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Privacidade e RGPD na realidade virtual em saúde: porque é que não recolher dados é uma decisão de design

Em saúde, cada dado recolhido é uma responsabilidade. A abordagem mais robusta à privacidade começa por uma pergunta simples: este dado precisa mesmo de existir?

Tema
Adoção e custos
Leitura
6 min de leitura
Publicado
4 de junho de 2026
Autoria
RVer
Âmbito
Produto base · Classe I

Em saúde, a conversa sobre proteção de dados costuma centrar-se em como guardar a informação de forma segura: encriptação, controlos de acesso, registos de auditoria. Tudo isto é necessário. Mas há uma abordagem ainda mais robusta, e frequentemente esquecida: não recolher o dado de todo.

É um princípio que o próprio RGPD consagra — a minimização de dados. E na realidade virtual para uso clínico, é possível aplicá-lo de forma quase total.

O dado mais seguro é o que não existe

Cada dado pessoal recolhido cria obrigações: justificar a base legal, garantir segurança, definir prazos de conservação, responder a pedidos de acesso ou eliminação, e gerir o risco de uma eventual violação. Os dados de saúde acrescentam ainda mais exigência, por serem uma categoria especial de dados ao abrigo do RGPD.

Por isso, a pergunta certa no início de qualquer projeto não é "como vamos proteger este dado?", mas sim "precisamos mesmo de o recolher?". Sempre que a resposta é não, todo o risco a jusante desaparece.

Não há fuga possível de um dado que nunca foi recolhido. A minimização não é só conformidade — é a forma mais simples de gestão de risco.

A função terapêutica não precisa de identificar o doente

O valor de uma sessão de realidade virtual para uso clínico — distração, relaxamento, conforto — não depende de saber quem é o paciente nem de registar os seus dados de saúde. A experiência imersiva funciona da mesma forma sem essa recolha.

A gestão operacional necessária — saber que equipamentos existem, em que estado estão, em que serviço se encontram — pode ser feita ao nível do dispositivo e do serviço, não do indivíduo. Separar a gestão da frota da identidade do paciente é o que permite manter a solução útil sem a tornar um repositório de dados clínicos.

O que isto simplifica na prática

  • Menor superfície de risco — menos dados pessoais significa menos pontos de exposição numa eventual violação.
  • Conformidade mais simples de demonstrar — a minimização de dados é um princípio explícito do RGPD, não uma exceção.
  • Confiança mais fácil de conquistar — para o serviço e para o doente, "não recolhemos os seus dados clínicos" é uma garantia clara e verificável.

Nota importante: a conformidade com o RGPD é uma responsabilidade partilhada entre o fornecedor da solução e a instituição de saúde que a utiliza. A abordagem aqui descrita reduz o risco na origem, mas não dispensa as obrigações organizacionais de cada instituição quanto ao tratamento de dados.

O papel do RVer

O RVer é um sistema de terapia imersiva por realidade virtual concebido para ambientes de saúde e registado como Dispositivo Médico Classe I (produto base) no Infarmed, com marcação CE ao abrigo do MDR 2017/745. Foi desenhado para funcionar sem recolha de dados clínicos do paciente — uma escolha de design que coloca a privacidade no centro, em vez de a tratar como um acréscimo posterior.

Em saúde, a tecnologia mais responsável é, muitas vezes, a que pede menos. Proteger os dados do doente começa por decidir, à partida, não os recolher.

As perguntas que o departamento de informática costuma juntar a estas estão em as oito perguntas da informática.

Sobre a parte do consentimento propriamente dito, ver é preciso consentimento?.

Um caso concreto?

Diga-nos qual é a situação

Respondemos com sim, com «é preciso testar», ou com não — as três acontecem, e a última também é útil.

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