A maior barreira à adoção de uma nova tecnologia em saúde raramente é a tecnologia em si. É o tempo. Equipas já sobrecarregadas não adotam ferramentas que acrescentam fricção, por melhores que sejam. Por isso, integrar a realidade virtual para uso clínico com sucesso é, sobretudo, um exercício de encaixe no fluxo de trabalho.
Comece por encontrar os momentos certos
A realidade virtual para uso clínico não cria um novo bloco na agenda — encaixa-se em momentos que já existem e que hoje são "tempo morto" ou tempo difícil:
- A espera antes de um procedimento, carregada de ansiedade.
- O próprio procedimento de curta duração, em que a distração ajuda.
- Momentos de desconforto ou agitação durante o internamento.
Identificar estes momentos no percurso do doente é o primeiro passo. A ferramenta entra onde já há uma necessidade, não onde é preciso inventar espaço.
Mantenha simples quem opera
Se usar o sistema exigir um técnico dedicado, a adoção morre. O objetivo é que qualquer membro da equipa — enfermagem, auxiliares, terapeutas — possa iniciar uma sessão com formação mínima.
Regra prática: se for preciso um manual para começar uma sessão, a ferramenta é demasiado complexa para o terreno.
Sessões curtas, encaixadas no real
Intervenções longas competem com tudo o resto e perdem. Sessões curtas, ajustadas ao doente e ao momento, encaixam-se sem desorganizar a rotina. O melhor desenho é aquele que se adapta ao fluxo existente, em vez de exigir que o fluxo se adapte a ele.
Higiene e logística previsíveis
Para usar entre doentes, o equipamento precisa de uma rotina de limpeza simples e clara e de uma logística previsível — onde fica, quem o carrega, como se prepara. Sem isto, mesmo uma boa ferramenta acaba esquecida num armário.
Nota importante: a realidade virtual para uso clínico é uma abordagem complementar, integrada no plano de cuidados e usada sob supervisão de profissionais de saúde. A sua adoção deve respeitar os protocolos clínicos e de controlo de infeção de cada instituição.
O papel do RVer
O RVer é um sistema de terapia imersiva por realidade virtual concebido para ambientes de saúde e registado como Dispositivo Médico Classe I (produto base) no Infarmed, com marcação CE ao abrigo do MDR 2017/745. Foi desenhado precisamente com a adoção em mente: simples de operar pelas equipas, confortável para o doente e sem recolha de dados clínicos do paciente.
A tecnologia certa em saúde não é a mais sofisticada — é a que a equipa consegue, de facto, usar todos os dias.
A pergunta que vem a seguir ao fluxo é quem o executa: quem pode conduzir uma sessão.
Para testar o fluxo antes de o adotar, ver como correr um piloto.