Atualizado a 16 de agosto de 2026.
Quando uma instituição avalia adotar realidade virtual para uso clínico, a primeira pergunta costuma ser «quanto custa?». É a pergunta errada para começar, ou, pelo menos, é meia pergunta. O preço do serviço é a parte mais fácil e mais visível da conta.
Esta página é o ponto de partida do tema: o que entra no custo, onde está o retorno em cada contexto, e o que não se consegue provar. Cada secção aponta para o artigo que a desenvolve. O custo anual comparado com o nível de evidência publicada está em Custo anual vs evidência.
Primeiro: não há uma conta, há três
O erro mais comum é aplicar a aritmética de um hospital a uma casa que não é um hospital. As alavancas são diferentes, e algumas simplesmente não existem:
| Contexto | O que domina a conta | Onde aprofundar |
|---|---|---|
| Hospital e clínica | tempo de procedimento, sedação, faltas e cancelamentos | onde está a poupança |
| Lar residencial | ocupação, tempo de equipa por atividade | quanto rende num lar |
| Qualquer um | o que a evidência económica sustenta | o ROI que não se consegue provar |
Num lar não há bloco operatório nem sedação para evitar. Num hospital, a taxa de ocupação de camas não se resolve com uma atividade. Começar pela conta certa poupa meia reunião.
O custo total, linha a linha
O preço do serviço, com os equipamentos incluídos, é a linha que toda a gente vê. As outras quatro são as que decidem se o serviço se paga:
- Tempo de equipa. É a maior de todas e a mais esquecida. Uma sessão são cerca de cinco minutos para escolher e colocar o equipamento, mais o tempo de sessão. Multiplicado pelo custo-hora real da vossa equipa, é o custo recorrente que conta.
- Higiene entre utilizações. Rotina curta, mas existe e consome minutos. Está descrita em higiene e segurança do equipamento.
- Formação inicial. Quanto tempo até a equipa estar operacional sem supervisão. Se for muito, o equipamento fica na arrecadação.
- Espaço e logística. Onde fica, quem o prepara, como circula entre pisos ou serviços.
Quanto maior o atrito em cada um destes pontos, maior o custo real, independentemente do preço na fatura.
O retorno mede-se no uso, não no contrato
Um serviço contratado e pouco usado tem retorno zero, por muito boa que seja a tecnologia. É por isso que a métrica que melhor prevê o valor de uma instalação é a mais simples: sessões realizadas por semana.
Tudo o que aumenta o atrito (um cabo que falta, uma senha que ninguém sabe, uma rotina de higiene demasiado longa, depender da Wi-Fi do hospital) reduz o uso e, com ele, o retorno. Foi por isso que o conteúdo fica no equipamento e não depende da rede.
O que não entra na conta
Não conte com redução de medicação, menos quedas ou melhoria clínica. Não há ensaios que sustentem essas linhas para o nosso produto, e apresentá-las num caderno de encargos constrói um caso que não sobrevive à primeira pergunta difícil de quem avalia.
A literatura económica sobre realidade virtual em saúde é escassa: dos 130 estudos da nossa biblioteca pública (outubro de 2026), oito são de custos e retorno, e todos de contextos muito específicos. Porque é que os números deles não são os vossos está explicado em «O ROI que não se consegue provar».
Como provar no primeiro serviço
Um piloto de três meses responde melhor do que qualquer folheto, desde que se decida antes o que se vai contar. Quatro métricas chegam: sessões realizadas, quem participou que antes não participava, tempo real da equipa por sessão, e recusas ou interrupções.
Nenhuma é clínica, de propósito. Um piloto responde a perguntas de implementação e não responde a eficácia. Como o desenhar está em como correr um piloto, e como escrever os requisitos sem pedir coisas que não existem está em «O caderno de encargos».
E se o orçamento não chega este ano
O RVer é um serviço anual: entra no orçamento de funcionamento e não exige investimento inicial. As vias (acordos de cooperação, mecenato, prémios de fundações, autarquias) estão em Como financiar e contratar, e as opções ( orçamento corrente, apoios, alternativas ao investimento) estão em como financiar.
Em resumo
| Se é… | Comece por |
|---|---|
| Hospital ou clínica | as quatro alavancas de poupança |
| Lar residencial | a conta da ocupação |
| Quem vai a concurso | o caderno de encargos |
| Quem tem de justificar à direção | o piloto de três meses |
Nada nesta página é uma alegação de eficácia. O registo de dispositivo médico Classe I (INFARMED e EUDAMED) cobre o produto base e diz respeito a conformidade regulamentar, não a desempenho clínico. As decisões sobre o plano de cuidados são sempre da equipa clínica.
O RVer é um sistema de realidade virtual para uso clínico concebido para ambientes de saúde, cujo produto base está registado como Dispositivo Médico Classe I no INFARMED (CDM 94571546) e na EUDAMED (Basic UDI-DI 56006195127RVERTZ), e ostenta marcação CE ao abrigo do MDR 2017/745. Os módulos RVer Motion, RVer Neuro e RVer Exposure estão em desenvolvimento e não estão abrangidos por esse registo.
Perguntas frequentes
Como se avalia o retorno de um investimento em realidade virtual em saúde?
Começando pelo contexto, porque as alavancas mudam: num hospital contam tempo de procedimento, sedação e faltas; num lar conta sobretudo a ocupação e o tempo de equipa por atividade. Em qualquer dos casos, a métrica que melhor prevê o valor é o número de sessões realizadas por semana: um equipamento pouco usado tem retorno zero.
O custo é apenas o preço do serviço?
Não. Além do preço do serviço há quatro linhas recorrentes: tempo de equipa por sessão (a maior de todas), higiene entre utilizações, formação inicial, e espaço e logística. Quanto maior o atrito em cada uma, maior o custo real, independentemente do preço na fatura.
Posso contar com poupança em medicação ou menos quedas?
Não. Não há ensaios que sustentem essas linhas para o nosso produto. Em outubro de 2026, dos 130 estudos da nossa biblioteca pública, oito são de custos e retorno, e todos de contextos muito específicos. Apresentar poupança clínica num caderno de encargos constrói um caso que não sobrevive à primeira pergunta difícil.
Como evitar que o equipamento se torne um custo sem retorno?
Reduzindo o atrito de uso e medindo. O conteúdo fica no equipamento e não depende da rede, a rotina de higiene é curta, e um piloto de três meses com quatro métricas (sessões realizadas, quem passou a participar, tempo real da equipa e recusas) mostra em pouco tempo se entrou na rotina.
E se não houver orçamento este ano?
O RVer é um serviço anual e não exige investimento inicial. As vias (orçamento corrente, acordos de cooperação, mecenato, prémios de fundações, autarquias) estão na página Como financiar e contratar. Vale a pena perceber as opções antes de assumir que o projeto fica para o ano seguinte.
