A quimioterapia trata o corpo, mas tem um custo que vai além do físico. As sessões são longas (por vezes várias horas ligado a um soro), atravessadas por ansiedade, antecipação e sintomas como náuseas e fadiga. Para muitos doentes, o desgaste psicológico da espera é uma parte real da experiência.
A realidade virtual oferece algo simples mas valioso nesse contexto: uma forma de sair mentalmente da sala de tratamento sem sair da cadeira.
O mecanismo: ocupar a atenção, aliviar a espera
Durante uma infusão prolongada, a atenção tende a fixar-se na sala, no soro e em cada sensação corporal, e essa concentração amplifica a ansiedade e o desconforto. A realidade virtual imersiva ocupa a visão e a audição, transportando o doente para um ambiente calmo ou para uma experiência envolvente.
Com a atenção noutro lugar, há menos espaço mental para a ansiedade antecipatória e para a vigilância dos sintomas. O tempo de tratamento passa de forma diferente: menos como uma espera, mais como uma pausa.
O que diz a evidência
A oncologia é uma das áreas onde a distração por RV tem ganho atenção crescente, com resultados encorajadores (ver o tema ansiedade da biblioteca):
- Ensaios com doentes em quimioterapia mostram redução da ansiedade e melhoria do estado de espírito durante as sessões com recurso a realidade virtual.
- Vários estudos apontam para menor perceção de náuseas e fadiga quando a sessão decorre com distração imersiva.
- A RV é particularmente adequada porque a experiência da quimioterapia combina tempo de espera longo com carga emocional alta: exatamente o terreno onde a distração imersiva é mais útil.
Não muda o tratamento, mas pode mudar a forma como o doente o vive, e, ao longo de muitos ciclos, isso conta.
Porque importa, para além da sessão
- Melhor experiência ao longo de muitos ciclos: quem faz quimioterapia repete sessões durante semanas ou meses; tornar cada uma mais tolerável tem efeito cumulativo.
- Menos ansiedade antecipatória: uma experiência menos pesada pode reduzir o receio das sessões seguintes.
- Abordagem não farmacológica: útil como complemento, sem adicionar medicação.
Nota importante: a realidade virtual é uma abordagem complementar e não farmacológica. Não substitui a quimioterapia, a medicação antiemética, a avaliação ou as decisões dos profissionais de saúde, e é sempre utilizada sob a sua supervisão e integrada no plano de cuidados. Este artigo é informativo e não constitui aconselhamento clínico.
O papel do RVer
O RVer é um sistema de realidade virtual concebido para ambientes de saúde e registado como Dispositivo Médico Classe I (produto base) no INFARMED e na EUDAMED, com marcação CE ao abrigo do MDR 2017/745. Foi desenhado para ser simples de iniciar pela equipa, confortável para o doente e sem recolha de dados clínicos do paciente: adequado a uma sala de tratamento, num hospital ou hospital de dia, onde o tempo e o conforto contam.
Quando o tratamento é longo e difícil, dar ao doente um lugar melhor para onde olhar tem valor próprio.
Referências
Estudos independentes sobre realidade virtual em oncologia e quimioterapia (investigação geral, não específica de qualquer produto):
- Czech et al. (2024). Terapia imersiva em RV no bem-estar psicológico e físico de mulheres com cancro da mama: ensaio controlado aleatorizado (Current Oncology)
- Erdős e Horváth (2023). RV e variáveis psicológicas e fisiológicas em crianças durante a quimioterapia: estudo-piloto cruzado (Integrative Cancer Therapies)
Perguntas frequentes
A realidade virtual ajuda durante a quimioterapia?
Os estudos em oncologia apontam nesse sentido: ensaios com distração por realidade virtual durante a quimioterapia registaram menos ansiedade e melhor estado de espírito durante as sessões, e alguns referem menor perceção de náuseas e fadiga. São estudos de investigadores independentes, não do RVer, e a realidade virtual não substitui o tratamento.
Como é usada a realidade virtual nas sessões de quimioterapia?
Durante a infusão, que pode durar horas, o doente coloca um headset imersivo e é transportado para um ambiente relaxante ou para uma experiência envolvente. A distração afasta a atenção da sala, do soro e dos sintomas, tornando a espera menos pesada.
É seguro para doentes oncológicos?
A realidade virtual é uma abordagem não invasiva e complementar, usada sob supervisão da equipa de saúde e integrada no plano de cuidados. Não substitui qualquer tratamento médico. As sessões são adaptadas à condição e ao conforto de cada doente.
