A doença de Parkinson é uma perturbação neurodegenerativa do movimento. Os sinais motores mais conhecidos são a lentidão, a rigidez, o tremor em repouso e a instabilidade postural — e é esta última que, com o tempo, se torna a mais limitante no dia a dia, porque é a que traz o medo de cair.
A fisioterapia e o exercício orientado são parte estabelecida do acompanhamento. A pergunta que aparece cada vez mais é se a realidade virtual acrescenta alguma coisa a esse trabalho — e é aí que convém separar o que está a ser estudado do que já está demonstrado.
O que a literatura anda a estudar
Reunimos oito publicações sobre Parkinson na nossa biblioteca de estudos. Lidas em conjunto, o que salta à vista é onde a investigação se concentra:
- Benefits of Virtual Reality Balance Training for Patients With Parkinson Disease: Systematic Review, Meta-analysis
- The Effectiveness of Virtual Reality in Improving Balance and Gait in People with Parkinson's Disease
- Efeitos da realidade virtual no equilíbrio e marcha de indivíduos com doença de Parkinson: uma revisão sistemática
- The Effectiveness of Virtual Reality Exercises to Reduce Fall Risk in Parkinson's Disease: A Literature Review
- Precision intervention of virtual reality training for balance and gait in Parkinson's disease: a dose–response analysis
- Effects of Virtual Reality in the Rehabilitation of Parkinson's Disease: A Systematic Review
- Supporting Tremor Rehabilitation Using Optical See-Through Augmented Reality Technology
- Designing Virtual Reality Assisted Psychotherapy for Anxiety in Older Adults Living with Parkinson's Disease
Seis das oito olham para a mesma tríade: equilíbrio, marcha e risco de queda. Uma pergunta pela dose — quanto, com que frequência, durante quanto tempo — que é a pergunta que uma equipa clínica faz a seguir a «funciona?». Uma sai do motor e vai para a ansiedade em pessoas idosas com Parkinson, que é um lado da doença de que se fala menos. E uma trata de tremor, com realidade aumentada em vez de virtual, que é tecnologia diferente.
O que isso diz, e o que não diz
Diz que existe um corpo de investigação organizado à volta de um problema concreto e bem definido: o equilíbrio e a queda. Não é um tema de moda à procura de aplicação — é o contrário, uma necessidade clínica antiga à procura de ferramentas.
Não diz que o assunto está fechado. Revisões sistemáticas e meta-análises existem precisamente porque os estudos individuais discordam entre si, e o facto de haver uma análise dose-resposta na lista é o sinal mais claro de que os parâmetros ainda estão em discussão.
E há uma distinção que se perde muitas vezes: «realidade virtual» não é uma intervenção única. Um ambiente gerado por computador com deslocação, um jogo de consola com sensor de movimento e um vídeo 360° real filmado de um ponto fixo são coisas diferentes, com riscos diferentes e provavelmente com efeitos diferentes. Uma revisão que agregue as três está a somar peras com maçãs, e as boas revisões dizem-no.
Estes estudos são sobre realidade virtual como tecnologia. Não são estudos clínicos do RVer, não foram feitos com o RVer, e não constituem uma afirmação de desempenho do produto. Estão na biblioteca porque são o contexto em que o produto existe, não porque o validem.
Onde é que o RVer se posiciona nisto
Com honestidade: o produto base do RVer é uma biblioteca de vídeo 360° para conforto, distração, relaxamento, reminiscência e atividade guiada. Não é um programa de reabilitação do equilíbrio para a doença de Parkinson, e não afirmamos que trate a doença nem que reduza quedas.
O RVer Motion — movimento acompanhado, com registo de repetições e amplitude por sessão — é um módulo em desenvolvimento e não abrangido pelo registo de dispositivo médico Classe I, que cobre o produto base. Quem lhe chamar reabilitação está a ir à frente do que existe.
O que o sistema faz, e faz bem, é entregar conteúdo sob supervisão de uma equipa de saúde, com registo do que correu na sessão para a equipa interpretar. A decisão clínica é de quem está na sala.
Para quem trabalha com Parkinson
Se está a ponderar realidade virtual num serviço de neurologia ou numa unidade de reabilitação, três perguntas poupam tempo:
- Que tipo de realidade virtual? Vídeo filmado e ambiente gerado por computador não são a mesma proposta, nem em risco nem em efeito.
- Que evidência é sobre este produto, e que evidência é sobre a tecnologia em geral? São coisas distintas e um fornecedor sério distingue-as.
- Quem conduz a sessão, e com que formação?
As oito publicações estão na biblioteca de estudos, acessíveis para leitura direta. Não é preciso acreditar em nós.