Realidade virtual na dor crónica: o que a evidência mostra
A dor crónica funciona de forma diferente da dor aguda, e exige abordagens diferentes. A realidade virtual surge aqui não só como distração, mas como parte de uma estratégia mais ampla — com evidência crescente.
A dor crónica não é simplesmente uma dor aguda que se prolongou. É um fenómeno distinto, em que o sistema nervoso se mantém em estado de alerta mesmo quando a lesão inicial já sarou — um processo por vezes descrito como sensibilização central. Por isso, as ferramentas que ajudam na dor aguda nem sempre se aplicam da mesma forma. A realidade virtual é uma das que tem vindo a ser estudada também neste contexto mais complexo.
Dor aguda vs. dor crónica: porque o mecanismo muda
Na dor aguda — um penso, uma punção — a realidade virtual atua sobretudo por distração imediata: ocupa a atenção durante o procedimento e reduz a dor percebida nesse momento.
Na dor crónica, o objetivo é mais amplo. Não se trata de atravessar um momento, mas de viver melhor com uma condição prolongada. Aqui a RV combina vários elementos:
- Distração e relaxamento, para baixar a tensão e a hipervigilância à dor.
- Regulação fisiológica, por vezes através de biofeedback — o doente vê e aprende a influenciar sinais como a respiração ou a variabilidade cardíaca.
- Redução do impacto na vida diária, mais do que a eliminação da dor em si.
O que dizem os ensaios clínicos
A investigação é recente mas encorajadora, sobretudo em duas condições muito procuradas:
- Fibromialgia — um ensaio controlado e aleatorizado publicado na ACR Open Rheumatology (2025) testou realidade virtual imersiva combinada com biofeedback multissensorial. O grupo de tratamento apresentou dor significativamente menor (P = 0,011) e melhoria no questionário de impacto da fibromialgia (P = 0,018), acompanhadas de melhorias fisiológicas (variabilidade cardíaca, ritmo respiratório, condutância da pele) e elevada satisfação, sem problemas de segurança.
- Lombalgia crónica — uma revisão sistemática com meta-análise concluiu que a reabilitação baseada em realidade virtual está associada a redução significativa da dor em pessoas com dor lombar.
O padrão é consistente: a realidade virtual, sobretudo combinada com relaxamento e biofeedback, pode reduzir a intensidade da dor crónica e o seu impacto — como parte de uma abordagem mais ampla.
Os limites que é honesto referir
- Muitos estudos são ainda ensaios-piloto, com amostras pequenas; faltam ensaios de maior escala.
- O efeito tende a ser pequeno a moderado e varia entre pessoas e condições.
- A dor crónica exige uma abordagem multidisciplinar; a RV é um complemento, não o centro do tratamento.
Nota importante: a realidade virtual é uma abordagem complementar e não farmacológica. A dor crónica deve ser avaliada e acompanhada por profissionais de saúde, no âmbito de um plano multidisciplinar. Este artigo é informativo e não constitui aconselhamento clínico.
O papel do RVer
O RVer é um sistema de terapia imersiva por realidade virtual concebido para ambientes de saúde e certificado como Dispositivo Médico Classe I pelo Infarmed, em conformidade com o regulamento europeu MDR 2017/745. Atua pela imersão, relaxamento e conforto — simples de usar pelas equipas e sem recolha de dados clínicos do paciente.
Na dor crónica, a promessa honesta não é "acabar com a dor", mas oferecer uma ferramenta validada que ajude a reduzir o seu peso no dia a dia, sempre integrada no plano definido pelos profissionais de saúde.
Referências
Estudos independentes sobre realidade virtual e dor crónica (investigação geral, não específica de qualquer produto):
- Immersive VR + biofeedback na fibromialgia — ensaio aleatorizado, ACR Open Rheumatology (2025)
- Reabilitação por RV na lombalgia — revisão sistemática e meta-análise
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