não quer tapar os olhos. Acontece, e é uma razão suficiente.
- Quando o orçamento não chega. Um tablet com bons conteúdos é melhor do que um visor que ninguém comprou.
O que se compra além do visor
Se a comparação for só «visor contra tablet», o tablet ganha em preço, sempre. A comparação honesta é entre um equipamento e um sistema:
- conteúdo escolhido para o contexto clínico, e não uma lista de vídeos;
- gestão de vários equipamentos a partir de um ecrã, com paragem à distância;
- registo do que correu em cada sessão, para a equipa interpretar;
- funcionamento sem internet durante a sessão;
- formação da equipa, incluída;
- um fabricante identificado, com documentação técnica, avaliação de risco e um caminho formal para comunicar incidentes.
O produto base do RVer está registado no Infarmed como dispositivo médico de Classe I, com o n.º CDM 94571546, e ostenta marcação CE ao abrigo do MDR 2017/745. Um tablet com uma aplicação de vídeos não tem nada disto — o que não o torna pior, torna-o outra coisa.
Em resumo
- A diferença física é real: o campo de visão fica ocupado, a imagem acompanha a cabeça, o som tem direção.
- A diferença de resultado clínico entre os dois está pouco estudada. Quem lhe der um número está a extrapolar.
- Em vários casos o tablet é a escolha certa, e um fornecedor que nunca o admita está a vender-lhe alguma coisa.
- O que distingue não é o visor — é o que vem à volta dele.
Se está a decidir entre os dois para um serviço concreto, diga-nos qual é o momento clínico. Se a resposta for o tablet, dizemos-lho.