Artigos / Adoção e custos

Quanto custa e o que rende: o guia do ROI da realidade virtual em saúde

O preço do serviço é a parte fácil da conta. Esta página é o ponto de partida: as três contas diferentes, o custo que ninguém soma, e o que não se consegue provar.

Tema
Adoção e custos
Leitura
8 min de leitura
Publicado
4 de junho de 2026
Autoria
Pedro Thomaz
Âmbito
Produto base · Classe I

Nesta página

Atualizado a 16 de agosto de 2026.

Quando uma instituição avalia adotar realidade virtual para uso clínico, a primeira pergunta costuma ser «quanto custa?». É a pergunta errada para começar, ou, pelo menos, é meia pergunta. O preço do serviço é a parte mais fácil e mais visível da conta.

Esta página é o ponto de partida do tema: o que entra no custo, onde está o retorno em cada contexto, e o que não se consegue provar. Cada secção aponta para o artigo que a desenvolve. O custo anual comparado com o nível de evidência publicada está em Custo anual vs evidência.

Primeiro: não há uma conta, há três

O erro mais comum é aplicar a aritmética de um hospital a uma casa que não é um hospital. As alavancas são diferentes, e algumas simplesmente não existem:

Contexto O que domina a conta Onde aprofundar
Hospital e clínica tempo de procedimento, sedação, faltas e cancelamentos onde está a poupança
Lar residencial ocupação, tempo de equipa por atividade quanto rende num lar
Qualquer um o que a evidência económica sustenta o ROI que não se consegue provar

Num lar não há bloco operatório nem sedação para evitar. Num hospital, a taxa de ocupação de camas não se resolve com uma atividade. Começar pela conta certa poupa meia reunião.

Quem faz o quê: RVer e instituição Tabela de responsabilidades. Equipamento: a RVer é dona, mantém e substitui; a instituição usa e nunca compra. Conteúdo: a RVer dá a biblioteca validada e as actualizações; a instituição escolhe o que usa e com quem. Formação: a RVer forma a equipa; a instituição liberta as pessoas. Sessão: a RVer regista; a instituição conduz e acompanha. Dados: a RVer não guarda cópia dos dados de utilização; a instituição é a responsável pelo tratamento. Decisão clínica: a RVer não tem nenhuma parte; a instituição tem-na toda. RVer Instituição Equipamento É nosso. Mantemos e substituímos. Usa. Nunca compra. Conteúdo Biblioteca validada e actualizações. Escolhe o que usa, e com quem. Formação Formamos a equipa. Liberta as pessoas. Sessão Regista o que aconteceu. Conduz e acompanha. Dados Não guardamos cópia. É a responsável pelo tratamento. Decisão clínica Nenhuma. Toda. A RVer regista; quem lê e decide é a equipa.
A divisão de responsabilidades entre a RVer e a instituição, do equipamento à decisão clínica.

O custo total, linha a linha

O preço do serviço, com os equipamentos incluídos, é a linha que toda a gente vê. As outras quatro são as que decidem se o serviço se paga:

  • Tempo de equipa. É a maior de todas e a mais esquecida. Uma sessão são cerca de cinco minutos para escolher e colocar o equipamento, mais o tempo de sessão. Multiplicado pelo custo-hora real da vossa equipa, é o custo recorrente que conta.
  • Higiene entre utilizações. Rotina curta, mas existe e consome minutos. Está descrita em higiene e segurança do equipamento.
  • Formação inicial. Quanto tempo até a equipa estar operacional sem supervisão. Se for muito, o equipamento fica na arrecadação.
  • Espaço e logística. Onde fica, quem o prepara, como circula entre pisos ou serviços.

Quanto maior o atrito em cada um destes pontos, maior o custo real, independentemente do preço na fatura.

O retorno mede-se no uso, não no contrato

Um serviço contratado e pouco usado tem retorno zero, por muito boa que seja a tecnologia. É por isso que a métrica que melhor prevê o valor de uma instalação é a mais simples: sessões realizadas por semana.

Tudo o que aumenta o atrito (um cabo que falta, uma senha que ninguém sabe, uma rotina de higiene demasiado longa, depender da Wi-Fi do hospital) reduz o uso e, com ele, o retorno. Foi por isso que o conteúdo fica no equipamento e não depende da rede.

