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Realidade virtual na pediatria: tornar os procedimentos menos assustadores

Para uma criança, o hospital é um lugar estranho e muitas vezes assustador. A realidade virtual para uso clínico fala a linguagem que as crianças melhor compreendem: a do brincar e da imaginação.

Tema
Contextos clínicos
Leitura
6 min de leitura
Publicado
4 de junho de 2026
Autoria
Pedro Thomaz
Âmbito
Produto base · Classe I

Nesta página

Uma criança não processa um internamento como um adulto. Não consegue racionalizar a necessidade de um procedimento nem relativizar o desconforto. O que sente é mais direto: medo do desconhecido, ansiedade perante o que aí vem. Acompanhar uma criança em contexto hospitalar exige ferramentas que falem a sua linguagem, e a realidade virtual para uso clínico fala-a particularmente bem.

Porque a RV funciona tão bem com crianças

A realidade virtual combina dois elementos a que as crianças respondem naturalmente: imersão e brincadeira. Em vez de pedir a uma criança que "fique quieta e não pense no que vai acontecer", oferece-lhe um lugar para onde ir com a imaginação.

  • A imersão é total: o campo de visão é substituído, afastando os estímulos clínicos que assustam.
  • O envolvimento é ativo: olhar à volta, explorar e reagir mantém a criança ocupada de forma genuína.
  • A linguagem é familiar: o registo do jogo e da fantasia é aquele em que a criança já vive.

Para uma criança, não estar a "ser tratada" mas a "estar noutro lugar" muda completamente a forma como o momento é vivido.

O mecanismo: distração que reduz o medo

Tal como na gestão da dor, a atenção é um recurso limitado. Quando a criança está totalmente envolvida num ambiente imersivo, sobra menos atenção para o medo e para o desconforto do procedimento. Esta distração não engana a criança, apenas lhe dá um lugar melhor onde focar a atenção enquanto a equipa faz o seu trabalho.

Contextos pediátricos relevantes

  • Procedimentos de curta duração, como punções, pensos ou pequenas intervenções.
  • Períodos de espera, frequentemente carregados de ansiedade antecipatória.
  • Momentos de desconforto durante o internamento, em que distrair ajuda a acalmar.

Nota importante: a realidade virtual para uso clínico em pediatria é uma abordagem complementar, usada com conteúdos e tempos adequados à idade e sempre sob supervisão de profissionais de saúde. Não substitui o acompanhamento dos pais, a avaliação clínica nem a presença da equipa.

O que dizem os estudos

A distração por realidade virtual em procedimentos pediátricos é das áreas mais estudadas da realidade virtual em saúde. Alguns exemplos da nossa biblioteca de estudos:

São estudos sobre realidade virtual em geral, com equipamentos e conteúdos próprios de cada equipa de investigação. Não são estudos do RVer, e os resultados são dos autores.

O papel do RVer

O RVer é um sistema de realidade virtual concebido para ambientes de saúde e registado como Dispositivo Médico Classe I (produto base) no INFARMED e na EUDAMED, com marcação CE ao abrigo do MDR 2017/745. Foi desenhado para ser simples de usar pelas equipas clínicas e confortável para o doente, incluindo os mais novos, sem recolha de dados clínicos do paciente.

Em pediatria, o objetivo é tornar momentos difíceis um pouco mais leves: dar à criança um lugar para onde ir enquanto recebe os cuidados de que precisa.

O RVer usa-se a partir dos 10 anos. Sobre as restantes precauções, ver a realidade virtual faz mal?.

Perguntas frequentes

A realidade virtual é segura para crianças em contexto hospitalar?

Quando utilizada sob supervisão de profissionais de saúde, com conteúdos e tempos adequados à idade, a realidade virtual para uso clínico é uma abordagem não invasiva e não farmacológica. É sempre integrada no plano clínico e usada apenas quando apropriado para cada criança.

Em que situações pediátricas pode ajudar?

Pode ajudar a reduzir o medo e a ansiedade associados a procedimentos de curta duração (como punções ou pensos), períodos de espera e momentos de desconforto, captando a atenção da criança num ambiente imersivo e envolvente.

A realidade virtual substitui a presença dos pais ou da equipa?

Não. É uma ferramenta complementar. O acompanhamento dos pais e da equipa clínica continua a ser essencial; a realidade virtual apenas acrescenta uma forma de distração e conforto durante momentos difíceis.

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