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Como financiar realidade virtual: orçamento, apoios e alternativas à compra

O problema costuma não ser o preço: é a rubrica. Investimento ou despesa corrente é a pergunta que decide se o projeto arranca este trimestre ou daqui a um ano.

Tema
Adoção e custos
Leitura
7 min de leitura
Publicado
2 de julho de 2026
Autoria
Pedro Thomaz
Âmbito
Produto base · Classe I

Nesta página

Atualizado a 16 de agosto de 2026.

Quando uma instituição reconhece o valor da realidade virtual para uso clínico, o travão que aparece a seguir raramente é técnico. É financeiro, mas não do modo que se pensa. O problema costuma não ser o preço; é a rubrica. E aí há mais portas do que a compra direta.

Esta página faz parte do guia do ROI; aqui trata-se de como pagar, não de quanto rende.

Primeiro: não há comparticipação ao doente

Convém ser claro, porque é a primeira pergunta. A realidade virtual para uso clínico não tem comparticipação direta ao doente, como teria um medicamento prescrito. É adquirida pela instituição (hospital, clínica, lar, IPSS) enquanto equipamento e ferramenta de trabalho.

Isto não é má notícia: significa apenas que a via certa não é a receita, é a decisão de aquisição da organização.

Quem faz o quê: RVer e instituição Tabela de responsabilidades. Equipamento: a RVer é dona, mantém e substitui; a instituição usa e nunca compra. Conteúdo: a RVer dá a biblioteca validada e as actualizações; a instituição escolhe o que usa e com quem. Formação: a RVer forma a equipa; a instituição liberta as pessoas. Sessão: a RVer regista; a instituição conduz e acompanha. Dados: a RVer não guarda cópia dos dados de utilização; a instituição é a responsável pelo tratamento. Decisão clínica: a RVer não tem nenhuma parte; a instituição tem-na toda. RVer Instituição Equipamento É nosso. Mantemos e substituímos. Usa. Nunca compra. Conteúdo Biblioteca validada e actualizações. Escolhe o que usa, e com quem. Formação Formamos a equipa. Liberta as pessoas. Sessão Regista o que aconteceu. Conduz e acompanha. Dados Não guardamos cópia. É a responsável pelo tratamento. Decisão clínica Nenhuma. Toda. A RVer regista; quem lê e decide é a equipa.
A divisão de responsabilidades entre a RVer e a instituição, do equipamento à decisão clínica.

Segundo, e igualmente importante

O registo de dispositivo médico não confere elegibilidade a apoios públicos. São coisas separadas: o registo diz respeito a conformidade regulamentar; a elegibilidade depende do programa de financiamento concreto, das suas regras e do momento em que está aberto. Desconfie de quem apresentar o registo como passaporte para um apoio: nós não o fazemos.

A pergunta que decide tudo: investimento ou despesa corrente?

É aqui que a maioria dos processos encalha, e é uma pergunta de contabilidade, não de tecnologia:

  • Investimento (capital). Compra de equipamento. Tem de entrar no plano de investimentos, tem limiares de aprovação e, muitas vezes, um ciclo anual. Se o plano deste ano já fechou, o projeto espera doze meses.
  • Despesa corrente. Um serviço pago por ano ou por mês. Sai da rubrica de funcionamento, com limiares de aprovação mais baixos e sem esperar pelo ciclo.

O RVer é sempre a segunda: um serviço anual, com os equipamentos a continuarem nossos. A instituição usa, nunca compra, e por isso não fica à espera do plano de investimentos. Vale a pena confirmar com a direção financeira, antes de pedir uma proposta, em que rubrica entra.

As vias, por ordem de rapidez

  1. Orçamento de funcionamento: a via mais rápida quando o valor mensal cabe nos limiares de quem decide localmente.
  2. Contratação pública: quando o valor ou as regras da entidade pedem um procedimento, com os prazos que ele traz.
  3. Mecenato, doações e fundações: comum em IPSS e misericórdias, e particularmente adequado a algo que se mostra a quem doa.
  4. Apoios e programas de financiamento: existem, mudam, e têm de ser verificados caso a caso, no momento, para o seu tipo de entidade. Não assumimos elegibilidade por si.
  5. Projetos com parceiros clínicos ou académicos: quando o RVer entra num protocolo ou numa co-validação.

Estas são as principais. A lista completa, por tipo de instituição (hospital e ULS, IPSS e misericórdias), com o estado de cada programa, está em Como financiar e contratar.

O argumento interno, escrito para quem assina

Quem aprova raramente é quem vai usar. O documento que costuma passar tem quatro linhas e nenhuma delas é entusiasmo:

  • o que resolve, em uma frase, com o problema que já é conhecido lá dentro;
  • o custo total anual, incluindo o tempo de equipa (a linha que ninguém soma: está no guia do ROI);
  • o que se compromete a medir nos primeiros três meses;
  • como se para, se não resultar.

Essa última é a que dá confiança a quem assina. Uma proposta que não prevê como terminar parece um risco maior do que é.

Testar antes de decidir

Um piloto de três meses resolve a maior parte da discussão orçamental, porque troca uma promessa por dados vossos. O que medir (e o que não vale a pena tentar medir) está em como correr um piloto e em «O ROI que não se consegue provar».

Num lar, a conta que costuma abrir a porta ao orçamento é outra, e está em quanto rende num lar.

Nada nesta página é aconselhamento financeiro ou jurídico, nem uma garantia de elegibilidade a qualquer apoio. As regras dos programas mudam e dependem do tipo de entidade; confirme junto da entidade gestora do programa.

O RVer é um sistema de realidade virtual para uso clínico concebido para ambientes de saúde, cujo produto base está registado como Dispositivo Médico Classe I no INFARMED (CDM 94571546) e na EUDAMED (Basic UDI-DI 56006195127RVERTZ), e ostenta marcação CE ao abrigo do MDR 2017/745. Os módulos RVer Motion, RVer Neuro e RVer Exposure estão em desenvolvimento e não estão abrangidos por esse registo.

Perguntas frequentes

A realidade virtual para uso clínico é comparticipada?

Não ao nível do doente, como seria um medicamento prescrito. É contratada pela instituição como serviço e ferramenta de trabalho, portanto o financiamento faz-se do lado da organização.

O registo de dispositivo médico dá acesso a apoios públicos?

Não. São coisas separadas: o registo diz respeito a conformidade regulamentar, e a elegibilidade depende das regras do programa de financiamento concreto e do tipo de entidade. Deve ser confirmada junto da entidade gestora do programa, caso a caso.

Que vias existem para financiar?

As principais, por ordem de rapidez: orçamento de funcionamento, contratação pública, mecenato e fundações, programas de apoio (a verificar caso a caso) e projetos com parceiros clínicos ou académicos. A lista completa, por tipo de instituição, está em Como financiar e contratar (rver.pt/aquisicao/).

Porque é que a diferença entre investimento e despesa corrente é tão importante?

Porque muda o caminho de aprovação. Uma compra entra no plano de investimentos, com limiares mais altos e um ciclo anual; um serviço sai da rubrica de funcionamento, com limiares mais baixos. O RVer é um serviço anual: a instituição usa, nunca compra, e por isso não espera pelo ciclo de investimento.

É possível testar antes de investir?

Sim, e é o que resolve a maior parte da discussão orçamental: um piloto de três meses troca uma promessa por dados da própria instituição. Convém decidir antes o que se vai medir: sessões realizadas, quem passou a participar, tempo real da equipa e recusas.

Um caso concreto?

Diga-nos qual é a situação

Respondemos com sim, com «é preciso testar», ou com não. As três acontecem, e a última também é útil.

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