O que não entra na conta

Não conte com redução de medicação, menos quedas ou melhoria clínica. Não há ensaios que sustentem essas linhas para o nosso produto, e apresentá-las num caderno de encargos constrói um caso que não sobrevive à primeira pergunta difícil de quem avalia.

A literatura económica sobre realidade virtual em saúde é escassa: dos 130 estudos da nossa biblioteca pública (outubro de 2026), oito são de custos e retorno, e todos de contextos muito específicos. Porque é que os números deles não são os vossos está explicado em «O ROI que não se consegue provar».

Como provar no primeiro serviço

Um piloto de três meses responde melhor do que qualquer folheto, desde que se decida antes o que se vai contar. Quatro métricas chegam: sessões realizadas, quem participou que antes não participava, tempo real da equipa por sessão, e recusas ou interrupções.

Nenhuma é clínica, de propósito. Um piloto responde a perguntas de implementação e não responde a eficácia. Como o desenhar está em como correr um piloto, e como escrever os requisitos sem pedir coisas que não existem está em «O caderno de encargos».

E se o orçamento não chega este ano

O RVer é um serviço anual: entra no orçamento de funcionamento e não exige investimento inicial. As vias (acordos de cooperação, mecenato, prémios de fundações, autarquias) estão em Como financiar e contratar, e as opções ( orçamento corrente, apoios, alternativas ao investimento) estão em como financiar.

Em resumo

Se é… Comece por
Hospital ou clínica as quatro alavancas de poupança
Lar residencial a conta da ocupação
Quem vai a concurso o caderno de encargos
Quem tem de justificar à direção o piloto de três meses

Nada nesta página é uma alegação de eficácia. O registo de dispositivo médico Classe I (INFARMED e EUDAMED) cobre o produto base e diz respeito a conformidade regulamentar, não a desempenho clínico. As decisões sobre o plano de cuidados são sempre da equipa clínica.

O RVer é um sistema de realidade virtual para uso clínico concebido para ambientes de saúde, cujo produto base está registado como Dispositivo Médico Classe I no INFARMED (CDM 94571546) e na EUDAMED (Basic UDI-DI 56006195127RVERTZ), e ostenta marcação CE ao abrigo do MDR 2017/745. Os módulos RVer Motion, RVer Neuro e RVer Exposure estão em desenvolvimento e não estão abrangidos por esse registo.

Perguntas frequentes

Como se avalia o retorno de um investimento em realidade virtual em saúde?

Começando pelo contexto, porque as alavancas mudam: num hospital contam tempo de procedimento, sedação e faltas; num lar conta sobretudo a ocupação e o tempo de equipa por atividade. Em qualquer dos casos, a métrica que melhor prevê o valor é o número de sessões realizadas por semana: um equipamento pouco usado tem retorno zero.

O custo é apenas o preço do serviço?

Não. Além do preço do serviço há quatro linhas recorrentes: tempo de equipa por sessão (a maior de todas), higiene entre utilizações, formação inicial, e espaço e logística. Quanto maior o atrito em cada uma, maior o custo real, independentemente do preço na fatura.

Posso contar com poupança em medicação ou menos quedas?

Não. Não há ensaios que sustentem essas linhas para o nosso produto. Em outubro de 2026, dos 130 estudos da nossa biblioteca pública, oito são de custos e retorno, e todos de contextos muito específicos. Apresentar poupança clínica num caderno de encargos constrói um caso que não sobrevive à primeira pergunta difícil.

Como evitar que o equipamento se torne um custo sem retorno?

Reduzindo o atrito de uso e medindo. O conteúdo fica no equipamento e não depende da rede, a rotina de higiene é curta, e um piloto de três meses com quatro métricas (sessões realizadas, quem passou a participar, tempo real da equipa e recusas) mostra em pouco tempo se entrou na rotina.

E se não houver orçamento este ano?

O RVer é um serviço anual e não exige investimento inicial. As vias (orçamento corrente, acordos de cooperação, mecenato, prémios de fundações, autarquias) estão na página Como financiar e contratar. Vale a pena perceber as opções antes de assumir que o projeto fica para o ano seguinte.

Um caso concreto?

Diga-nos qual é a situação

Respondemos com sim, com «é preciso testar», ou com não. As três acontecem, e a última também é útil.

Pedir proposta →

← Voltar aos artigos