Realidade virtual na pediatria: tornar os procedimentos menos assustadores
Para uma criança, o hospital é um lugar estranho e muitas vezes assustador. A realidade virtual terapêutica fala a linguagem que as crianças melhor compreendem — a do brincar e da imaginação.
Uma criança não processa um internamento como um adulto. Não consegue racionalizar a necessidade de um procedimento nem relativizar o desconforto. O que sente é mais direto: medo do desconhecido, ansiedade perante o que aí vem. Acompanhar uma criança em contexto hospitalar exige ferramentas que falem a sua linguagem — e a realidade virtual terapêutica fala-a particularmente bem.
Porque a RV funciona tão bem com crianças
A realidade virtual combina dois elementos a que as crianças respondem naturalmente: imersão e brincadeira. Em vez de pedir a uma criança que "fique quieta e não pense no que vai acontecer", oferece-lhe um lugar para onde ir com a imaginação.
- A imersão é total — o campo de visão é substituído, afastando os estímulos clínicos que assustam.
- O envolvimento é ativo — olhar à volta, explorar e reagir mantém a criança ocupada de forma genuína.
- A linguagem é familiar — o registo do jogo e da fantasia é aquele em que a criança já vive.
Para uma criança, não estar a "ser tratada" mas a "estar noutro lugar" muda completamente a forma como o momento é vivido.
O mecanismo: distração que reduz o medo
Tal como na gestão da dor, a atenção é um recurso limitado. Quando a criança está totalmente envolvida num ambiente imersivo, sobra menos atenção para o medo e para o desconforto do procedimento. Esta distração não engana a criança — apenas lhe dá um lugar melhor onde focar a atenção enquanto a equipa faz o seu trabalho.
Contextos pediátricos relevantes
- Procedimentos de curta duração, como punções, pensos ou pequenas intervenções.
- Períodos de espera, frequentemente carregados de ansiedade antecipatória.
- Momentos de desconforto durante o internamento, em que distrair ajuda a acalmar.
Nota importante: a realidade virtual terapêutica em pediatria é uma abordagem complementar, usada com conteúdos e tempos adequados à idade e sempre sob supervisão de profissionais de saúde. Não substitui o acompanhamento dos pais, a avaliação clínica nem a presença da equipa.
O papel do RVer
O RVer é um sistema de terapia imersiva por realidade virtual concebido para ambientes de saúde e certificado como Dispositivo Médico Classe I pelo Infarmed, em conformidade com o regulamento europeu MDR 2017/745. Foi desenhado para ser simples de usar pelas equipas clínicas e confortável para o doente — incluindo os mais novos — sem recolha de dados clínicos do paciente.
Em pediatria, o objetivo é tornar momentos difíceis um pouco mais leves: dar à criança um lugar para onde ir enquanto recebe os cuidados de que precisa.
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